Arquivo mensal: Junho 2009

Schlammpeitziger – Augenwischwaldmoppgeflöte (conj.)

29.09.2000
Brincamos!
Schlammpeitziger
Augenwischwaldmoppgeflöte (7/10)
a- Musik, distri. Ananana
Fumble
Fumble (6/10)
Karaoke Kalk, distri. Ananana

schlammpeitziger_augenwischwaldmoppeflote

LINK (Spacerockmountainrutschquartier – parte 1)
LINK (Spacerockmountainrutschquartier – parte 2)

“Jo Zimmerman é um músico bem disposto e disposto a pôr-nos bem dispostos”, afirma, bem disposta, a distribuidora. Jo Zimmerman, aliás Schlammpeitziger, depois do singelamente intitulado “Spacerockmountainrutschquartier”, tornou-se em definitivo o rei da Clusterlândia. Volatando a apostar num título curto e incisivo, como “Augenwischwaldmoppgeflöte”, Jo prova uma vez mais o seu gigantesco talento para a construção de máquinas de Flipper do fabricante “Moebius & Roedelius” que, uma vez ligadas, são impossíveis de desligar. Nunca a electrónica provocou tamanho rornronar, poucas vezes deu tanta vontade de saltar para o carrossel, raramente os sintetizadores se enfeitaram com as cores do Carnaval como neste “Augenwischwaldmoppgeflöte”. Tudo neste álbum afasta a depressão e os ceís mais carregados de projectos – apesar de tudo não tão distantes como isso dos Schlammpeitziger – como FX Randomiz, Schnitstelle ou Schneider TM. Não é música boa para fazer ginástica mas serve na perfeição para fazer massagens. Mas apetece perguntar ao senhor Zimmerman até que ponto as suas citações aos mestres se aproximam, nalguns casos, da cópia. “Restwasserstveigebettel” e “Beingodick” são postais “DeLuxe” dos Harmonia, o que significa que Jo se afastou aqui um bocadinho dos Cluster. Só um bocadinho, se ouvirmos “Klapperhofohkester” e compararmos com “Sowiesoso”. Na maior parte do tempo, porém, é “Zuckerzeit” a funcionar. Os Kraftwerk, como não podia deixar de ser, aparecem citados de “Ralf and Florian” em “Wimmweltbestaubung” (estes títulos, não garanto que estejam bem escritos, e também já me irritam um bocadinho). A brincar, a brincar, com os Mouse on Mars, Kreidler, B. Fleishmann, Isan, Pluxus ou Nova Huta, os Schlammpeitziger encontraram a estrada dos tijolos amarelos (ou, já agora, o submarino amarelo) da lectrónica para o grande “smile”. Mas, já agora, não podiam brincar a outra coisa senão aos Cluster?
Comparados com isto, os Fumble, alter-ego de Jens Massel, são um tratado de estruturalismo. Coisa para franzir o sobrolho. Envolvido em outros projectos como Senking, Kandis e Genf, Massel prova com “Fumble” as suas aptidões de designer que sabe cozinha o “dub” e a electrónica fria dos Oval (digamos Mouse on Mars congelados) como ementa de salão de baile para disléxicos, ou de programador competente de ruídos digitais a fingir de tribais, muito Mille-Plateaux, mas os compartimentos onde o seu cérebro habita visitam-se durante alguns minutos, aprecia-se o rigor do volume e da cor, para se chegar à conclusão de que lá fora se está melhor. Provavelmente a ouvir “Augenetcvejamláseparaapróximaencurtamestamerda”. É Schlammpeitziger, ninguém leva a mal.

The Dylan Group – Ur-Klang Search

05.05.2000
The Dylan Group
Ur-Klang Search (7/10)
Bubble Core, distri. Symbiose

thedylangroup_ur-klang

LINK

Poderia passar pelo título de um novo ensaio de Julian Cope sobre o krautrock mas acabam aqui quaisquer comparações que possam ser feitas entre este novo trabalho dos Dylan Group e a música alemã dos anos 70. “Ur-Klang Search” é a continuação, em termos sónicos e conceptuais, do anterior “More Adventures in Lying Down”. Mas o grupo evoluiu e a sua música tornou-se uma deliciosa tarte de vibrafones em que o easy-listening, as lições de Steve Reich (de “Six Marimbas”), o pós-rock e, no último tema, “Julito’s eye”, um sabor latino, se combinam de uma maneira que dá gosto ouvir. “Avila”, tema de abertura de “Ur-Klang Search”, começa com uma irresistível sequência de vibrafone que fará as delícias de quem aprecia coisas como o grupo de percussões contemporâneo Amadinda, Gong (de “Gazeuse” para a frente, com Pierre Moerlen ao comando), ou o “Floating World” do percussionista japonês Stomu Yamashita, antes de se firmar num compasso duro típico do pós-rock. “Running pairs” junta mais percussões de cristal com um órgão “fuzz” que faz pensar na importância crescente, para as novas correntes de pop ambiental, de um músico como o teclista sueco Bo Hansson (citado, por exemplo, no divertido disco dos seus compatriotas Pluxus). Faltará apenas a este “Ur-Klang Search” o mesmo que já faltava a “More Adventures…”: alguma falta de focagem e uma capacidade de síntese que decerto faria reduzir a duração da maior parte dos temas. Mas a imponderabilidade (levitem ao som de “D/A 3” aqueles que já haviam ascendido com “The Other Side of This”, de Airto Moreira) e os sorrisos rítmicos do vibrafone (sempre no centro das operações) justificam por si só o gozo que a audição deste Ur-Klang Search” proporciona.

Vários: DJ Morpheus – In My Bag

29.09.2000
Vários
DJ Morpheus – In My Bag (7/10)
SSR/Crammed, distri. Megamúsica

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LINK (DJ Morpheus Present I Can’t Live Withou My Radio – 2005 -)

DJ Morpheus, aliás Sammy Birnbach, ex-Minimal Compact, banda israelita dos anos 80 na qual pontificava igualmente Malka Spiegel, enfiou no saco algumas das músicas utilizadas no seu desempenho de dj. Trata-se, pois, de uma compilação na qual a intervenção de DJ Morpheus se limitou a um trabalho de selecção, porventura esclarecedor do ecletismo do seu gosto musical. Em “In My Bag” cabem diversas tendências da música de dança, da house ao tecno, do hip-hop ao drum ‘n’ bass, servidas por uma prensagem musculada que põe em relevo todas as potencialidades da artilharia sónica utilizada. A costela étnica que sobressaía dos Minimal Compact, ressurge nas faixas de Layo & Bushwacka! (“Kusekhaya”, na linha dos Trance Mission) e Nubian Mindz (“Black Science”, remisturado por Restless Soul) mas os meus temas favoritos são a sequenciação do som de bolas de ping-pong dos Computer Jockeys, em “Ping Pong”, o jazz-funk de Pablo, em “Roll call: 7am”, o tema de D & B de Sanasol (“Eggjandi”) e, o mais irresistível de todos – ah, mas este tipo resolveu dar cabo da minha reputação de inimigo nº 1 da música de dança! – assinado por Thomas Brinkmann com o alter-ego Soul Center, um exercício de tecno-funk minimal composto de proósito para a voz-fantasma de James Brown. Lá voltou a minha casa a transformar-se em discoteca…