Arquivo mensal: Abril 2009

Sétima Legião – Sexto Sentido

26.02.1999
Portugueses
O Império Dos Sentados
Sétima Legião
Sexto Sentido (5)
Ed. e distri. EMI-VC

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Portugal já tem, finalmente, a sua banda de etnose…, etnotecno. É bom que assim aconteça, estar a par do que se faz, ou se fez, lá fora, já há uns bons anos. Coube aos Sétima Legião, numa inesperada ressurreição e consequente regresso às lides discográficas, essa honra, com “Sexto Sentido”, um álbum cuja fórmula não poderia ser mais excitante: misturar “samples” de música tradicional com ritmos electrónicos de dança. A originalidade está em que os Sétima se lembraram de algo em que nenhuma outra banda do planeta tinha pensado antes e que consiste em usar samples, não uns samples quaisquer, mas samples de – pasme-se – música tradicional portuguesa! Deste facto, aparentemente tão simples, advém toda a estranheza e ousadia do projecto. Assim, é com algum espanto e não contida admiração que vemos as recolhas de Giacometti ganharem a luz da contemporaneidade em arriscada simbiose com programações que ora pedem emprestados os sequenciadores aos Tangerine Dream (“A volta ao mundo”, com a voz de Né Ladeiras a dar polimento) ora descambam em batidas cuja principal virtude é não pedirem demasiado esforço, nem às máquinas nem à imaginação (“Eclipse”, “Sem Perdão”). Mas os Sétima Legião vão mais longe, assumindo até às últimas consequências as ligações perigosas entre a tradição e a computorização, não só através do grafismo da capa, uma alface virtual, como, em “Em pedra dura”, pela proeza de juntar a voz e a gaita-de-beiços de um amolador (recolha de Ernesto Veiga de Oliveira) a uma batida “hip hop”. Em “O Factor Humano”, os Sétima Legião invadem declaradamente a pista de dança, enquanto em “A Caminho da Lua” funciona o tom declamatório do vocalista sobre uma paisagem arabizante. Entre o “drum ‘n’ bass” e o “chill-out”, “O louco do mar” demonstra que o grupo está atento às penúltimas tendências internacionais, o mesmo acontecendo em relação às antepenúltimas, em “Tempestades do Senhor”, um ritual de ceifa do Vimioso emticulosamente encaixado numa batida tecno. Ao fim de 14 audições, o tema revela pormenores escondidos como sejam a incrível subtileza inerente a toda a batida tecno (dita “martelinhos”) ou uma série de outras, ainda menos evidentes, que apenas muitas mais audições depois se darão a conhecer em toda a sua plenitude. Nova dose de “drum ‘n’ bass”, em “Canção da erva”, e “ambient tecno”, em “Abril em Batavia” elevam ainda mais a fasquia da originalidade, soando tão originais como, pelo menos, outros 543 projectos semelhantes, todos originais e todos da mesma maneira. Deste modo, conseguiram os Sétima pôr a música portuguesa e eles próprios em sentido. Há um sexto sentido assim, uma intuição do som exacto que, em determinado momento, faz mover as alavancas. “Sexto Sentido” é o triunfo da alface segundo uma fórmula de sucesso. Venham daí mais legumes e sentidos. A música portuguesa agradece.

Peter Jefferies – Substatic

26.02.1999
Peter Jefferies
Substatic (6)
Emperor Jones, distri. Música Alternativa

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Natural da Nova Zelândia, Peter Jefferies caminha em passo solitário nas franjas do pós-rock. “Substatic”, quarto álbum da sua discografia, sucede a “Elevator Madness” (também editado em Portugal) mas, ao contrário deste, é totalmente instrumental. Embalado numa capa imbuída de duplo sentido ( a miríade de luzes tanto sugere uma galáxia de estrelas como pontos luminosos de um ecrã de televisão fora das horas de emissão), “Substatic” investe na linearidade, no volume e na saturação de “riffs” que constantemente hesitam entre a música industrial, o proto pós-rock dos This Heat ou simplesmente o rock, sem outros atributos para além da estridência e do monocordismo. Curioso a princípio, devido a um certo efeito de hipnose que começa por ser capaz de provocar, num registo muito semelhante ao de Roger Miller, nos No Man, “Substatic” acaba por derivar para a simples agressão (em “Damage”) ou para a manipulação gratuita de “loops” (em “Kitty Loop”) antes de a música se apaziguar nos 15 minutos finais de “Three movements”, um crescendo, em acumulação, de notas soltas de guitarra e piano e longínqua chuva de sintetizador cujo principal efeito é pôr a nu as óbvias limitações de Jefferies enquanto instrumentista. Um álbum interessante mas sem rasgos que acaba por se tornar monótono e, como consequência, cansativo.

D.A.F. – Die Kleinen Und Die Bösen (self conj.)

17.09.1999
Reedições
Sex Machine
D.A.F.
Die Kleinen Und Die Bösen (6)
Alles Ist Gud (7)
Gold Und Liebe (8)
Für Immer (7)
Mute, import. Symbiose

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