Arquivo da Categoria: Críticas 1991

Paco de Lucia – “Zyryab”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 17.04.1991


Paco de Lucia
Zyryab
LP / MC e CD, Philips, distri. Polygram



Ao lado de Manitas de Plata, Paco de Lucia faz papel de grande embaixador do flamenco no mundo. Ao contrário de Manitas ou do menos conhecido (mas não menos importante) Pepe Habichuela, conservadores na atitude e no estilo, Paco de Lucia investe em áreas que só indirectamente têm a ver com a música cigana, como o jazzou a canção de tons mais ligeiros (quem nunca trauteou “solo quiero caminhar”?). Com John McLaughlin (com quem partilha um estilo particular de fraseado) e Al Di Meola, gravou um álbum exclusivamente dedicado às possibilidades da guitarra. “Zyryab” revela-se ecléctico no modo como aborda as típicas bulerias, tarantas, rumbas ou fandangos ciganos, através de uma liberdade formal que não receia juntar o discurso ortodoxo do flamenco às divagações jazz-rock ou a incursões mais marcadamente arabizantes, como acontece no título-tema “Zyryab”, valorizado ainda mais pela participação pianística de Chick Corea. ****

Joan Armatrading – “The Very Best Of…”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 17.04.1991 – Colectâneas e Reedições


JOAN ARMATRADING
The Very Best Of…
LP e CD, A&M, distri. Polygram



Joan Armatrading pertence àquela categoria desmoralizadora das eternas candidatas à primeira divisão dos compositores / intérpretes, a quem sempre faltou apenas o definitivo golpe de asa para se elevarem ao cume do estrelato. Os discos chegam, esforçados, ao Top, mas sem lograrem atingir os lugares cimeiros. Mesmo assim. “The Key” ainda conseguiu à justa chegar ao número dez. A presente colectânea abrange o período compreendido entre 1976 e 1988 e os álbuns “Joan Armatrading” (1976), “Show Some Emotion” (1977), “To The Limit” (1978), “Me Myself” (1980), “Walk Under Ladders” (1981), “The Key” (1983) e “The Shouting Stage” (1988), para além de uma remistura, já deste ano, de “Love and Affection”. Movendo-se à vontade entre géneros díspares (“gospel”, rock ou baladas FM), a voz de Joan Armatrading todos confere um toque pessoal, que infelizmente não chega para voos de maior altitude.
***

Nils Lofgren – “Silver Lining”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 17.04.1991


Nils Lofgren
Silver Lining
LP e CD, Essential, distri. Ananana



É guitarrista, mas Neil Young convidou-o para tocar piano em “After the Goldrush” e, mais tarde, já o instrumento certo, em “Tonight’s The Night” e “Trans”. Após uma passagem rápida pelos Grin, lançou-se numa carreira a solo relativamente bem sucedida, assinalada pela gravação de álbuns de rock “mainstream” (“Grin”, “Nils Lofgren”, “Back iy up”, “Cry Tough”, “Night Fades Away” ou “Wonderland”, entre outros), que lhe valeram o estatuto de “guitar hero” capaz de proezas acrobáticas, como tocar de costas em salto de trampolim ou, segundo reza a lenda, de prodigiosos triplos saltos mortais com “flic flac” à retaguarda. Entrou para a E Street Band, de Bruce Springsteen, e parece que ficou mais sossegado. Agora regressa a solo com “Silver Lining”, mas não há nada de particularmente interessante a registar – o mesmo “rock ‘n’ rol” honesto de sempre, as mesmas baladas agradáveis e inócuas, o virtuosismo guitarrístico que se lhe reconhece. Uma referência final para a lista de convidados especiais: Bruce Springsteen, Levon Helm, Billy Preston e Ringo Starr. A música, infelizmente, nada tem de especial. **