Arquivo mensal: Setembro 2009

ISO68 – Mizoknek

05.01.2001
ISO68
Mizoknek
Hausmusik, distri. Ananana
7/10

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LINK (“Space Frames” – 2008)

T. Leboeg, Florian Zimmer e Christian Przygodda formam o trio alemão ISO68, mais um projecto de música electrónica elaborado a partir da aliança do minimalismo com reminiscências residuais, quer do krautrock quer já da releitura indirecta do pós-rock, e as frequências mais subliminares da “dance music”, com localização no espaço de melancolia e atemporalidade despojados de carga ideológica, que caracteriza uma parte significativa da electrónica europeia actual. Mais evidente nos seus propósitos e na sua construção, emocional e arquitectónica, é o álbum de estreia homónimo de Christian Przygodda, sob o pseudónimo Hausmeister, selecção risonha de sonoridades cristalinas, sem arestas, onde são evidentes afinidades com os To Rococo Rot, B. Fleischmann, Isan e Schlammpeitziger, de efeitos apaziguadores dignos do melhor “easy listening”.

Groenland Orchester – Trigger Happiness

19.01.2001
Groenland Orchester
Trigger Happiness
Staubgold, import. Lojas Valentim de Carvalho
8/10

groenlandorchester_triggerhappiness

Dois álbuns com a marca de Reznicek, personagem fulcral da imensa longa-metragem electrónica que tem varrido o espectro das novas músicas nos últimos anos. Com a Groenland Orchester (Reznicek e Jyrgen Hall) predominam a vertente lúdica, as programações de estrutura assente no Groove mais ou menos simétrico, o jogo onde a sensualidade dos timbres não se esgota nas aparências ou na acessibilidade dos programas, antes funciona como motor de uma criatividade requisitada a cada momento. Para os coleccionadores das tropelias de Messer für Frau Muller, Tele:Funken ou Schlammpeitziger, esta Groenland Orchester pode funcionar de facto como o interruptor da felicidade. “Stube” (mesma editora e importador, 8/10), de Reznicek a solo, de 1996, desenvolve-se segundo parâmetros absolutamente distintos. Aqui a vertente conceptual agudiza-se, com a construção de espaços electrónicos tridimensionais (dispensam-se os “instrumentos” e os samplers…) a processar-se de forma quase subliminar. Sombras acústicas, paredes-ecrãs, buracos abrindo-se para o abismo, duplos, refracções sonoras de efeitos surpreendentes. Só para exploradores.

Muslimgauze – The Inspirational Sounds of Muslimgauze

05.01.2001
Muslimgauze
The Inspirational Sounds of Muslimgauze
Universal Egg, distri. Sabotage
8/10

muslimgauze_inspirational

LINK (“Citadel” – 1994)

“Comecei a interessar-me pela música dos Faust e dos Can, pelo punk e pela música industrial, mais tarde pelas músicas árabe e indiana”. “A minha música é influenciada por acontecimentos particulares, tenham eles origem na Palestina, no Irão ou no Afeganistão”. “É fina a linha que separa a doutrinação da informação”. “A nossa música não é política, a maneira como a fazemos, sim”. São declarações recolhidas de entrevistas com Bryn Jones, mentor dos Muslimgauze, falecido em 1999 vítima de uma infecção rara. “The Inpsirational Sounds…” reúne excertos de uma discografia extensa por uma banda de activistas de Manchester fascinada pela ideologia muslim. Música ritualística, com cheiro a pólvora, que ao longo das últimas duas décadas explorou os terrenos minados que vão dos Young Gods a Meira Asher.