Vents d’Est – “Vento Com Múltiplos Sabores”

pop rock >> quarta-feira >> 22.06.1994


Vento Com Múltiplos Sabores



O colectivo Vents d’Est, originário da Hungria, actua amanhã em Lisboa no Teatro S. Luiz, em espectáculo integrado nas Festas de Lisboa 94. Vasmalom, Kolinda, Muzsikas, Sebo Ensemble, Okros Ensemble, Zsaratnok e Vujicsics são alguns dos grupos de música tradicional da Hungria conhecidos pelos melómanos portugueses. Os Vents d’Est são diferentes. Não são propriamente um grupo mas um projecto do tipo Hent San Jakez, estes na vertente céltica, ou seja, uma agremiação de músicos de proveniências diversas aglutinados por uma proposta musical comum. Michel Montanaro, um servo-bosno-croata de ascendência francesa-occitana, é o director musical desta formação que reúne mais de uma dezena de músicos – entre os quais os grupos Vujicsics e os checoslovacos Ghymes – e pratica uma síntese inesperada do jazz com as músicas tradicionais da Hungria e do Mediterrâneo, da música clássica com a Idade Média, do gelo eslavo com o calor cigano, do rigor com o humor. Características que podem ser apreciadas no segundo álbum dos Vents d’Est, “Migrations”, gravado a seguir ao disco homónimo de estreia, por sua vez gravado ao vivo em Budapeste.
A voz belíssima da cantora Ecsi Gyongyi, gaitas-de-foles e sanfonas juntam-se aos metais, à bateria e ao piano de cauda, na criação de uma música sem fronteiras onde, apesar do privilégio concedido à composição escrita, a improvisação acontece quando menos se espera.
Não se deu por isso, mas Montanaro já trabalhou com os portugueses Cantaril. Assim como Konomba Traore, do Burkina Faso, Barre Phillips, lendário baixista dos Trio, formação emblemática da “free music” britânica dos anos 70, e Pedro Aledo, um espanhol especialista das músicas do Sul do seu país.
Paticamente desconhecidos entre nós, os Vents d’Est tiveram honras de capa na edição de Novembro/Dezembro do ano passado da revista francesa “Trad Mag.” E um artigo no qual Montanaro faz a definição da sua música: “um diário de viagem de um compositor que passou 15 anos da sua vida a percorrer a Bulgária, a Hungria, a Alemanha do Leste, a Indonésia e a América, que praticou todo o tipo de encontros e toca como um músico de jazz, de música contemporânea ou medieval”. “World music”? Mais do que isso, pois “nos Vents d’Est há qualquer coisa que ultrapassa a moda – a necessidade de encontro num mosaico que respeita cada cultura”. “O mundo é como um prato de comida chinesa”, diz Montanaro, “com vários sabores dos quais cada um escolhe a sua ementa pessoal”.
VENTS D’EST, 23 de Junho, Teatro S. Luiz, Lisboa

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