Arquivo da Categoria: Críticas 2001

Vladislav Delay – Anima

09.03.2001
Vladislav Delay
Anima
Mille Plateaux, distri. Ananana
6/10

vladislavdelay_anima

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Depois do exercício de « deep house » de « Vocalcity », em nome de Luomo, e de duas interessantíssimas incursões no minimalismo electrónico, “Mutila” e Vapaa Muurari Live”, Vladislav Delay/Uusitalo decidiu experimentar a capacidade de encaixe dos ouvintes, submetendo-os a 62 minutos “non stop” de “chill out” que intitulou de “alma” (“Anima”, em latim). Sabendo-se que o “chill out” surgiu como resposta à necessidade de descanso do corpo e da mente na ressaca de longas sessões de dança, “Anima” não será, porventura, o tónico ideal para o cumprimento deste desígnio. Como músico “experimental” que é, o finlandês polvilhou a sua hora de ambientalismo com pequenos cortes e deslocações clínicas, de manufactura Oval/Microstoria, procurando desencadear correspondências nos neurónios no ouvinte. Agitações que cedo se tornam redundantes, hesitando entre fazer tocar o despertador ou abandonar-se ao cansaço.

Sten Sandell – Bio Elektrika

09.03.2001
Sten Sandell
Bio Elektrika
LJ, distri. A Orelha DE Van Gogh
7/10

LINK (“Trio Braam Dejode Wachter And Sten Sandell Trio” Parte 1)
LINK (“Trio Braam Dejode Wachter And Sten Sandell Trio” Parte 2)
LINK (“Trio Braam Dejode Wachter And Sten Sandell Trio” Parte 3)

Biologia e electricidade. Vida e energia. Stan Sandell, compositor sueco algo deslocado no seio da falange jazz que domina o catálogo da LJ, construiu com ambas um bloco de electrónica densa com base em samples e efeitos vocais do próprio inseridas nas drones e pulsações criados nos sintetizadores. “Röstrytmer” abre com uma obscura cerimónia tribal onde a voz é emitida por um híbrido entre o animal e o humano, no meio de descargas de estática. Em “Re-tala-tala” a voz é massacrada por ruído aleatório, e “Re-damp” e “Under the loop” recuperam o registo industrial de um Asmus Tietchens, criando atmosferas em que a própria electricidade assume a forma de entidade ameaçadora. “Lungs”, por seu lado, poderia passar pelo equivalente masculino de um mantra desenhado por Fátima Miranda, pulverizado por explosões de napalm e mastigado por mandíbulas de metal. Um álbum difícil e escuro, indicado para rituais secretos.

Tortoise – Standards (conj.)

02.03.2001
Tortoise
Standards
Thrill Jockey, distri. Zona Música
7/10

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Labradford
Fixed::Context
Blast First, distri. Zona Música
Depois do “Big Bang”
Tortoise e Labradford correspondem a dois estágios distintos de evolução do pós-rock. “Standards” será, segundo os próprios, o “disco punk” dos Tortoise. O grupo voltou-se para uma via energética que estava ausente no anterior “TNT”. Se este era uma montagem de módulos sonoros em permanente flutuação, o novo “Standards” sujou, por um lado, o som, ao mesmo tempo que o ar de “inacabado” surge agora imbuído de uma carga libertária. O lado ideológico de crítica a alguns dos sinais da América pós-Clinton, servirão de caução a uma música que alterna achados sonoros com “jams” inconsequentes. Electrónica manipulada com mestria, devaneios jazzísticos, um pouco de “lounge” e “film music” e constantes truques de ilusionismo formam uma argamassa em ebulição, sem que este retorno ao “big bang” faça esquecer a galáxia em expansão que continua a ser “Millions now Living will never Die”. Os Labradford, esses, há muito que se afastaram do rock. Desde “Mi Media Naranja” que a banada se vem embrenhando numa música “espacial” que tanto evoca bandas da 4AD – Dif Juz ou This Mortal Coil -, como Pink Floyd e Brian Eno. “Fixed::Context” cria ambientes talvez menos susceptíveis de aprofundamento do que o anterior “E Luxo So”, embora imbuídos de forte pendor hipnótico. Em “Twenty”, pulsações no limite dos infrasons sustentam uma frase de guitarra eterna repescada de “Wish you were here”, dos Floyd. “Up to pizmo” e “David” vivem do mesmo tipo de tecituras de guitarra criadas por Vini Reilly nos Durutti Column, e “Wien” fecha em voo silencioso de baixo, sintetizador e piano eléctrico sobre regiões de “Apollo Atmospheres” de Eno. Música para sonhar, alguns furos acima do postal retro dos Sigur Rós.