Arquivo mensal: Junho 2021

Vários – “El Viaje” (banda sonora original)

pop rock >> quarta-feira >> 28.04.1993
Banda Sonora Original


Vários
El Viaje
CD Milan, distri. Dargil



“El Viaje”, subintitulado “La aventura de ser joven”, realizado por Fernando Solanas, é um filme que pretende, segundo o seu autor, “mostrar o contraponto entre o intimismo e o gigantismo da paisagem latino-americana, desde a época das Descobertas até à História presente” e, em paralelo, “a descoberta da própria identidade por um adolescente”. A partitura consiste numa série de apontamentos orquestrais compostos por Egberto Gismonti (na “recriação do lado barroco” da cultura da América do Sul), que oscilam entre orquestrações tonitruantes e simulacros “ethno” de ressonância amazónicas, seguidos da música de Astor Piazzola, de “Sueno de uma Noche de Verano”, recriada por Nestor Marconi em sucessivas variações do tema-título. Por fim, composições do próprio Solanas, em sucessivas remetências para um mesmo motivo melódico, “Ushuaia”, a mais engraçada e tocante das quais é a versão vocalizada, pungente dissertação sobre o amor universal cantado à maneira de um Paco Bandeira em estado de iluminação. (6)

Vários – “The Best Of Mountain Stage, vol. 1 & 2”

pop rock >> quarta-feira >> 28.04.1993
WORLD
REEDIÇÕES


Vários
The Best Of Mountain Stage, vol. 1 & 2
CD Blue Plate, distri. Polygram



Mountain Stage é o nome de um programa de rádio de actuações ao vivo que vai para o ar todas as semanas em Charleston, West Virginia. Tendo como objectivo a divulgação de áreas musicais “inclassificáveis”, não é difícil descortinar, no conjunto de artistas apresentados, algumas tendências predominantes: o folk rock, os blues, o “cajun”, o velho “rhythm ‘n’ blues” e variadas ramificações da música “country”. O principal interesse destas compilações está na captação, quase artesanal, de registos únicos de alguns nomes sonantes revisitados a uma luz mais intimista. Dr. John e o seu piano “Honky tonk”, a vocalização “cajun” de Daniel Lanois e a excitação “zydeco” dos Buckwheat Zydeco destacam-se no primeiro volume, do qual fazem parte, entre outros, Loudon Wainwright III, Clive Gregson & Christine Collister, N.R.B.Q. e Richard Thompson. O segundo volume vale sobretudo pelas boas prestações das vozes femininas de Michelle Shocked, June Tabor, Maura O’Connell (pertenceu aos De Danann), Kathy Mattea e Sara Hickman. John Prine, Robyn Hitchcock, Billy Bragg e Delbert McClinton são outros dos artistas presentes. A maior desilusão vai para os REM, com uma interpretação sonambúlica de “Losing my religion”. (5) / (6)

Blowzabella – “A Richer Dust”

pop rock >> quarta-feira >> 28.04.1993
WORLD
REEDIÇÕES


Blowzabella
A Richer Dust
CD Plant Life, distri. MC – Mundo da Canção



Grupo de passagem mais ou menos meteórica pela cena folk britânica, os Blowzabella, liderados pelo virtuoso da sanfona Nigel Eaton, ainda tiveram tempo para gravar a sua obra-prima, “A Richer Dust”, entre um álbum de estreia gravado ao vivo no Brasil (“Pingha Frenzy”, também já reeditado em CD) e o terceiro e derradeiro “Vanilla”. O que impressiona neste projecto e, em particular, neste disco, é a releitura demencial que os Blowzabella fazem da música folk inglesa. A transposição do passado para algo que, embora mantendo as raízes amarradas a esse passado, se projecta numa proposta radicalmente nova que a expressão do título e temas, como “The new jigs” ou “The new hornpipes”, de resto, acentuam. Nigel Eaton e os seus companheiros põem em destaque uma série de lugares-comuns da folk (as conotações célticas ou as “drinking songs”, por exemplo), ampliando-os e saturando-os de sonoridades e repetições temáticas, até criarem uma situação de quase ruptura.
A sanfona e a gaita-de-foles, magistralmente manipuladas por Eaton e po Paul James, enovelam-se com o violino de David Shepherd e o “melodeon” de David Roberts, num trabalho de acumulação e saturação que desemboca em momentos de explosão e, mais raramente, de pacificação. Exemplo desta estética do excesso é a sequência instrumental “The War of the roses” que ocupava todo o primeiro lado do formato emj vinilo, composta sobre módulos melódico-harmónicos obsessivos, carregados de tensão. Neste aspecto, Blowzabella podem ser considerados os King Crimson da música folk.
Os temas restantes de “A Richer Dust” (mais dois que no vinilo) funcionam como contraponto, salientando-se a especialíssima concepção do canto tradicional de Jo Fraser, em “Our captain cried”, e os arremedos etílicos de Paul James, em “The Diamond”. De lamentar apenas o pouco cuidado posto na transposição para o digital, a requerer um outro tipo de mistura. (10)