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Bowie & Bowie, Cª Lda. (artigo de opinião) – “Black Tie White Noise”

Pop Rock

10 MARÇO 1993

BOWIE & BOWIE, Cª Lda.


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Bowie, David, está de volta. Desta vez na companhia de Bowie, Lester, trompetista de jazz que passou pelos míticos Art Ensemble of Chicago, num novo álbum de genérico “Black Tie White Noise”, que interrompe um interregno de seis anos sem lançar qualquer álbum a solo, descontando os três que gravou até à data com o Tin Machine. “Black Tie White Noise”, com produção de Nile Rogers, a quem David Bowie já solicitara os serviços, em “Let’s Dance”, conta ainda com a presença de alguns músicos repescados da fase em que mudava de personagem como de camisa: Mick Ronson, na guitarra, e Mike Garson, teclados, além de Reeves Gabriel, dos Tin Machine, Al B. Sure, Wild T. e Lester Bowie, cuja presença evoca a de outro grande trompetista, Don Cherry, numa das obras menosprezadas de Lou Reed – “The Bells”. Lester Bowie parece, de resto, ter inspirado o seu homónimo das canções, ao ponto de o levar a pegar de novo no saxofone, instrumento que David praticamente abandonara e de que, em “Black Tie White Noise”, se serve com parcimónia e, diga-se em abono da verdade, com alguma habilidade, recordando sonoridades de “Alladin Sane” e “Diamond Dogs”, álbuns com os quais “Black Tie White Noise” partilha algumas semelhanças. O velho “rhythm’n’blues” funciona como ponto de partida, o qual, como é evidente, David Bowie transforma em algo de muito pessoal, acrescentando-lhe uma faceta experimental que andava arredada dos seus últimos trabalhos e que, até “Scary Monsters Super Creeps”, ocupava o cerne da própria composição. “Há certos elementos de dança e ‘rhythm’n’blues’ de que realmente gostamos, mas falta-lhes uma certa dose de experimentalismo. A maioria da música mais comercial tem sido bastante chata nos últimos anos. Nós tínhamos algumas ideias sobre a inclusão de elementos mais experimentais”, disse David Bowie, referindo-se à feitura de “Black Tie White Noise”, cijo título evoca desde logo a dicotomia classicismo/experimentalismo. O álbum inclui doze temas, mais dois bónus, na versão em compacto americana que deverá ser distribuída em Portugal. Entre estes, refira-se “The wedding”, em versões instrumental e vocalizada, sobre o casamento de Bowie com a “top model” Íman; “I feel free”, um velho clássico dos Cream; “Jump they say”, a editar em single, dedicado ao irmão que se suicidou em 1985; e “I know it’s gonna happen”, de Morrisey, em que Bowie faz uma crítica irónica ao ex-vocalista dos Smiths, que, segundo ele, lhe plagiou o estilo, nesta mesma canção.

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Top 10 de álbuns de “covers”

26.01.2001
Top 10 de álbuns de “covers”
“It´s Like These” insere-se na tradição de álbuns de “covers”. Aqui ficam alguns dos mais representativos.

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Jean-Luc Ponty
King Kong, blue Note, 1970
“Virtuose” do violino electrificado, ginasta do jazz de fusão, herdeiro de Grappelli, Ponty deu novo rosto instrumental ao papa dos Mothers of Invention, reinventando o humor de “Idiot Bastard son” e “Twenty small guitars”, ou alinhando em cumplicidade com o mestre, em “Music for Electric Violin na low budget orchestra”.

David Bowie
Pinups, EMI 1973
O camaleão ainda arranjou tempo para vestir a pela dos seus heróis, travestindo “See Emily Play”, de Syd Barrett, “I Can’t Explain”, de Townshend ou “Where have all the good times gone”, de Ray Davies.

The Residents
George and James, Ralph 1984
Os amantes da soul, se pudessem, davam-lhes um tiro. Os da música clássica, enforcavam-nos. Os “criminosos” são os Residents, e o crime foi o massacre de James Brown e Gershwin, no primeiro volume de uma série dedicada a compositores americanos deste século.

Marianne Faithful
Strange Weather, Island 1987
Resultou do encontro mágico entre a produção de Hal Wilner e uma voz do fundo da noite. Tom Waits e Bob Dylan sangrados. E os extremos de uma ressurreição sempre incompleta, entre a ferida de “As Tears Go By” e o despojamento sem esperança de “Boulevard of broken dreams”.

Steve Beresford
L’ExtraordinaireJardindeCharlesTrenet, Nato 1988
Do jazzman e lunático Steve Beresford tudo se espera. Mas foi na editora-anedota Chabada que o inglês soltou o humor nonsense e o amor pelas variedades, em particular a “chanson française”, num disco sorridente que levou ao colo as canções de Trenet.

Pascal Comelade
El Primitivismo, les Disques du Soleil e de l’Acier, 1988
Tudo em que toca fica em cacos. E é ao juntar os pedaços com a cola da memória que a música se transforma num brinquedo. Aqui remonta alguns dos seus preferidos: Stones, Wyatt, Nino Rota e Chuck Berry.

Mary Coughlan
Uncertain Pleasures, Eastwest 1990
Uma das mais sensuais vozes da actualidade, a irlandesa Mary Coughlan desfiou álbuns de “covers”, qual deles o mais brilhante. “Uncertain Pleasures” distingue-se pela arrebatadora versão de “Heartbreak hotel”, de Presley, subindo ao cume em “The little death”, dos Boomtown Rats, feito standard de jazz.

Mathilde Santing
Carried Away 1991
Todd Rundgren, Roddy Frame e os Doors contam-se entre os autores de “Carried Away”, veículo para a voz desta holandesa cultivar a arte da elegância. Com a meticulosidade da coleccionadora e o apuro da designer.

Urban Turban
Urban Turban, Resource 1994
Para os suecos Urban Turban, dar lustro a uma canção é esfregá-la com o desregramento. Sarcasmo, rock & roll e sanfonas, numa variante das barbaridades folk dos compatriotas Hedningarna. “Voodoo Chile”, de Hendrix, e “Let’s work together”, dos Canned Heat, caíram que nem ginjas nas mãos dos iconoclastas.

Joni Mitchell
Both Sides Now, Reprise 2000
Uma das damas da pop deste século, na sua primeira incursão no universo das “covers”. Canções sobre o amor, numa paleta interpretativa que vai do recolhimento à orquestração majestosa das emoções. “Standards” na sua acepção mais nobre, de modelos a seguir.