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Steeleye Span – They Called Her Babylon

19.11.2004
Steeleye Span
They Called Her Babylon
Park, distri. Megamúsica
7/10

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pwd: folkyourself.blogspot.com

Nunca nada está perdido para os Steeleye Span, a banda de folk rock inglesa que tem sete vidas como um gato. Sobrevivendo Às modas, às investidas da “world” e a sucessivas alterações na formação, o grupo regressa com uma vitalidade digna de registo. O equilíbrio entre as vertentes “folk” e rock nem sempre é o mais adequado, nalguns casos fazendo-se valer uma veia mais “hard rock” progressiva que ora recorda os Jethro Tull ora os Gentle Giant. Mas para aqueles para quem a profusão de guitarras eléctricas e bateria não constituem obstáculo, “They Called Her Babylon” oferece “riffs” e refrões irresistíveis. Houve já quem, talvez apressadamente, considerasse este álbum um dos clássicos do grupo. Na verdade, se há temas em que os Steeleye Span tocam o esplendor de outros tempos esses devem-se às vocalizações de Maddy Prior. Clássicas são, sem dúvida, as suas interpretações em “Van Diemen´s Land”, “Heir of Linne” e “Child Owlet”, esta última de antologia. Num álbum marcado pela temática religiosa, soa a débil a execução no violino de Peter Knight em “Si begh si mohr”, de Turlough O’Carolan, longe de fazer esquecer a inultrapassável versão dos Chieftains.

Steeleye Span – Below The Salt (self conj.)

25.09.1998
Reedições
Steeleye Span
Below The Salt (9)
Parcel Of Rogues (8)
Commoner’s Crown (7)
Rocket Cottage (6)
BGO, distri. Megamúsica

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Fairport Convention e Steeleye Span formaram, nos anos 70, o par de bandas sem as quais o folk-rock nunca teria existido. Os primeiros contavam nas suas fileiras com uma diva: Sandy Denny. Do lado dos Steeleye Span, o trunfo da voz feminina não era menor: Maddy Prior. Durante anos disputaram ambas o ceptro de “melhor cantora folk das Ilhas Britânicas”. Com a morte prematura de Denny, Maddy Prior foi eleita, com toda a naturalidade, rainha incontestada. Ninguém se lembrou de June Tabor, talvez por fazer parte de outro baralho…
Mas os Steeleye Span contavam ainda, nas suas fileiras, com um guru, Ashley Hutchings, fanático da “morris dance” e do rock, dois estilos aparentemente antagónicos que procurou misturar, quer, primeiro, nos Fairport Convention quer nos Steeleye Span, antes de se dedicar por inteiro ao seu projecto mais querido, os Albion Band, na sequência de um disco lendário que publicou em 1972, “Morris on”. Para trás ficavam, dos Steeleye Span, os álbuns “Hark! The Village Wait”, “Please to See the King” (álbum folk do ano, em 1971, para o Melody Maker) e “Ten Man Mop or Mr. Reservoir Butler Rides Again”, os dois últimos com a participação de Martin Carthy, provavelmente a maior voz masculina da folk inglesa contemporânea.
Com um aformação composta por Maddy Prior (voz), Peter Knight (violino, viola, bandolim, banjo), Tim Hart (guitarra, saltério), Rick Kemp (baixo) e Bob Johnston (guitarra), os Steeleye Span gravaram, em 1973, “Below the Salt” e, no ano seguinte, “Parcel of Rogues”. “Below the Salt” é um daqueles discos que marcam uma época e de onde ressalta uma magia especial. As vozes de Maddy Prior e de Tim Hart, afeiçoadas num passado comum, nos álbun “Summer Solstice” e nos dois volumes de “Folk Songs of Olde England”, harmonizam-se como a de dois menestréis em temas como “Spotted Cow” e “King Henry”. “Jigs: The Bride’s Favorite/Tansey’s Fancy” é a resposta, em delicadeza, de Peter Knoght, aos instrumentais inflamados de Dave Swarbrick, nos Fairport Convention. Polifonias “a capella”, como “Rosebud in June” e o clássico “Gaudete” enriquecem sobremaneira um disco onde, acima de tudo, a vox de Maddy Prior se eleva a alturas sublimes, em interpretações de antologia como as que rubrica em “Sheep-crook and the black dog”, “Royal forester” e “Saucy sailor”. Em “John Barley-corn”, representativo do lado mais folky do disco, é a vez de Tim Hart mostrar aquilo que vale. Há ainda o lado mais épico e progressivo, presente no longo “King Henry”, representativo ainda do tom geral que caracteriza “Below the Salt”, ilustrado pela capa, representando um banquete medieval.
“Parcel of Rogues” é um álbum que soa mais fácil e descontraído, com a electricidade e os ritmos rock a fazerem sentir-se com mais força, indicando o rumo que a banda viria a seguir nos álbuns seguintes e lhe valeria uma série de presenças regulares nos tops de vendas do Reino Unido, embora os Steeleye Span, desde “please to See the King”, já fossem presenças regulares nessa mesma lista. Temas como 2One misty moisty morning”, o instrumental “Robbery and violins” ou “The wee wee man” transbordam de energia, à boa maneira de uma banda rock. Por outro lado, em “alison Gross”, “The Bold poachers”, “The ups and downs”, “The Wee Wee Man” e “Rogues in a nation” (“a capella”9, saem reforçadas a componente polifónica e as harmonizações vocais, cuja fluidez contrasta com o maior parumo e compartimentação vocal do álbum anterior. Entregues aos cuidados vocais de Maddy Prior estão “One misty moisty morning”, “The weaver and the factory maid” e “Cam ye O’er frae France”.
Após “Now We Are Six”, um fenómeno de vendas que contou com as participações do flautista dos Jethro Tull, Ian Anderson, como produtor/consultor, e de David Bowie, que toca saxofone num dos temas, “Commoner’s Crown”, de 1975, já com a presença do baterista Nigel Pregum (chegado dos progressivos Gnidrolog), envereda decididamente pelo rock-folk, em vez do folk-rock original… Um passo que Tim Hart justifica, comparando, uma vez mais, os percursos paralelos dos Steeleye Span e dos Fairport Convention. “Penso que experimentamos áreas que os Fairport Convention nunca atingiram, embora eles permanecessem mais em contacto com as raízes da música folk, algo que nós tivemos sempre mais tendência para ignorar”.
“Commoner’s Crown” vale, ainda e sempre, pelas excepcionais prestações de Maddy Prior, em “Little Sir Hughh”, “Long Lankin”, “Galtee Farmer” e “Weary Cutters”, esta num desdobramento permitido pela utilização de multipistas. Registe-se ainda a participação do actor Peter Sellers a tocar ukelele (o nosso cavaquinho) em “New York Girls”, uma brincadeira. Mas se em “Commoner’s Carown” o trabalho de composição mantém um elevado nível qualitativo, notório nas harmonias vocais de “Dogs and Ferrets” e “Elf Call”, ou no instrumental “Bach goes to Limerick”, que impedem a bateria de ocupar um lugar de excessiva predominância, já em “Rocket Cottage”, de 1976, que sucede a “All Around My Hat”, o mesmo não acontece. A batida de Pegrum torna-se um factor de vulgarização na quase totalidade dos temas, salvando-se ainda e sempre a voz de Prior. Curiosos, pelas razões opostas, são “Sir James The Rose”, um aceno aos Fairport Convention, e o tema longo, “The Drunkard”, que desce ao popularucho, fazendo suspirar pela arrepiante abordagem, sobre o mesmo tema do alcoolismo, de Richard e Linda Thompson, em “Down Where The Drunkards Roll”, da obra-prima “I Want To See The Bright Lights Tonight”.
Todas as presentes reedições são remasterizadas, notando-se uma melhoria acentuada em relação às anteriores disponíveis no mercado, da Shanachie, o mesmo acontecendo com “Silly Sisters”, primeiro álbum da colaboração entre Maddy Prior e June Tabor, também agora reeditado.

June Tabor – “A Quiet Eye” + Steeleye Span – “The Journey” + Carnival Band – “Hoi Polloi” (conj.)

28.01.2000
World


Luar de Junho Sobre o Carnaval

“A Quiet Eye” ficou de fora da lista dos melhores do ano passado (o disco chegou tardiamente Às nossas mãos). Paciência. June Tabor, a voz da noite, continua a gravar álbuns com títulos que começam pela letra “A” e imagens do seu gato na capa. Sente-se, disco após disco, que um manto de névoa luminosa se adensa sobre esta voz, cada vez mais grave e depurada, de uma das maiores cantoras inglesas vivas. “A Quiet Life é um disco folk de uma solidão tranquila (em vez de “A Quiet Eye” poderia chamar-se “A Quiet I”) composto na maioria por temas tradicionais, incluindo a “contemporary folk” de Maggie Holland (“A Place called England”), Richard Thompson (“Waltzing’s for dreamers” e “Pharaoh”), Bill Caddick (“The Writing of Tipperary”) e Ewan McColl (“The first time ever I saw your face”), diferindo neste aspecto de anteriores trabalhos, como “Some other time” e “Angel Tiger”, que abrangem um reportório mais geral. Com o “pormenor” de June Tabor tornar cada balada, por mais próxima que esteja das raízes ancestrais, num “standard” para a eternidade. Destaque, ao nível dos arranjos, para o habitual piano de Huw Warren e para o bom gosto evidenciado na maneira como é utilizado um naipe de metais que mais do que seguir a linha “morris épica” dos Brass Monkey opta ora pela melancolia majestosa que Shirley e Dolly Collins aprimoram na obra-prima “Anthems in Eden”, ora por um diletantismo “jazzy” sabiamente doseado.
Se, ao falarmos das quatro grandes damas da folk britânica actual, Shirley Collins é a riqueza do timbre, Maddy Prior a arte da ornamentação e Norma Waterson – rainha incontestada – a emoção em estado puro, June Tabor á a beleza formal, a lua que À distância contempla o mundo que se escapa para além do horizonte.
“A Quiet Eye” é uma viagem entre a world music exótica de “Pharaoh” e o “tour de force” “folky” “The Writing of Tipperary/It´s a long way to Tipperary”, em que June recupera deforma admirável alguns dos ambientes do fabuloso “Ashes and Diamonds”. Nove minutos de história sagrada e de demanda, em múltiplas etapas, do amor – como já não ouvíamos desde que Bob Pegg, um dos inventores do folk rock; escreveu com os Mr. Fox a litania “The Gipsy” – que por si sós justificam a aquisição urgente deste disco (Topic, distri. Megamúsica, 8/10).

steeleyspan_thejourney

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Em tempo de merecida festa estão os Steeleye Span, outra instituição da folk britânica que, à sua conta, já levam 30 anos de existência, só sendo batidos, em matéria de longevidade, na Irlanda, pelos decanos Chieftains e Dubliners e, em Inglaterra, pelos “rivais” de sempre, Fairport Convention. Recuperados de um período de decadência que ameaçava transformar o grupo numa caricatura grotesca do passado, com o mais do que interessante “Time”, de 1996, os Steeleye Span regressam ao activo com um duplo CD, “Journey” (na foto), gravado ao vivo em Londres, em que fazem um resumo musical de toda a sua carreira e para o qual convidaram todos os músicos que, em diferentes fases, fizeram parte do grupo. “Journey” evolui desta forma por oredem cronológica, apresentando uma sucessão de formações em rotatividade por onde passaram, além de Gay Woods, segunda voz feminina dos Steeleye na sua fase inicial, Martin Carthy, Ashley Hutchings e John Kickpatrick, qualquer deles uma instituição da folk inglesa. “Journey” vale essencialmente por esse desfile de memórias, já que nalguns casos as interpretações ao vivo deixam algo a desejar, não fazendo esquecer a excelência de toda a obra de estúdio do grupo, ao todo nove álbuns compreendidos entre “Hark!” The Village Waits”, de 1970 e “Rocket Cottage”, de 1976 (Park, distri. Megamúsica, 7/10)

Com Maddy Prior estiveram, em álbuns como “A Tapestry of Carols”, “Carols and Capers” e “Hang up Sorriw and Care”, os Carnival Band, que durante esse period forma considerados uma espécie de banda de acompanhamento da cantora dos Steeleye Span, numa vertente quase exclusivamente vocacionada para a música antiga. Mas Maddy saiu e os Carnival Band emanciparam-se, podendo finalmente mostra que são muito mais do que uma simples banda de apoio. Em “Hoi Polloi” dão mostras ainda por cima de uma dose de loucura e de versatilidade que não se adivinhava nos tempos em que emprestavam os seus “shawns”, flautas de bisel, “curtals” e gaitas-de-foles às pavanas, “bransles”, “estampies” e sarabandas da Idade Média e do Renascimento. Em “Hoi Polloi” a música antiga (do “Terpsichore”, de M. Praetorius, uma das bíblias do género) relida em modos semelhantes aos dos Blowzabella ou, mais recentemente, de Philip Pickett, convive com tradicionais da Macedónia, Ucrânia e Sudão, uma desbunda para bater o pé no estrado com base num tema dos Dixie Dregs, uma balada, “marta” (dedicada à cantora húngara Márta Sebestyen?), com uma parte de violino no estilo “ceguinho” à esquina a pedir esmola”, passando por um delicioso momento de “ragtime”. Uma saudável irreverência que faz jus ao nome “Banda de Carnaval”… (Park, distri. Megamúsica, 8/10)