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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #41 – “Pós-punk na Uncut (brotherjames)”

#41 – “Pós-punk na Uncut (brotherjames)”

Fernando Magalhães
27.11.2001 140220

quote:
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Publicado originalmente por brotherjames

Comprei pela primeira vez uma revista que não fazia parte da minha dieta: a Uncut. Foi um artigo de Simon Reynolds, que também escreve na Wire, sobre a cena pós-punk inglesa que me fez comprá-la. E que artigo! Percorre com depoimentos alguns dos momentos cruciais de um dos melhores períodos da música inglesa. Bandas como os PIL, This Heat, Pop Group, The Fall, Gang Of Four, A Certain Ratio, Josef K, Scritti Polliti, Alternative TV foram alguns dos protagonistas principais de uma cena, infinitamente superior aos new-romantics da treta ( Duran Duran, Human League, etc.), e cuja natureza Reynolds analisa muito bem. Ou seja quem quiser um bom antídoto para os textos de Nuno Galopim encontra-o aqui. Simplesmente imperdível. E aconselho-o a todos os forenses, sem reservas.
Entretanto fiquei com uma boa impressão da revista. Artigos sobre bons filmes (Straw Dogs, Apocalypse Now, o último do Carpenter) e um CD de graça. Nada mau.

Saudações
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Dessa lista, os mais importantes são, na minha opinião, os THIS HEAT, grupo determinante no desenvolvimento do pós-rock. “This Heat” e “Deceit” são álbuns incontornáveis da década de 80. Charles Hayward, um dos elementos do grupo e, até hoje, nome importante das novas músicas fundou a seguir outro grupo excelente, cuja música é uma espécie de prolongamento menos radical dos This Heat, os THE CAMBERWELL NOW, autores do álbum “The Ghost Trade”.

Os THE HUMAN LEAGUE foram outro dos grupos importantes para o pós-rock. Tornaram-se neo-românticos apenas a partir do álbum “Dare”. Antes disso gravaram dois álbuns espantosos que todos os apreciadores de electrónica deveriam ouvir: “The Human League” e “Travelogue” (andam por aí disponíveis, a baixo preço, os CDs da Virgin). Mais para trás ainda, os HL faziam música industrial maolida (digamos assim), sendo considerados uma espécie de rivais dos CABARET VOLTAIRE. Nesse período gravaram o EP “The Dignity of labour”, música belíssima, cujos temas foram incluídos como bonus tracks no CD de “Travelogue”,

FM

Battlefield Band – “O Campo De Batalha” (artigo de opinião)

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 29 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Folk

O CAMPO DE BATALHA

Da Escócia, país de lendas e nevoeiros, a música mágica dos Battlefield Band. O amor pelas lonjuras ancestrais recriado no presente e projetado no futuro. A gaita de foles e o sintetizador. A tradição, o cruzamento feérico da cidade industrial com o verde e a água da floresta.



Gravaram, até à data, doze álbuns, alguns deles peças indispensáveis numa coleção folk digna desse nome. Combinam a interpretação das canções e danças tradicionais com composições escritas pelos membros do grupo. Respeitando o espírito original, iluminando a corrente que liga a terra ao céu.
Só os amantes deste especial tipo de música saberão talvez apreciar, sentir astralmente, as vibrações que se desprendem das sonoridades tradicionais. Irmanados na congregação do Grande Templo, as portas do tempo revelando e escondendo o secreto centro. Fogo, ar, água, terra. Quatro entradas e mais uma, oculta, para o país dos sortilégios. A música fala-nos da eternidade. A tradição aponta-nos o coração ígneo, silêncio pulsante donde nasce o movimento. Em cima, esculpindo as formas do que há-de ser. Em baixo, nos pés que pulam e batem no barro, nas folhas e no húmus, bailando ao ritmo das estações, dos astros e das humanas paixões.
Os novos bardos catalisam o polo positivo do poder, raio forçando a transição entre duas épocas. Força ascensional, percorrendo os quatro eixos do mundo, enquadrando o corpo e a consciência no eixo vertical e superior. A cruz centrando a rosa. Flor de luz.

Em Casa

Os Battlefield Band não serão tão esotéricos. Neste caso, as palavras servem como orientadoras da sensibilidade. Não se ouve música folk da mesma maneira que a pop ou o rock. Aprendizagem é iniciação. A banda escocesa, uma boa escola.
A fase inicial da sua discografia, que vai de 1976 a 1979, constituída pelos três primeiros álbuns, intitulados simplesmente “Battlefield Band” 1, 2 e 3, e por “At the Front” e “Stand Easy”, não se encontra, por enquanto, disponível entre nós. A coletânea “The Story So Far” reúne material deste período, bem como de EP e cassetes da banda. É a fase da procura de uma via pessoal, a exploração de combinações instrumentais inusitadas que se tornariam num dos seus polos mais interessantes e inovadores. Saliência para algumas vocalizações femininas, a partir daí completamente ausentes dos processos musicais dos Battlefield Band.
“Home Is Where The Van Is” assinala a grande explosão. Ged Foley (que viria a formar os House Band), bandolim, guitarra, gaita de foles de Northumbrian e voz; Brian McNeill, violino, viola de arco, “bouzouki”, “cittern”, concertina, sanfona e voz; Alan Reid, teclados (órgão, piano, sintetizador) e voz; e Duncan MacGillivray, gaita de foles das terras altas, “tin whistle”, guitarra, harmónica e voz, dão corpo e alma a uma música verdadeiramente excitante, alternando temas do cancioneiro com composições originais de McNeill e Reid. É o primeiro álbum gravado para a editora Temple, de Robin Morton, que dá uma ajuda num dos temas, tocando “bodhran” (correspondente britânica do adufe).

Computando a tradição

“There’s a Buzz”, outro disco fora de série, está ao mesmo nível que o anterior. Robin Morton volta a participar, tocando trompete em “Sir Sidney Smith’s March”. Dougie Pincock, dos Kentigern, ainda na condição de artista convidado, toca flauta em “Shining Clear”, tema baseado num poema de Robert Louis Stevenson. Em “The Battle of Waterloo” fazem jus ao nome que para si escolheram, com Duncan MacGillivray e Dougie Pincock competindo nas gaitas-de-foles.
O computador de ritmos faz a sua aparição em força no álbum seguinte, “Anthem For The Common Man”, talvez o disco mais fraco, a tecnologia ainda não assimilada de molde a não perturbar a coerência estética do projeto. Ainda assim o disco vale por peças como “I Am the Common Man” ou “The Yew Tree”, em que os Battlefield fazem questão de nos presentear com extraordinárias prestações vocais. MacGillivray é entretanto substituído por Dougie Pincock, na gaita-de-foles, e Ged Foley dá lugar a Alistair Russell. A mesma via é prosseguida em “On The Rise”, com a vantagem de os ritmos computorizados encontrarem o seu justo lugar na hierarquia instrumental, funcionando de maneira mais discreta e contribuindo assim para um maior equilíbrio entre as componentes acústica e eletrónica. Mesmo assim, os puristas dão saltos ao escutar “Bad Moon Rising”, dos Creedence Clearwater Revival, transformado em jiga.

Hotel Celta Universal

“Celtic Hotel” constitui novo marco de exceção. O leque instrumental alarga-se ainda mais, com a introdução do saxofone e do “mandocello”. Os Battlefield Band assumem-se definitivamente como uma das forças criativas a ter em conta no desenvolvimento da folk escocesa, numa perspetiva semelhante à de Alan Stivell em relação à música e tradição bretãs. O som torna-se mais universal, e abre-se, em “Muineira Sul Sacrato Della Chiesa”, a essa outra fonte inesgotável da cultura e imaginário celtas que é a Galiza e à Bretanha, em “E Kostez An Henbont”, um “dro” (cadência rítmica utilizada com frequência nesta região). Brian McNeill confirma, em “The Rovin’ Dies Hard”, o estatuto de compositor à altura para contribuir com novas canções para o património cultural popular escocês, numa balada que relata o confronto entre a nova geração de músicos e o passado e legado históricos que lhes estão na origem.
“Homeground”, o mais recente trabalho da banda, é o único gravado ao vivo, até à data. Ao lado de irrepreensíveis interpretações de temas de álbuns anteriores, surge um “medley” impensável que junta, no mesmo saco e a um ritmo diabólico, jigas, “reels”, rock ‘n’ roll, os Beatles de “With a Little Help from my Friends” e mesmo algumas brincadeiras rap. A diversão total, o puro gozo de tocar ao vivo, a alegria de uma música que não se esgota em discursos de academismos enfadonhos.
Assinalem-se ainda, a par da discografia do grupo, os discos a solo de Brian McNeill, “Monksgate” e “Unstrung Hero”, bem como a colaboração, em dois volumes, dos Battlefield Band com a harpista Alison Kinnaird, no projeto “Music in Trust”, com a música composta para o programa televisivo do mesmo nome. Série de documentários sobre zonas e edifícios de interesse histórico-cultural, em que o vigor e a complexidade formal do quarteto se casam na perfeição com o tom mais sereno e introspetivo de Alison Kinnaird, que cintila nos fulgores e vibrações das cordas da “clarsach” (designação local para a harpa escocesa).
A maior parte dos discos gravados para a Temple são distribuídos no nosso país pela Mundo da Canção, sediada no Porto, que tem desenvolvido um meritório trabalho de divulgação das propostas mais atuais do movimento folk britânico.
Pedra a pedra se vai construindo o templo. Portugal está prestes a ocupar nele o lugar que, por divino direito, lhe pertence. Saibamos ser a alma, visão e respiração de um mundo a arder.

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #40 – “tarde audiogalaxy (rat-tat-tat)”

#40 – “tarde audiogalaxy (rat-tat-tat)”

Fernando Magalhães
23.11.2001 200826

quote:
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Publicado originalmente por rat-tat-tat
E alguma fusão electrónica/música clássica indiana? SFF________________________________________

LÁSZLO HORTOBÁGYI – músico húngaro. Único. Inclassificável. Fez conferências sobre música tradicional indiana e toca uma espécie de folclore não só indiano como de outras regiões, num contexto de absoluta fantasia (do estilo inventar línguas novas e geografias absurdas…), tudo fundido em electrónica. Há uns anos escrevi uma página inteira sobre esta personalidade ímpar da música actual.

Aconselho os CDs: “Traditonal Music of Amygdala” (1991,o mais experimental e industrial), “Ritual Music of the Fomal-Hot-Al-Ganoubi” (1994, o universo de “Dune”…), “The Arcadian Collection” (1994) e “6th All Indian Music Conference” (1995). Todos ed. Erdenklang, com distribuição Megamúsica. Na Ananana (mas também já os vi noutras lojas), consegues encontrar alguns deles.

Os últimos álbuns são mais convencionais, na área da tecno/trance com influências étnicas.

FM