Arquivo da Categoria: Críticas 1997

The Iron Horse – “Voice of the Land”

POP ROCK

26 Fevereiro 1997
world

The Iron Horse
Voice of the Land
LOCHSHORE, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO


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Os escoceses The Iron Horse formaram-se em 1990 e, nesse mesmo ano, foram a banda-revelação do festival de Lorient. Estão nos antípodas dos The Cast: onde estes jogam da suavidade e na subtileza, os The Iron Horse preferem aumentar o volume dos sequeciandores e saturar as vozes com efeitos de “multitracking” e reverberação. “Voice of the Land” tem por base a banda sonora que o grupo compôs para a série da BBC “The Gamekeeper”, em que a música retrata a vida selvagem e o clima da região do atol de Blair. Há fusões eletrónicas de ritmos computadorizados com canto gaélico, guitarras elétricas sintetizadas, algumas boas gaitadas encaixadas nos sequenciadores de ritmo e até “hip hop” céltico. O quinteto toca uma variedade de instrumentos, incluindo rabeca, sintetizadores, “whistles”, vários tipos de gaita de foles escocesa, das “small pipes” às “half long pipes”, bandolim, cistro, bouzouki eletrificado, sequenciadores de ritmo, guitarras, baixo elétrico e percussão. Antes da “acid-croft mix” do título-tema que fecha o álbum, a Escócia surge, por uma vez, radiosa, nas “scottish pipes”, por uma vez libertas do espartilho dos sintetizadores, em “The sheepwife”. Apetece dançar. Uma experiência, de qualquer modo, interessante. (6)

William Jackson – “Celtic Tranquility”

POP ROCK

19 Fevereiro 1997
world

William Jackson
Celtic Tranquility
IONA, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO


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Coletânea do multinstrumentista (que aqui toca “clarsach”, “whistle”, “uillean pipes”, contrabaixo, teclados e “bodhran”) dos Ossian, a banda mais amaneirada da “folk” escocesa, formada em 1976. O alinhamento inclui os títulos-temas dos álbuns do grupo “Doves across the Water”, de 1982, e “Light on a Distant Shore”, de 1986, na totalidade dos seus oito e doze minutos, respetivamente, mais três temas do álbum conceptual, a solo, “The Wellpark Suite” (1985) e outros três, inéditos em disco, incluindo “Landfall”, composto para uma curta-metragem documental sobre as ilhas Orkney. Nos temas do grupo, obviamente na companhia dos restantes elementos, George Jackson, Tony Cuffe, John Martin, Iain MacDonald e membros da Scottish Orchestra of New Music, formada especialmente por William Jackson para interpretar as suas composições. “Celtic Tranquility”, ideal para contemplações. (7)

Paul Machlis – “The Bright Field”

POP ROCK

19 Fevereiro 1997
world

Paul Machlis
The Bright Field
CULBURNIE, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO


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Confessamos: ficámos presos a este disco só pela capa – o verde astral da Irlanda, num pintura de Calum Wilson. Mas “The Bright Field” é também, em termos musicais, um retrato impressionista e aquático, da Irlanda, revelado pelo piano e pelas composições de Paul Machlis. “New age folk” de qualidade, enriquecido pelo violino e viola-de-arco de Alasdair Fraser (outro músico da área das fusões da “folk” com o ambiental). A escurar o seu “Dawn Dance”, o violoncelo de Barry Philips e a guitarra de William Coulter. Os tradicionais, ente os quais um “air” das Shetland com citação a outra pianista, Violet Tulloch (ver crítica aos Thulbion), remetem para o classicismo do erudito Mícheál Ó Súilleabháin. Um disco que, para além do apelo visual, pode provocar algumas resistências. De onde se depreende que, no seu caso, o termo “new age” está longe de ser pejorativo. (7)