Arquivo da Categoria: Críticas 1991

Collection D’Arnell-Andrea – “Au Val Des Roses”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 08.05.1991


COLLECTION D’ARNELL-ANDREA
Au Val des Roses
LP e CD, Art Lively, distri. Mundo da Canção


Colecção de Outono / Inverno, à chegada do Verão… São franceses, intelectuais como só os franceses sabem ser, românticos e apaixonados por paraísos perdidos. Anseiam habitar a terra prometida. Sonham com mundos utópicos de fantasia, como aquele descrito em “Le Grand Meaulnes”, pelo autor francês do início do século, Alain Fournier.
O disco refere-se ao “vale das rosas” que reproduz na capa, mas a música sugere mais um “vale de lágrimas”. Tanta tristeza. Tanta melancolia. Tantas canções de embalar saudades e desgostos. Chloe Liphard é a voz feminina que faz chorar os corações. Jean-Christophe d’Arnell dá o apelido à banda e toca “teclas de metal”. Carine Grieg – teclados -, Xavier Gaschignard (mais um apelido aristocrático) – violoncelo – e Peter Rakoto (este é que estragou tudo) – baixo – completam a colecção. Rivalizam com os This Mortal Coil no género “gótico sofisticado”. Só que são franceses. E mais românticos. E ainda acreditam em paraísos perdidos. Sons de antigamente, clássicos e solenes, e títulos como “Un horizon de lune”, “Un matin de Septembre”, “Un refuge lointain” ou “Un tiède reposoir” (sempre “um”) chegam para nos fazer sonhar.
***

Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único

Paco de Lucia – “Zyryab”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 17.04.1991


Paco de Lucia
Zyryab
LP / MC e CD, Philips, distri. Polygram



Ao lado de Manitas de Plata, Paco de Lucia faz papel de grande embaixador do flamenco no mundo. Ao contrário de Manitas ou do menos conhecido (mas não menos importante) Pepe Habichuela, conservadores na atitude e no estilo, Paco de Lucia investe em áreas que só indirectamente t~em a ver com a música cigana, como o jazzou a canção de tons mais ligeiros (quem nunca trauteou “solo quiero caminhar”?). Com John McLaughlin (com quem partilha um estilo particular de fraseado) e Al Di Meola, gravou um álbum exclusivamente dedicado às possibilidades da guitarra. “Zyryab” revela-se ecléctico no modo como aborda as típicas bulerias, tarantas, rumbas ou fandangos ciganos, através de uma liberdade formal que não receia juntar o discurso ortodoxo do flamenco às divagações jazz-rock ou a incursões mais marcadamente arabizantes, como acontece no título-tema “Zyryab”, valorizado ainda mais pela participação pianística de Chick Corea. ****

Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único

Nils Lofgren – “Silver Lining”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 17.04.1991


Nils Lofgren
Silver Lining
LP e CD, Essential, distri. Ananana



É guitarrista, mas Neil Young convidou-o para tocar piano em “After the Goldrush” e, mais tarde, já o instrumento certo, em “Tonight’s The Night” e “Trans”. Após uma passagem rápida pelos Grin, lançou-se numa carreira a solo relativamente bem sucedida, assinalada pela gravação de álbuns de rock “mainstream” (“Grin”, “Nils Lofgren”, “Back iy up”, “Cry Tough”, “Night Fades Away” ou “Wonderland”, entre outros), que lhe valeram o estatuto de “guitar hero” capaz de proezas acrobáticas, como tocar de costas em salto de trampolim ou, segundo reza a lenda, de prodigiosos triplos saltos mortais com “flic flac” à retaguarda. Entrou para a E Street Band, de Bruce Springsteen, e parece que ficou mais sossegado. Agora regressa a solo com “Silver Lining”, mas não há nada de particularmente interessante a registar – o mesmo “rock ‘n’ rol” honesto de sempre, as mesmas baladas agradáveis e inócuas, o virtuosismo guitarrístico que se lhe reconhece. Uma referência final para a lista de convidados especiais: Bruce Springsteen, Levon Helm, Billy Preston e Ringo Starr. A música, infelizmente, nada tem de especial. **

Legenda
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único