Arquivo da Categoria: Céltica

La Musgana – “Lubican”

pop rock >> quarta-feira >> 02.06.1993
FOLK


La Musgana
Lubican
CD Lady Alicia, distri. Etnia



Terceiro álbum desta banda castelhana que já nos havia impressionado com o anterior “El Paso de la Estantigua”. Fazendo incidir o seu reportório na região da Meseta e em particular na província de Zamora (uma das excepções é um “passedoble mirandês), os La Musgana enriqueceram a sonoridade que agora, mais do que nunca, se verifica nas harmonizações da gaita de foles (com predomínio da gaita “charra”) com a sanfona, a par dos violinos, acordeão, cistre, alaúde, clarinete, dulçaina e instrumentos árabes como a bandurra e o bendir. Poderão alguns achar desnecessário o empurrão dado pelo baixo eléctrico, mas o mais certo é mesmo esses deixarem-se levar pelo balanço irresistível desta música que, ainda por cima, conta com as vocalizações inconfundíveis do convidado Manuel Luna. (8)

Clannad – “Banba”

pop rock >> quarta-feira >> 26.05.1993

Clannad
Banba
CD RCA, distri. BMG




Brennan & Brennan, Máire e Ciarán, conseguiram finalmente apagar todos os vestígios de música tradicional de uma banda que chegou a gravar, há muitos, muitos anos, um belíssimo disco chamado “Dúlaman”. Agora devem vender que se fartam. Que lhes faça bom proveito. A música, essa, reduziu-se a um pote de mel e a névoas de produção, nas quais o mínimo sobressalto de energia ameaça escaqueirar a estrutura de porcelana irlandesa. A voz de Máire não podia ser mais frágil e etérea, os teclados mais avanescentes. As melodias, desenhadas a lápis número quatro, são fininhas, fininhas, tanto que mal se distinguem. Numa delas julgamos vislumbrar, ao longe, as belezas do passado: “Ca dé sin do’n té sin.” Deve ser do título em gaélico. A flauta e o “tin whistle” são soprados com ordens de nunca ultrapassar o risco, por Frankie Kennedy, dos Altan. Quem não o conhecesse, jamais adivinharia. E é assim: um título apropriado para uma banda na corda bamba que, quase de certeza, já deveria concorrer ao Festival da Eurovisão do próximo ano. (2)

Sharon Shannon – “Sharon Shannon”

pop rock >> quarta-feira >> 12.05.1993
WORLD


Sharon Shannon
Sharon Shannon
CD Solid, import. VGM



Alegrem-se os fanáticos do acordeão! “Perpetual Motion”, de Mairtin O’Connor, encontrou um contendor à altura. E de saias. Chama-se Sharon Shannon e foi antiga companheira de Mike Scott nos Waterboys. Agora atirou-se de caras, botões e fole à música tradicional e o resultado é um espanto. À semelhança de “Perpetual Motion”, o álbum de estreia da senhora é um autêntico “tour de force” do acordeão. Sharon vai, de coração aos pulos e sensibilidade à flor da pele, dos tradicionais irlandeses ao “cajun” do Louisiana, passando por um corridinho (adulterado para “coridinio”) algarvio. É possível escutar ainda um tema dos canadianos La Bottine Souriante, um “reel” oferecido por outro “virtuose” do acordeão, o escocês Phil Cunningham, dos Silly Wizard e uma versão de “Music for a fond harmónium”, dos Penguin Café Orchestra – tema que parece ter caído no goto da gente da folk (de memória, recorda-se as versões dos Patrick Street e dos Matto Congrio). Técnica assombrosa, variedade de ritmos e ambientes, entre os quais um explosivo “The munster hop”, escrito durante uma digressão dos Waterboys, fazem deste álbum homónimo da acordeonista – e, nalguns temas, violinista – um autêntico manjar. Para tal contando ainda com uma lista de convidados de luxo, onde pontificam os nomes de Donnal Lunny, cujo “bouzouki” rubrica, em “Tickle her leg”, uma conversa de sonho com o acordeão, Tommy Hayes (percussionista “sui generis” que, no seu muito recomendável álbum a solo “Na Rás”, alinha os tradicionais irlandeses a John Coltrane e Paco de Lucia), Gerry O’Beirne (ex-Patrick Street, Skylark, La Lugh) e Mike Scott. (8)