Arquivo mensal: Setembro 2009

Shirley Collins And Dolly Collins – Anthems in Eden

12.01.2001
Shirley Collins And Dolly Collins
Anthems in Eden
BGO, distri. Megamúsica
10/10

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LINK

Reedição em formato remasterizado de um dos álbuns mais importantes de sempre da folk britânica. “Anthems in Eden”, de 1969, é um compêndio iluminado escrito pelas irmãs Shirley e Dolly Collins (falecida em 1995 e a quem a presente edição é dedicada) que na longa suite “A Song – Story” – mais tarde incluída no mini álbum de Shirley Collins, “Amaranth” -, fez pela primeira vez a ligação da folk inglesa com a música medieval. Se nos Albion Country Band, “família” largamente representada nas restantes canções deste disco, era a vertente rural que em Ashley Hutchings se emancipava através da linguagem rock, em “Anthems in Eden” sobressai a utilização épica de instrumentos antigos, sob a direcção de dois mestres do género, David Munrow (também já desaparecido) e o cravista Christopher Hogwood (então nos Early Music Consort), sobre os quais a voz de Shirley entoa iniciações à Albion ancestral que os Current 93 e Julian Cope tentam hoje a todo o custo decifrar. Uma obra mítica.

Rickie Lee Jones – It’s Like This

12.01.2001
Rickie Lee Jones
It’s Like This
Artemis, distri. Sony Música
7/10

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LINK (The Magazine)
pwd: guaza

“It´s Like This” foi nomeado para um Grammy na categoria “pop vocal tradicional”, ao lado de Barbra Streisand, Joni Mitchell, Bryan Ferry e George Michael. Há alguma ironia no facto desta consagração coincidir com o “tradicional”, quando no seu anterior trabalho, “Ghostyhead”, a cantora rompera com o seu próprio passado. Este seu novo álbum, como os dos rivais Mitchell e Ferry, um conjunto de “standards”, concretiza afinal uma tendência que já se adivinhava em “Pop, Pop”, nomeadamente na pessoalíssima versão de “My funny Valentine”. Exceptuando “The Low Spark of High Heeled Boys”, dos Traffic, e o music-hall de “One hand, one heart” de Bernstein/Sondheim, em dueto vocal com Joe Jackson, Rickie Lee Jones usou a plaina do jazz na adaptação de canções dos Steely Dan, Beatles ou Gershwin ao registo de indolência intimista que lhe é peculiar. Sem rasgos mas com a segurança dos clássicos.

Mola Dudle – Mobília

12.01.2001
Mola Dudle
Mobília
Ed. e Distri. Ananana
8/10

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300 km separam Nanú e Miguel Cabral, respectivamente residentes em Tavira e Sintra, mas não a imaginação necessárias para criarem “Mobília”, um dos álbuns mais inovadores surgidos nos últimos anos no território dos sons alternativos feitos em Portugal. Em torno do conceito de “casa”, os dois Mola Dudle enviaram-se, reciprocamente, por correio cassetes e CDs para serem alterados pelo outro. Deste intercâmbio resultaram 25 peças cujo factor de ligação, seja de samples, de objectos domésticos, de fitas áudio com sons ambientais ou de “software” da 1ª geração. Entre o retro e a electrónica, o programático e o artesanal, “Mobília” centra-se na pesquisa do mistério e dos pequenos achados sonoros arrancados a uma conversação telefónica, a avarias da comunicação ou a danças cibernéticas do quotidiano. Uma música para arrumar ou desarrumar quantas vezes se quiser.