Arquivo da Categoria: Críticas 1991

Crowded House – “Woodface”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 10.07.1991

CROWDED HOUSE
Woodface
LP / MC / CD, Capitol, distri. EMI-VC



Os irmãos Finn, Tim e Neil, fizeram parte de uma banda neo-zelandesa do inícios dos anos 80, os Split Enz, responsável por algumas das melodias mais engraçadas da era pós-new wave. No tempo dos Verões passados a dançar ao som da “Echo beach” de Martha and the Muffins, dos Shirts, enfim, das mil e uma pequenas bandas que então serviam para tornar mais agradáveis os dias, e sobretudo as férias, da nossa imaginada adolescência. Os Crowded House terão perdido, com a passagem dos anos, a inocência dos Split Enz. O que decerto não perderam foi a capacidade de, a partir do modelo eterno, os Beatles, construírem um naipe respeitável de canções Pop suficientemente agradáveis para se levar para a praia e usar em caso de necessidade (festa, esplanada, pôr-do-sol com a/o namorada/o, etc.) Com títulos como “Chocolate cake”, outra coisa não seria de esperar. ***

Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único

Tony Banks – “Still”

Pop-Rock Quarta-Feira, 03.07.1991


Tony Banks
Still
LP / MC / CD, Virgin, distri. Edisom


Ainda por cá, Tony? Para quem não sabe, Tony Banks é o teclista dos Genesis, banda outrora importante, transformada, a partir do momento em que Phil Collins tomou conta das operações, num placebo grotesco, destinado aos consumidores das massas viciadas no “som FM”. “Still” é o vazio, a ausência completa de ideias, de originalidade, de um estilo próprio, de música, enfim. Como quase sempre acontecve nestes casos de degenerescência avançada, procura-se tapar o buraco recorrendo à utilização maciça de massa (pouco) consistente, feita de músicos convidados, escolhidos mais ou menos ao acaso. Em “Still” calhou aos vocalistas Nik Kershaw, Andy Taylor e Fish, o homem que gostaria de ter nascido Peter Gabriel, tentarem fazer passar por canções meros arranjos de estúdio. Uma referência final, elogiosa, para a vocalista feminina Jayney Klimek, que, levando em consideração a fotografia inclusa, desde já aconselhamos vivamente a trocar a música pelo cinema ou por uma carreira de modelo. Quanto ao resto, “Still” não existe.
*

Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único

The Beach Boys – “Collection”

Pop-Rock, Quarta-Feira, 03.07.1991
Reedições


THE BEACH BOYS
Collection
LP duplo / CD, Capitol, ed. EMI – Valentim de Carvalho



Na prática a única diferença entre a colectânea agora editada e a do ano passado, “Summer Dreams”, é o rótulo de “anunciado na TV” que aquela ostenta, orgulhosa, na capa e o corte de algumas canções de carácter mais intimista. De resto é a lista de clássicos do costume, as notas (breves) em português e a embalagem saloia a puxar idas à Caparica, de “tijolo” às costas. Onde “Summer Dreams” procurava inserir-se num contexto nostálgico, de Verões perenes, passados ao sol de uma época e de uma Califórnia míticas, destacando a faceta de compositor genial de Brian Wilson, “Collection” vai mais pelo lado “gelado de limão”, procurando impor a imagem duns Beach Boys adeptos de uma filosofia de vida simplista, que compunham melodias facilmente trauteáveis, ideais como acompanhamento para os prazeres do “surf” ou de “flirts” de ocasião.

Não seria possível, por uma vez, trocar a jogada oportunista dos “hits” pela edição dos discos originais? Dito isto, as canções aqui colecionadas, quase todas tornadas “clássicos”, permanecem intocáveis. Daí a classificação atribuída.
****

Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único