Arquivo mensal: Fevereiro 2015

Free – “All Right Now”

Pop Rock

10 ABRIL 1991
REEDIÇÕES

Free
All Right Now

LP, MC e CD, Island, distri. BMG

Compreende-se e aceita-se que “All right now”, a canção, tenha tido o êxito que teve, em 1970. Era a passagem da década, com toda a gente hesitante sobre a orientação a seguir. Um ano de confusão, de que alguns, como os Free, souberam retirar fama e dividendos. “All right now” ficava nos ouvidos, da mesma maneira por exemplo que “Love like a Man”, dos Ten Years After, sem que isso significasse algo de transcendente. Já não se compreende tão bem e muito menos se aceita que a mesma canção regressasse aos tops sucessivamente em 1973, 78 e 83, facto afinal pouco abonatório das décadas em causa. Agora arrisca-se de novo a edição, para ver até que ponto o pessoal dos 90 reage e adere à coisa. Deve reagir bem e aderir melhor. O pessoal, desde que bem trabalhado, adere sempre.
Acrescente-se que os Free são o exemplo típico das formações de segunda divisão que a Island, nessa altura, gostava de apadrinhar, daquelas que juntavam um razoável guitarrista (Paul Kossof), o rhythm’n’blues e um cheirinho a “progressive”. Gravaram sete álbuns e descansariam hoje em paz, não fora a maldita canção. Assim não descansam eles nem descansamos nós.



Thin Lizzy – “Dedication: The very best of Thin Lizzy”

Pop Rock

13 MARÇO 1991
REEDIÇÕES

THIN LIZZY
Dedication: The very best of Thin Lizzy

LP, MC e CD, Vertigo, distri. Polygram

tl

Phil Lynott afirmou sempre querer que os Thin Lizzy fossem recordados como “uma banda por onde passaram grandes guitarristas”. Lynott morreu, mas o seu desejo cumpriu-se. Eric Bell, Gary Moore, Scott Gorham, Brian Robertson, Snowie White e John Sykes enriqueceram as composições do baixista negro com o virtuosismo das suas guitarras. O disco abrange o período compreendido entre 73 e 85 e inclui o tema inédito que dá nome ao álbum, uma “demo tape” recuperada e completada por três antigos membros da banda: Brian Downey, Scott Gorham e Gary Moore.
Rock duro, canções por vezes inspiradas, a inovação (nos anos 70) da melodia ser delineada pelo baixo e a excelência das guitarras fazem de “Dedication” um disco interessante para compreender o fenómeno do então denominado “hard rock”, precursor de posteriores histerias “heavy metal”. “The rocker” ou “Killer on the loose” são poderosos exemplos da energia que constantemente jorrava de Phil Lynott, uma espécie de Hendrix do baixo, de alma céltica e apreciador de uma boa canção. ***

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The Byrds – “Greatest Hits, Re-mastered”

Pop Rock

13 FEVEREIRO 1991
REEDIÇÕES

THE BYRDS
Greatest hits, re-mastered

LP e CD, Columbia, distri. Sony Port.

byrds

Os pássaros estão de volta. Não os de Hitchcock, mas aqueles, menos cruéis, que voaram alto nos céus, da década de 60. Compreende-se o fenómeno à luz da recente política editorial de reedições revivalistas, em parte explicada pela actual escassez de grandes novidades no mercado discográfico.
A presente colectânea, surgida quase em simultâneo com o recente “Back from Rio” de Roger McGuinn, reúne alguns dos maiores êxitos da banda, como “Mr. Tambourine Man”, “Turn! Turn! Turn!”, “Eight Miles High” (magistralmente recuperado na versão dos Roxy Music incluída em “Flesh and Blood”) e “Mr. Spaceman”, os quais, crescidos do bónus extra da digitalização, constituem aperitivo aliciante para a anunciada edição da caixa de quatro LP contendo o essencial da sua obra, para além de alguns originais.
Por agora, os amantes da “space country” construída à custa das guitarras de McGuinn e Gene Clark e das harmonias vocais da passarada toda são obrigados a contentar-se com esta espécie de catálogo, exemplar na qualidade das amostras, mas avaro na quantidade (o disco tem cerca de trinta minutos de duração) e na informação relativa a uma das bandas seminais da época. Mas, ainda aqui, tudo parece integrar-se numa estratégia tendente a aguçar o apetite e a valorizar ainda mais a próxima aparição da tal caixa mágica. Golpe estratégico ou não, os mestres continuam a dar cartas. ***

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