Arquivo da Categoria: Forum Sons

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #180 – “Obra prima do Brasil +”

#180 – “Obra prima do Brasil +”

Obra-prima do Brasil + …
Fernando Magalhães
Mon Jul 2 14:49:48 2001

Confesso ter ficado siderado com a audição, no carro, à vinda do Porto, do novo (ed. 2000) de ZECA BALEIRO, que adquiri na banca da Jojo’s music a 2000$00: “Líricas”.

Já tinha o “Vô Imbolá” (n/sei se o título está correctamente escrito) mas este “Líricas” é um disco assombroso, mais acústico e tocante. Zeca Baleiro é um fabuloso pintor palavras / emoções (neste caso, os textos das canções são mesmo essenciais). A música, em simbiose perfeita com os poemas, junta elementos híbridos que vão do Alternative country à brasileira, à influências (?) difusa de Tom Waits e, sobretudo, Chico Buarque, de quem Zeca Baleiro será o nobilíssimo herdeiro espiritual.

Um disco a rondar a perfeição com algumas faixas verdadeiramente como ventes (no sentido nobre da palavra “comoção”).

Outra aquisições no Porto:

“The Lounge Lizards”, dos Lounge Lizards (que apenas tinha em vinilo)
“Songs of Leonard Cohen” (1968), dele mesmo. Ainda não tinha, é o disco de uma quantidade d eclássicos.
“Mathilde Santing”, de Mathilde Santing”, mini álbum de estreia. Mas este é para esquecer: 5/10. Datado.

Todos a 1750$00

“Stories from the City, Stories from the Sea”, da Polly-Jean Harvey. Ainda só ouvi os 4 primeiros temas mas parece estar à altura dos álbuns anteriores.

“Starless and Bible Back” – KING CRIMSON. Edição remasterizada do 25º aniversário.
Na FNAC, a 1650$00 (!!)

“Mama Mundi” – CHICO CÉSAR. Oferecido pelo festival. Bom disco, a la Chico César, uma misturada de tudo, feita com bom gosto. 7/10.

“Can I Have My Monkey Back” – GERRY RAFFERTY – já tinha, mas adquiri-o de novo, pela capa (original), a 2200$00. Folk pop, entre os Beatles e Lindisfarne.

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #179 – “Re-audições”

#179 – “Re-audições”

Re-audições
Fernando Magalhães
Mon Jun 18 15:43:20 2001

Definitivamente, não consigo gostar do novo dos AUTECHRE. Massacrante. Chato. Uma orgia de breakbeats inúteis.
Mesmo tal tema nº 9 que me pareceu de inídio interessante (só tinha ouvido os primeiros minutos…) descamba na tal sessão de epilepsia breakbeatica sem nexo que o Mário já por aqui tinha referido.

Já em relação ao novo da/o ESTER NRINKMANN, altero a minha impressão inicial. O disco é extremamente interessante, tirando partido da fonética do italiano e de uma subtil reavaliação da electrónica minimalista cultivada pelo mesmo músico, enquanto THOMAS BRINKMANN.

Da colectânea (3 CDs) “Clicks & Cuts 2” salva-se pouca coisa: um divertido tema de VLADISLAV DELAY e mais uma lição de originalidade + electrónica lúdica + tortura sónica inteligente (as três juntas!!!) dada pelos DAT POLITICS, a fechar a antologia. O resto (e este resto inclui gente como Thomas Brinkmann, Snd, Fennesz, Matmos…) afunda-se numa massa sonora indistinta que poderia perfeitamente ter sido produzida por um único e mesmo músico!!!

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #178 – “Plaid, Autechre, Squarepusher”

#178 – “Plaid, Autechre, Squarepusher”

Plaid, Autechre, Squarepusher
Fernando Magalhães
Wed Jun 13 18:57:22 2001

PLAID: “Double Fugure” – Bastante interessante. O termo “funny electronics” deve ser substituído por “no romantismo” ou “hedonismo electrónico”.
Há elementos dos Isan, B. Fleischmann, o costume, mas os Plaid possuem uma vertente pop (perdão, poplítea…) que lhes confere um encanto adicional.
Pena que as ideias se comecem a esgotar mais ou menos a meio do disco (70 min.).
Tivesse o CD metade da duração e mereceria um 8/10 sem reservas… Assim fico-me pelo 7/10.

AUTECHRE: “Confield”. O discos mais frio e sem alma que ouvi nos últimos tempos. Deixou-me indiferente. Cerebral, sem dúvida, construído como um mecanismo de relojoaria, mas prazer de audição, confesso que não tive. Gostei principalmente da faixa 9, aquela que me pareceu animada de alguma vida… 6,5/10

SQUAREPUSHER: “Go Plastic”. Excelente disco de habilidades, puro número de circo. Squarepusher é um tecnicista do d & b e outras modalidades de dance music, mais ou menos abstractas, mas parece faltar ao disco um fundamento, algo de sólido que não se esgote no mero exibicionismo formal. Bom disco para passar em discotecas elitistas )))). 6,5/10