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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #145 – “Van Der Graaf Generator (César Laia)”

#145 – “Van Der Graaf Generator (César Laia)”

Fernando Magalhães
18.01.2002 180610
quote:
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Publicado originalmente por César Laia
Olá Fernando!

Hoje estou triste, abri o Y e não tive nenhuma sugestão do Fernando para queimar uns Euros 🙁
Não há praí umas novidadezinhas para ouvir? 🙂

César
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Quem são os Van Der Graff Generator?

Bom…quanto a textos meus, de facto tenho estado concentrado num grande texto para o diário, sobre toques musicais de telemóvel (lado lúdico, aspetos legais, etc…)…

Sugestões…talvez…deixa-me ver… Ah, sim, existe um álbum excelente dos Mr. BUNGLE, chamado “California”. Conheces?

Agora a sério: Nos últimos dias (noites…) tenho dedicado algum tempo à “purificação” da minha coleção de discos, cuja extensão ameaça de novo invadir espaços domésticos menos indicados para o efeito.

Curiosamente, um dos efeitos das frequentes visitas ao “o vendedor” que tenho feito ultimamente, tem sido o de voltar cada vez mais para o jazz, por um lado, e para a música eletrónica “mais clássica” (contemporânea), por outro sem descurar, claro, a conclusão do imenso puzzle dos anos 60 e 70.

Tenho ouvido coisas extraordinárias: DAVID MURRAY, McCOY TYNER, DAVE HOLLAND, os primeiros JOHN SURMAN (para a Decca) ou, numa área mais de fusão, o poderoso “(Turn it over)” de TONY WILLIAMS LIFETIME.

Na eletrónica mais “rock” e recente volto a destacar “Void in”, do russo ANDREI SAMSONOV, uma verdadeira “sinfonia” digital/analógica de extraordinária inventividade e densidade emocional.

Para os lados da “estética Recommended” (em particular na vertente “rock de câmara”), escrevi sobre o mais recente dos belgas PRESENT (“High Infidelity”) – King Crimson + Magma + jazz + música de câmara + um ambiente soturno de cortar à faca.

Há centenas de obras inclassificáveis com que tu e grande parte dos forenses iriam provavelmente delirar.
O problema passa, precisamente, pela quantidade e pelo excesso de informação. A angústia de querer divulgar tudo o que acho que vale mesmo a pena e não ter tempo para o fazer.

Uma lista? Exaustiva? Seria uma hipótese… Quem quisesse, poderia lançar questões sobre este ou aquele álbum particular. Onde se pode encontrar, qual o género (de definição sempre subjetiva, mas…), contexto histórico, et, etc, etc

saudações

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #136 – “Discos que rodaram ontem (MárioZ)”

#136 – “Discos que rodaram ontem (MárioZ)”

Fernando Magalhães
02.10.2002 170559
Ainda me faz uma certa confusão estar a falar contigo com tanto à vontade sobre o PH… : D

Não há dúvida que te tornaste num verdadeiro “Hammill addict” (há milhares, espalhados um pouco por todo o lado, para quem o músico e o grupo são uma espécie de religião).

O tipo, além de ser um músico e um poeta genial, tem uma cultura impressionante. Sabe de filosofia, poesia, religião e (só há puco tempo soube isto, no artigo de 14 págs. sobre os VDGGG que saiu recentemente na Mojo) fala fluentemente…8 línguas!

Ah…além do Coltrane, o PG cita mais alguns dos seus “heróis” no tal artigo da Mojo, incluindo compositores clássicos.
Lembro-me que, no início de carreira, também costumava mencionar a sua predilção pelos…AMON DUUL ” e pelos MAGMA (estes últimos, uma banda que talvez constitua para ti outra “revelação”).

saudações hammillianas

FM

PS-Ainda na Mojo, ele define a sequência final do “In Camera”, “Magog (in bromine chambers)”, como “música concreta”. E então aquela voz que se faz ouvir no meio desse tema (e que por acaso nem é do PH…), é de gelar a alma! Arrepiante! O fim da humanidade!…

FM

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #134 – “Peter Hammill info, please (MárioZ)”

#134 – “Peter Hammill info, please (MárioZ)”

Fernando Magalhães
24.09.2002 150359
Ok, com prazer.

Em termos de som, a coisa está um nadinha melhor do que com os VDGG.

Mesmo assim, no caso da obra-prima e melhor disco a solo do PH (que equiparo, em qualidade, ao “Pawn Hearts”), “In Camera” (1974), a gravação está longe da perfeição. Mas a música dá para impressionar, mesmo assim.

Além do “In Camera”, são excepcionais, em registos diferentes:

– Chameleon in the Shadow of the Night (73)
– The Silent Corner and the Empty Stage (74)

(os 2 anteriores a “in Camera”, ao quais se poderá juntar a o álbum de estreia, um primor de pureza e idealismo, “Fool’s Mate”, 71)

– Nadir’s Big Chance (o disco “punk”, 75)

– Over (um dos maiores discos de baladas de sempre, 77)

– The Future Now (78) + PH7 (79) + A Black Box (80) – a “trilogia” electrónica a “preto e branco”.

Os discos dos an0s 80 são muito bons, sem dúvida, mas serão talvez demasiado standartizados, estilo “PH vintage”, sem grandes surpresas.

Os anos 90 valem a pena por:

– “Out of Water” (90, sempre a crescer nas minhas preferências, estranho)
– Fireships (92)
– Roaring Forties (94)
– Xmy Heart (96)
– Everyone you Hold (97)
– This (98)
– None of the Above (2000)

Há mais, claro…

E tens as 2 versões (de 1991 e 1999) da ópera “The Fall of the House of Usher”, inspirada no conto homónimo de Edgar Allan Poe…

saudações hammillianas

FM

PS-Não tenho tempo para notas mais detalhadas sobre cada disco, pelo menos por agora (3 páginas de Rolling Stones p/ escrever p/o Y…)

Fernando Magalhães
24.09.2002 231105
Er…dos anos 90, para fazer distinções,teria que os ouvir de novo – mas são todos bons! 😀

Quanto aos restantes álbuns que cito, pertencem todos à linha “Hammill hardcore”, para usar o teu termo.
“Chameleon…” e “The Silent Corner…” estão muito na linha dos VDGG, mais progressivos e diversificados, alternando baladas (sobre a infância, a religião, a solidão..) com divagações de space rock e delírios cósmico-existenciais.

“Nadir’s…” é rock, à maneira dele, claro! 😀

Mas tenho ideia de que serás, para já, sobretudo sensível à tal trilogia formada por The Future Now, PH7 e A Black Box.

Quanto ao “In Camera”, recomenda-se não seguir demasiado perto quer a música quer os textos, sob pena de graves danos na sanidade mental. “Tapeworm” é o rock de um deus. “Gog”/”Magog (in bromine chambers)” a BSO do Apocalipse-numa-pessoa-só! Terrível e grandioso.

FM