pop rock >> quarta-feira >> 03.08.1994
Ou Vai Ou Rasga
Vários Artistas
Portugal Rebelde, vol. 1
Global

Situadas nas margens da produção nacional “mainstream”, as bandas incluídas neste manifesto de rebeldia são a prova de que é possível ter ideias e lutar por elas fora do circuito das multinacionais. Autoproduzidos, com selecção e compilação a cargo de Marco Aurélio e Nelson Silva, os 15 temas de “Portugal Rebelde” aparecem divididos em dois blocos distintos. O primeiro, que abarca os Basement, Booby Trap, Melancholic Youth of Jesus, No Creative Solution, Carrocel Mágico, More República Masónica, Cães Vadios e LSD, escorre em torrentes ácidas de guitarra, explosões de bateria e o sufoco de baixos musculados. A escola é a do velho rock ‘n’ roll, a mensagem é a acusação e a denúncia, gritadas com sarcasmo, sem pausas de descanso, nem tempo para cortesias.
A partir dos Bizarra Locomotiva e até aos Giant Ant Scandal, passando pelos Lesma, Klang, Factor Activo, Zirkus Maximus e Aqob, entra em cena a tecnologia electrónica, desde os sintetizadores analógicos aos “samplers” democratizados. O discurso ganha em riqueza tímbrica e as soluções harmónicas diversificam-se. O destaque vai para o ataque demolidor dos Bizarra Locomotiva, com “Movimento em falso”, e para o “electrorap” dos Factor Activo, “Mas qual a reacção do morto que dorme”, em directo do Instituto de Medicina Legal, numa emissão anarco-hipnótica-televisiva para mentes afogadas em narcótico e robôs amantes da dança. Sem esquecer os Giant Ant Scandal e os Aqob que afogam sem receio a alma no tribalismo eléctrico da techno, o grande normalizador rítmico do momento. As bandas portuguesas que queiram participar em próximas edições discográficas do Portugal Rebelde deverão enviar seu material ao cuidado de Marco Aurélio, para Portugal Rebelde, Apartado B, 6203 Covilhã Codex. (7)



