Arquivo mensal: Fevereiro 2017

Stars Of The Lid – “The Ballasted Orchestra”

Pop Rock

28 Maio 1997
poprock

Stars of the Lid
The Ballasted Orchestra
KRANKY, IMPORT. TORPEDO


sl

Os Stars of the Lid são uma das bandas mais radicais do pós-rock. A sua música move-se na periferia do rock, deslocando-se imperceptivelmente no vazio, fora deste mundo e da luz. “The Ballasted Orchestra”, estreia deste grupo de Chicago (mais um…) consiste na sobreposição contínua de “drones” carregadíssimas, elaboradas em guitarras eléctricas processadas até à completa liquefacção. Não há o mínimo traço de ritmos ou melodias mas apenas a acção da gravidade, sem a presença de corpos ou acontecimentos à escala humana. Como a imagem da capa sugere, é como se os Stars of the Lid tivessem sido empurrados para fora da esfera do real, condenados a tocar eternamente num poço de anti-matéria. O efeito geral é de desolação, com ondas puras de electricidade a sofrerem a interferência de ocasionais estampidos de estática ou de vozes provenientes do além-túmulo, numa longa queda em direcção ao nada. São 70 minutos de som, por vezes a raiar o “som branco” ou o “som rosa” puros, que estão nos antípodas da evasão e provocam no auditor uma sensação de terrível solidão e desamparo.
Referência “krautrock” obrigatória: Klaus Schulze, de “Irrlicht”, mas com a polaridade invertida. Outras referências: “Evening Star” de Fripp & Eno; “On Land”, de Brian Eno; Glenn Branca, sob anestesia. Música para eclipses. (6)



Füxa – “Very Well Organized”

Pop Rock

14 Maio 1997
poprock

Füxa
Very Well Organized
CHE-I, IMPORT. TORPEDO


fuxa

É notável a forma como grande parte das bandas conotadas com o pós-rock estão a recuperar as sonoridades inimitáveis do velho sintetizador analógico Moog. Nas mãos dos Füxa, a invenção do doutor Robert Moog torna-se um brinquedo. A música dos Füxa, inteiramente instrumental, como vai sendo, aliás, norma no seio do pós-rock, tomo como ponto de partida o som e vive do som pelo som, gerando-se a partir de órgãos electrónicos fanhosos, um baixo pneumático, guitarras minerais e Moogs em constante diversão. Se as estruturas são básicas, evoluindo em torno de pequenas melodias repetitivas ou de sobreposições de efeitos maquinais, o mesmo não se pode dizer das texturas sonoras, domínio por que deve ser apreciada a proposta, ainda em gestação, dos Füxa. Os temas, cíclicos, criam uma atmosfera hipnótica de feira fantasma, que remete, uma vez mais, para o modelo dos Cluster, ora na sua vertente mais industrialista, num tema como “Unexplained transmission repair”, ora no jogo de lego electrónico de um álbum que, ano após ano, cresce em importância, “Zuckerzeit”. Curiosas, ainda, as emulações da guitarra planante de Manuel Gӧttsching, em “Pleasant orbitings”, ou o súbito agigantamento do órgão, expandindo-se num registo neocósmico, em “Unified frequency”, a fazer lembrar os Tangerine Dream de “Alpha Centauri” e “Zeit”. Um universo a prometer futuros desenvolvimentos, com outra individualidade e ambição. (7)