Arquivo mensal: Julho 2009

Kid606 – PS I Love You

17.11.2000
Kid606
PS I Love You
Mille-Plateaux, distri. Ananana
8/10

kid606_psiloveyou

LINK (“Kill Soundboy Kill”)

Nascido há 21 anos na Venezuela. Kid606 estabeleceu-se na Califórnia, onde vive agarrado a um sampler e desenvolve projectos paralelos na área da informática e da música, como Tigerboy, Kid666, Scsi Bear, Compact Digital Audio, Ariel e Matmos. “PS I Love You” é um agregado corrosivo de sonoridades tecno, house, click-house e electro experimental que desenvolve algumas da premissas lançadas pelos Tone Rec, Dat Politics e Pan Sonic, sem, contudo, atingir as fronteiras da inaudibilidade destes projectos. “Twirl” é uma interessante convergência em aço pontiagudo da tecno com o krautrock, “Sometimes” um espaço de ruído rosa, “Now I Wanna Be a Cowboy” uma amassadela a la Funkstörung e “Strum” minimalismo de metal como fazia Robert Merdzo. O apocalipse sónico está reservado para o final, “Fuck up everything you can before you plano n slowing down” – “Metal Machine Music” para a era digital.

Van Dyke Parks – Song Cycle (self conj.)

02.04.1999
Entre Hollywood E O Calipso
Van Dyke Parks
Song Cycle (9)
Discover America (7)
Clang Of The Yankee Reaper (5)
Rykodisc, distri. MVM

vandykeparks_songcycle

LINK
pwd: rideyourpony

A sua figura de intelectual seduziu Brian Wilson, que o conheceu em 1965 e o convidou para colaborar consigo na obra-prima, nunca editada, “Smile”. Mas Van Dyke Parks já construíra antes uma reputação, tanto como compositor e arranjador de méritos reconhecidos como por uma excentricidade e megalomania que funcionaram na sua música como uma espada de dois gumes, entre o génio e o “kitsch”. Uma canção sua, “High Coin”, foi interpretada por artistas tão díspares como Bobby Vee e os West Coast Experimental Band.
“Song Cycle” constitui o álbum de estreia de Parks, gravado em 1967 logo a seguir ao abortado “Smile”. É, para todos os efeitos, um clássico, repleto de canções pop com arranjos bizarros e colagens de toda a espécie, que inclui versões de temas de Randy Newman (“Vine Street”) e Donovan (“Colours”, embora na ficha técnica, apareça mencionado como “Donovan’s colours…). Possuidor de uma visão orquestral com raízes em Gershwin e Cole Porter, a par de um lado hollywoodesco (em particular marcado por “Tin Pan Alley”, um musical dos anos 40), Van Dyke Parks elabora aqui orquestrações de extrema complexidade e requinte que fazem da alucinação psicadélica um sintoma de luxo.
A ausência total de reconhecimento público deste disco provoca uma interrupção na carreira a solo de Parks, que regressa à produção, assinando trabalhos de Ry Cooder, Randy Newman e Arlo Guthrie, além de uma participação como músico de estúdio, em órgão Hammond B-3, em “fifth Dimension”, dos Byrds. Entre outras colaborações mais ou menos à altura da sua excentricidade, Parks toca com Jack Nitzsche e Judy Collins e faz arranjos para Tim Buckley.
“Discover America” aparece no mercado quatro anos depois de “Song Cycle”, em 1972. As canções continuam a evidenciar uma construção que foge aos lugares-comuns da pop, mas o álbum sofre de excessiva influência da música calipso e das “steel drums” das ilhas de Trindade e Tobago que moldaram para sempre o ouvido e a veia criativa de Van Dyke Parks.
Com “Clang of the Yankee Reaper” a originalidade do compositor já se acomodara a parâmetros e a meios de gravação mais convencionais. A presença dos sintetizadores nivela as canções por baixo, não fazendo esquecer as orquestrações surrealistas e a escolha inusitada de instrumentação acústica que caracteriza os dois primeiros ábuns. Mantêm-se as sonoridades tropicais, mas agora enquadradas numa visão “mainstream” que viria a acentuar-se ao longo de toda a obra posterior do compositor. Hoje, Van Dyke Parks continua a ser um nome respeitado e um orquestrador e arranjador requisitado que tanto é capaz de participar num álbum de Kate Bush, como voltar a colaborar com Brian Wilson (no álbum “Orange Crate Art”), ou ser reconhecido como influência de um mestre do pós-rock como Jim O’Rourke. As presentes reedições são remasterizadas e incluem temas extra.

Vladislav Delay – Vapaa Muurari Live

10.11.2000
Vladislav Delay
Vapaa Muurari Live (7/10)
Force-Inc. Music, distri. Ananana

vd_vaapamuurarilive

LINK (Parte 1)
LINK (Parte 2)

Em paralelo com o projecto de house sob o pseudónimo Luomo, Vladislav Delay mantém uma produção consistente nas áreas da electrónica experimental, em álbuns como “Multila”. Assinando com o seu verdadeiro nome, K. Uusitalo, o finlandês procede em “Vapaa Muurari Live” a uma extensão electro de ressonâncias tecno de outro dos seus trabalhos anteriores, “Entain”, que era marcado pelo ambientalismo. Gravado ao vivo, embora a sofisticação da gravação faça esquecer o facto, “Vaapa” progride como um único tema – hipnótico, minimalista e viciante, por vezes com o mesmo tipo de insistência rítmica de um Thomas Brinkmann. A utilização de samples culmina com a voz de Nicole Kidman no filme “Eyes Wide Shut”, tratando-a Delay de tal forma que a faz soar como a “prostituta cósmica” Gilli Smyth nos… Gong!