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Wim Mertens – “Skopos”

06.02.2004

Wim Mertens
Skopos
Usura, distri. Megamúsica
6/10

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Wim Mertens tem um dilema. Empenhado na criação de uma obra monumental, nalguns casos impenetrável, dispersa por trilogias, tetralogias e infinitologias, sente-se, por outro lado, impelido a mostrar um lado mais acessível e “fácil” da sua música. “Skopos” pertence à categoria do Mertens “ligeiro” e “mainstream”. Armado do seu “ensemble”, o compositor flamengo cria um híbrido de estilos e sonoridades exóticas capazes de seduzir o ouvido pelo imediatismo. Flamenco e música árabe fazem a sua aparição em “Add growth can be heard”, “Further Hunting” é pretexto para percussões em compasso de “house” subliminar e “Swirling backwards” reinventa o lado erudito dos Tuxedomoon, enquanto “From out of which” retoma as velhas poanadas num registo pop próximo dos Penguin Cafe Orchestra e “Bold forgetting” e “Working the Ploughs” apostam no minimalismo romântico que depois de “O Piano” de Nyman não cessou de se repetir. Sem dúvida bonito, mas longe da estranha música de “Vergessen”, “Struggle for Pleasure” e “Maximizing the Audience”, aqui apenas igualada pelo belíssimo ( e Nymaníssimo…) epílogo, “Bewildering din”.

Wim Mertens – Best Of

30.01.1998
Wim Mertens
Best Of (7)
Les Disques Du Crépuscule

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“O melhor de…” aplicado a Wim Mertens expressa um dos lados de uma dicotomia enraizada no âmago da música deste compositor belga, falso minimalista, comprometido entre um vanguardismo nos limites d perceptibilidade e um “easy listening” neoclássico chique que o coloca, hoje, confortavelmente ao lado de Michael Nyman, no topo das preferências de uma burguesia bem pensante para quem o conceito de novo estagnou numa mesa de café do Bairro Alto. Este “Best of” privilegia, obviamente, não solos de fagote com meia hora de duração, mas o lado mais melodioso de Mertens, o das pianadas idílicas com base na matemática das emoções, como “Humility” e “Iris”, assim como o tom de música de câmara dos Soft Veredict (“Struggle for Pleasure”, Maximizing The Audience”, dois títulos-temas dos respectivos álbuns, aqui incluídos) ou o diálogo pianístico a quatro mãos, o mais próximo de uma lógica verdadeiramente minimalista, de “4 mains”. A inclusão de um tema inédito, “Hors-nature”, acentua o lado melodioso desta colectânea, o qual, como quase toda a produção recente do músico, oscila entre uma beleza de desarmante simplicidade e um decorativismo a roçar o enjoativo. O último tema, “The scene”, um curto apontamento retirado do álbum mais antigo de Mertens (“Sin Embargo”), agora reeditado em CD pela primeira vez, contém em si próprio a essência do paradoxo: sobre um dedilhado de principiante numa guitarra acústica o jovem Mertens assobia uma melodia pueril. Belo e ridículo. Mas sempre preferível a ouvi-lo cantar.