Arquivo da Categoria: Críticas 1991

Todd Rundgren – “2nd Wind”

Pop Rock

13 MARÇO 1991
LP’S

TODD RUNDGREN
2nd Wind

LP / MC / CD, Warner Bros., distri. Warner port.

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A ideia é engraçada: trazer o estúdio de gravação para o palco e aí, ao vivo, diante de milhares de pessoas, gravar “in loco” o próprio disco. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Se a montanha pariu ou não um rato, é já outra questão. Digamos que Todd Rundgren sempre foi melhor guitarrista e produtor que compositor. Na qualidade de produtor assinou trabalhos de Janis Joplin, Hall & Oates, Patti Smith, Cheap Trick, Psychedelic Furs, Rick Derringer, Meat Loaf, Tubes e XTC. Nada mal. Como guitarrista distingue-se por uma abordagem “sinfónica” do instrumento, sobrecarregando-o de electricidade e efeitos. Técnicas que resultaram em pleno no álbum de 1975, “Initiation”, transposição musical dos processos alquímicos orientais, em que vestia a pele de um John McLaughlin em delírio entre sintetizadores ultra-saturados. A partir desse disco enveredou por uma música mais acessível (com ou sem os Utopia), como a deste “Segundo Vento” – “rock mainstream”, hollywoodesco, feérico e superproduzido, sem espaço para o silêncio. Para Todd Rundgren cada espira é sempre pequena demais. Falta sempre uma nota, um ruído, um efeito extra. Destaque para o teclista Roger Powell e algumas intervenções do saxofonista Bobby Strickland (interessante o solo de barítono, em “The smell of money”). O resto o vento levou. **

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Thin Lizzy – “Dedication: The Very Best Of Thin Lizzy”

Pop Rock

13 MARÇO 1991
REEDIÇÕES

THIN LIZZY
Dedication: The very best of Thin Lizzy

LP, MC e CD, Vertigo, distri. Polygram

tl

Phil Lynott afirmou sempre querer que os Thin Lizzy fossem recordados como “uma banda por onde passaram grandes guitarristas”. Lynott morreu, mas o seu desejo cumpriu-se. Eric Bell, Gary Moore, Scott Gorham, Brian Robertson, Snowie White e John Sykes enriqueceram as composições do baixista negro com o virtuosismo das suas guitarras. O disco abrange o período compreendido entre 73 e 85 e inclui o tema inédito que dá nome ao álbum, uma “demo tape” recuperada e completada por três antigos membros da banda: Brian Downey, Scott Gorham e Gary Moore.
Rock duro, canções por vezes inspiradas, a inovação (nos anos 70) da melodia ser delineada pelo baixo e a excelência das guitarras fazem de “Dedication” um disco interessante para compreender o fenómeno do então denominado “hard rock”, precursor de posteriores histerias “heavy metal”. “The rocker” ou “Killer on the loose” são poderosos exemplos da energia que constantemente jorrava de Phil Lynott, uma espécie de Hendrix do baixo, de alma céltica e apreciador de uma boa canção. ***



Kate Bush – “The Sensual World” [vídeo]

Pop Rock

10 ABRIL 1991

KATE BUSH
The Sensual World

PMI, Emi-VC, 36 min.

kb

Ao contrário do que o título faz supor, não se trata de imagens alusivas ao mais recente álbum da cantora, mas de uma entrevista em que esta fala de si própria e dos seus métodos de trabalho – ficamos a saber, por exemplo, que Alfred Hitchcock é a maior das suas fontes de inspiração ou que utiliza a seu bel-prazer as energias masculina e feminina –, intercalada de excertos de “clips” sortidos, como “Running up that Hill”, “Cloudbursting”, “Big Sky”, “This Woman’s Work” (canção de “Sensual World” apenas incluída no CD) ou o próprio título que dá nome ao álbum, entre outros.
De beleza falsamente ingénua, abrasiva e pose dançarina de “The Kick Inside” (Verão escaldante, logo que a vemos cantar e dançar em “Wuthering Heights” ou no espectáculo ao vivo de 1979, no Hammersmith Odeon) até à actual maturidade, vai a distância que separa a mulher de voz e expressão exóticas – e eróticas – da artista completa. Faz uma certa impressão vê-la ao natural, mais velha e sem maquilhagem. Às vezes é preferível desconhecer o rosto verdadeiro, escondido por detrás dos nossos sonhos. Em termos musicais, Kate Bush não tem parado de progredir, afirmando-se, de álbum para álbum, como uma das mais interessantes compositoras e vocalistas da actual cena britânica. “The Dreaming” e “Hounds of Love” revelaram-na apostada em seguir as vias difíceis do experimentalismo. “The Sensual World” acrescenta novos mundos ao seu universo temático-musical. Que misteriosas estradas vão desde a alma até à flor da pele? Por que gestos e sons se abrem as portas do prazer? No “clip” de “The Sensual World” é princesa e depois apenas mulher, caminhando contra o tempo numa floresta de fábula. Folhas, neve, fogo, texturas de cor e estrelas. Rosácea de segredos. Império dos sentidos. ***

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