pop rock >> quarta-feira >> 09.11.1994
portugueses
Rão Kyao
Águas Livres
Vertigo, distri. Polygram
Depois de uns fatigantes “Delírios Ibéricos”, o homem das flautas de bambu precisava de descansar. E assim fez. “Águas Livres” é uma espreguiçadeira, um rio de águas clamas, tudo na linha, sem desvios nem marés vivas. Um verdadeiro aqueduto. É um álbum destinado ao consumo de gente bem instalada na vida que não tem tempo para se concentrar a valer na música mas gosta de ter um som agradável de fundo enquanto se refastela no escritório. O tema é as viagens dos Descobrimentos, o Oriente, enfim, o Portugal universalista, espalhado por títulos como “Rota da seda”, “Velas ao vento”, “Memórias dos oceanos” e “Dança dos véus”. Rão não se esforça muito para ser profundo. Vai soprando nas suas flautas e no embalo de um sintetizador ou de umas percussões bem educadas. As prateleiras da “new age” mais ligeira já têm um espaço reservado para “Águas Livres”. Os “yuppies” devem delirar com sedativos como “Balada do Sul” e os abaixo de “yuppies” podem até bater o pé ao ritmo do comercialão “Búzios”. Os três últimos temas são menos preguiçosos e por segundos conseguem sugerir uma pontinha do mistério do Oriente. Rão Kyao acomodou-se, é um facto. Não seria uma boa altura para voltar a pegar no saxofone? (4)





