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Jethro Tull – “Thick as a Brick”

Pop Rock

18 Julho 1997
reedições


Jethro Tull
Thick as a Brick (8)
Emi 100, distri. EMI – VC


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À semelhança do que já acontecera com “Aqualung”, também “Thick as a Brick” volta agora a ser editado, com direito a masterização, nova embalagem – que inclui a versão completa de 28 páginas do falso jornal “St. Cleve Chronicle”, parte integrante da edição original em vinil – e uma gravação ao vivo, inédita, de 11’48’’, do título-tema, realizada em 1978 no Madison Square Garden, bem como uma entrevista com vários elementos do grupo. A presente reedição insere-se num pacote mais vasto, com outros artistas, de celebração dos 100 anos de existência do selo EMI. Se o som remasterizado de “Aqualung” deixava algo a desejar, ganhando em ênfase, mas perdendo definição em relação à versão anterior em compacto na Chrysalis, o mesmo não acontece com “Thick as a Brick”, em que este problema não existe.
“Thick as a Brick”, com data de primeira edição de 1972, é o segundo álbum conceptual dos Jethro Tull, em que ao tema central de “Aqualung”, a religião, se sucede a simulação do poema épico composto pelo menino prodígio Gerald (Little Milton) Bostock, de oito anos, referido, aliás, no próprio disco, como autor de todas as letras. À época, muita gente engoliu a história, de tal forma era conseguida a verosimilhança. A primeira página do falso jornal, escrito e impresso especialmente para o efeito, chegava ao ponto de incluir uma foto do pequeno génio, recebendo o prémio pela sua composição. “Little Milton” viria posteriormente, anunciava ainda o mesmo jornal, a ser desclassificado, em virtude de uma equipa de psiquiatras lhe ter diagnosticado desequilíbrios emocionais graves, os quais o teriam levado a escrever o seu longo poema “Thick as a Brick”, onde são perceptíveis atitudes perniciosas em relação à vida, a Deus e ao país.
É óbvio que Ian “flautista numa perna só” Anderson retomava aqui algumas das suas obsessões, já abordadas em “Aqualung”, mas amplificando a escala das suas ambições, tanto filosóficas como musicais. Para muitos, “Thick as a Brick”, com o seu tema único, dividido em múltiplos andamentos e variações, é o melhor álbum dos Jethro Tull, da fase posterior ao rhythm’n’blues progressivo dos três primeiros, “This Was” (de 1968), “Stand up” (1969) e “Benefit” (1970). Obra típica da fase dourada do progressivo, nela Ian Anderson dá largas à sua imaginação, criando melodias que interligam e intercalam mutuamente, num complexo jogo de arranjos que virá a agudizar-se ainda mais no álbum seguinte, “A Passion Play” (seguindo a mesma estrutura base, de um único tema separado por secções), quanto a nós, aquele em que as capacidades de Ian Anderson melhor se adaptaram aos cânones do progressivo. Em “Thick as a Brick”, as frases melódicas recorrentes, as vocalizações trovadorescas de Anderson e os teclados omnipresentes de John Evan criam uma trama de sugestões e ideias que resistiram até hoje ao desgaste do tempo.
“Thick as a Brick” é um trabalho fundamental dos anos 70, quando todos os excessos eram permitidos, ainda para mais enriquecido pelos pormenores atrás apontados, de acordo com uma estratégia editorial que, estamos em crer, se irá prolongar pela obra posterior do grupo.



Jethro Tull – “Christmas Album”

31.10.2003
Jethro Tull
Christmas Album
R&M, distri. Universal
7/10

LINK

Boas notícias para os admiradores dos Jethro Tull: o grupo está de boa saúde. Não tem sido fácil sobreviver à “morte anunciada” (e há quantos anos vem sendo anunciada!…) do rock progressivo mas a banda de Ian Anderson continua a aguentar a pé firme (o que também não será fácil, sabendo da preferência do flautista para se firmar sobre uma perna só…). “Christmas Album” evidencia o som clássico do grupo, sem cedências aos modos de produção actual, se exceptuarmos “Another Christmas Song”, único exercício de estúdio “neo prog”, a contrastar com o tom acústico das restantes 15 canções. Nestas, Anderson canta e toca flauta como um herói, retomando a velha veia folk, com pinceladas Fairport Convention, em “Holly Herald”, ou numa magnífica “A Christmas Song”, a par de “Last man at the party” e “First snow on Brokklyn”, temas a merecerem a entrada para a galeria dos clássicos do grupo. A faceta “jazzy” é outro selo de garantia de um álbum que, evitando a nostalgia, apresenta todavia as marcas de uma melancolia terna, através da inclusão de uma nova versão do antigo instrumental “Bourée”.

Jethro Tull – Stormwatch

24.09.2004
Jethro Tull
Stormwatch
Chrysalis, distri. EMI-VC
5/10

LINK (Parte 1)
LINK (Parte 2)

“Stormwatch” faz parte do novo pacote de reedições remasterizadas da discografia antiga dos Jethro Tull e inclui quatro temas extra. Ainda há quem se interesse por eles. Bem entendido, a data de edição é 1979 e nessa altura os Tull tentavam salvar a pele e sair ilesos da investida “punk”. Fizeram-no facilitando, arredondando as arestas e restringindo os ritmos, amiúde, a ensonsas batidas de rock FM, quando não descendo à total sensaboria, como acontece com a orquestração pirosa de “Home”. Atenção, porém, Ian Anderson nunca foi homem para descer até aos limites da vulgaridade – embora chegue lá perto em “Warm sporran”, “Something’s on the move”, tímida incursão no “hard rock” e uns “old ghosts” por demais primários – mantendo intocáveis o seu virtuosismo na flauta e as suas vocalizações de menestrel vagabundo. Temas como “Dark Ages”, “Dun ringill” e “Flying dutchman” estão ao nível do período, bem mais interessante, de “Songs from the Wood” e “Heavy Horses”. E a fechar, “Elegy”, um puro exercício de rock sinfónico neo-clássico, lá está para provocar os ódios ou os amores mais extremados.