Arquivo mensal: Maio 2021

Dolores Keane – “There Was A Maid”

pop rock >> quarta-feira, 14.04.1993
REEDIÇÕES WORLD


Dolores Keane
There Was A Maid
Claddagh, distri. VGM



Onde se prova que Dolores Keane é a maior cantora viva da Irlanda. “There was a maid”, original de 1978, está longe de ostentar o som sofisticado e os arranjos gloriosos das parcerias com John Faulkner, “Farewell to Eirinn”, “Broken Hearted I’ll Wander” e “Sail Og Rua”. Mas a voz, caramba, vale por tudo, brilhando como ouro nas interpretações “a capella” ou acompanhada pelos velhinhos sem mariquices da Reel Union. E Dolores dá-lhes espaço de sobra para mostrarem o que valem nos “reels” e jigas da praxe. Mesmo sem cantar, a diva espanta e comove, tocando sozinha a sua flauta de madeira num “Lament for Owen Roe O’Neill”. (8)

Fuxan Os Ventos – “Quen A Soubera Cantar”

pop rock >> quarta-feira, 14.04.1993
REEDIÇÕES WORLD


Fuxan Os Ventos
Quen A Soubera Cantar
Edigal, distri. MC – Mundo da Canção



Onde se prova que a Galiza está mais próxima de Portugal que de Espanha. Um poema de Manuel Alegre, em “O meu amor marinheiro”, quadras de António Aleixo, numa “Foliada de Aleixo”, e a influência visível de José Afonso em “Longa Noite” são alguns dos elementos lusófonos que marcam a música do antecessor de “Noutrora”. No meio de tanto portuguesismo e de pandeireitadas à maneira dos Muxicas, sobressia, no entanto, a sensação incómoda de uma certa folclorite. A seguir ao apelo revolucionário de “Mencer” (“Os galegos, e com todos eles os autores desta canción, estamos fartos de tantas modalidades de caciques e falsos redentores”), sabe bem escutar a toada quente da sanfona e do violino nos temas “Romance da lavadeira” e “Dame lume”, este imbuído da profundidade e singeleza de Paulo Quintana. (6)

Barzaz – “Ec’ Honder”

pop rock >> quarta-feira, 14.04.1993
REEDIÇÕES WORLD


Barzaz
Ec’ Honder
Escalibur, distri. Etnia



Onde se prova que Yann Fanch Kemener vence aos pontos contra Erik Marchand no grande concurso dos melhores cantores de música tradicional da Bretanha actual. De textura mais frágil que a do cantor dos Gwerz, a voz de Kemener cativa pela maior subtileza e condutibilidade emocional. “Ec’ Honder”, anterior a “Na Den Kozh Dall”, apresenta id~entica proposta, que visa a libertação da tradição bretã da tirania da bombarda e da “biniou-koz”. A estas vibrações abrasivas contrapõem os Barzaz uma sonoridade próxima da “new age”, à qual a flauta de Jean-Michel Veillon e as percussões de David Hopkins conferem a plasticidade e a fluência da água. (8)