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Jackie Leven – “The Mystery Of Love Is Greater Than The Mystery Of Death”

pop rock >> quarta-feira >> 05.10.1994


Jackie Leven
The Mystery Of Love Is Greater Than The Mystery Of Death
Cooking Vinyl, distri. MVM



Os ingleses chamam “arty” a discos como este, em que as pretensões, a imagem e o estilo se sobrepõem a tudo o mais. O escocês Jackie Leven, então, exagera. Desde a capa, uma reprodução do célebre quadro “A Ilha Dos Mortos”, de Arnold Böcklin, às citações de Rainer Maria Rilke e Salman Rushdie, passando pela leitura e vocalização de textos de Kabir (poeta indiano do séc. XV), Osip Mandelstam (poeta russo do início do século) e António Machado (poeta simbolista espanhol, também deste século), “The Mystery of…” (só o título pede para o emoldurarem e pendurarem num museu) é uma obra inchada de vaidade, onde a espontaneidade não tem lugar. Nem o talento, diga-se em abono da verdade. A produção – laboratorial – projecta a voz de Leven para a dianteira, protegida por orquestrações pensadas até ao mais ínfimo pormenor. E afinal não passa de um disco de canções, onde os “blues” aparecem como referência longínqua e estilizada em temas como “Clay jug” e “Gylen gylen” e o resto é uma montagem artificial de sentimentos e “clichés”, retocados de maneira a passarem por ideias. Quatro canções fazem parte de um tal “Argyll cycle”, mas são tão vulgares como as restantes. O melhor do disco, e provavelmente o mais profundo, é a letra de “The Bars of Dundee” (não, não esperem fumo, nem gritos, nem alegria): “Mm mm mm / yeah / mm mm mm mm / mm mm mm / yeah / mm mm mm mm.”
Mas até isto Leven canta como se fossem versos de Yeats. Irritante! (5)

Jackie Leven – Fairy Tales For Hard Men

27.06.1997
Jackie Leven
Fairy Tales For Hard Men (7)
Cooking Vinyl, distri. MVM

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LINK (“Creatures of Light and Darkness” – Parte 1)
LINK (“Creatures of Light and Darkness” – Parte 2)

A capa reproduz um quadro de Peter Howson chamado “The Bodybuilder”. Retrata um homem que trabalha o cabedal para conquistar a admiração de outros homens, atrair as mulheres e, muito em especial, os favores da sua amada. Está à janela a ver se a vê, mas o que ele não sabe é que nunca a encontrará, porque o preço a pagar pela musculatura é a morte da mulher que havia dentro de si. É uma imagem fortíssima, que serve de perfeita metáfora para “Fairy Tales…”, um disco que se centra no universo psicológico do macho moderno, que desmonta e problematiza, combinando uma visão crítica com uma perspectiva compreensiva, baseada na ideia de que a agressividade dissimula-trai a insegurança e a fraqueza. É o quarto álbum a solo de Jackie Leven, depois dos Doll By Doll, e a maturidade deste olhar sobre o comércio humano tem um exacto correspondente no seu domínio do género misto folk-rock, que prossegue desde os anos 60. A maior parte destas canções são baladas compostas em guitarra acústica, sendo a diversidade assegurada por arranjos que apelam a guitarras eléctricas e coros pop, mas também a uillean pipes, whistles, banjos e violinos. Em geral, estes elementos são integrados com uma elegante contenção, mas isso não impede que por vezes Levan siga vias mais caprichosas, inserindo estranhas vozes operáticas no meio das canções folk, ou colando composições suas a clássicos como “Unchained melodie”. Não será uma obra-prima, mas é seguramente um disco substancial numa linha absurdamente em vias de extinção.