Arquivo da Categoria: Críticas 2001

Superego – A Lenda da Irresponsabilidade do Poeta

06.04.2001
Superego
A Lenda da Irresponsabilidade do Poeta
Metrodiscos, distri. Zona Música
7/10

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Rodeado à nascença de alguma polémica, este disco de estreia desta banda de Aveiro liderada por Jorge Cruz, vocalista e autor de todos os textos, lança uma lufada de ar fresco no cada vez mais asfixiante panorama do rock português. É verdade que “A Lenda da Irresponsabilidade do Poeta” é um título, além de pomposo, irritante, mas isso não impede a verificação de que estamos perante uma fusão bem sucedida entre urbanidade e ruralidade, raiva e isolamento, a paranóia do afastamento e o silêncio dos campos. Viagem circular, sem saída, dita, preto no branco, em “Dívidas (a liberdade da solidão), documentário cru servido com tempero rock que, uma vez posto a tocar no leitor de CD, é difícil de arrancar de lá. As vocalizações de Jorge Cruz acompanham a forma pouco habitual como os Superego entendem o ritmo, aspecto que permite enquadrar “A Lenda…” na ala rock da editora Recommended, representada por grupos como No Safety, The Momes, The Work ou Forever Einstein. Podia era ter-se evitado o manifesto redigido na capa. Francisco Loução, já cá temos um.

The Tannahill Weavers – Dancing Feet

30.03.2001
The Tannahill Weavers
Dancing Feet
Green Linnet, import. Megastore Valentim de Carvalho
8/10

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LINK (“Leaving St Kilda “)

Uma boa notícia para os admiradores incondicionais desta banda escocesa clássica, a reedição em CD de “Dancing Feet”, originalmente editado em 1987, altura em que o grupo procurava afirmar-se definitivamente no panorama da folk céltica. Era o tudo ou nada, num circuito cada vez mais dominado pela competição (tinham nos Battlefield Band os principais competidores…), desafio ao qual os Tannahill Weavers responderam com o primeiro clássico da sua carreira. Muitos outros se haveriam de seguir, mas “Dancing Feet” retém a magia e o entusiasmo dos momentos únicos. Sobre um reportório cem por cento tradicional que abrangia desde composições de “pipe majors” de bandas militares a uma balada de Archie Fisher ou um tema do prolífico Robert Burns, “Dancing Feet” é um conjunto portentoso de canções instrumentais, ao nível dos melhores álbuns dos Battlefield, dos raros capazes de congregar novos adeptos para a causa céltica e de responder aos anseios mais profundos dos que a ela já aderiram há muito. Porquê “Dancing Feet”?. Escutem o “set” instrumental número sete e logo saberão a resposta.

David Thomas & The Two Pale Boys – Surf’s Up

30.03.2001
David Thomas & The Two Pale Boys
Surf’s Up
Glitterhouse, distri. Zona Música
8/10

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O mundo de David “fat genius” Thomas não está longe do dos Suicide. O líder dos Pere Ubu construiu uma casa arruinada no coração de uma América amaldiçoada e é de lá que regurgita as suas visões de “paranoid android” iluminado. Um passo em frente e é o abismo. “Surf’s Up” (mais uma dedicatória explícita aos Beach Boys) começa numa fabulosa capa (uma dona de casa psicopata guarda a entrada do rancho) e termina em canções de raiva, manadas em tropel, declamações de “film noir” (“Ghosts”), claustrofobia e… aracnofobia (“Spider in my stew”). No seu disastrodome particular crescem melodias de folk “americana” atormentada, rock & roll em fúria (“Runaway”), andamentos de cowboy tripado (“Night Driving”) e uma marcha fúnebre em que o jazz, clonado nos fabulosos fraseados de trompete de Andy Diagram, naufraga num oceano de manias. E, se querem saber o que existia neste lugar, antes do “blackout”, não percam tempo a consultar os registos, é mesmo o tema “Surf’s Up”, composto por Brian Wilson e Van Dyke Parks em 1971. O medo aconselha a não acreditar que esta América existe de verdade.