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Top 10 de álbuns de “covers”

26.01.2001
Top 10 de álbuns de “covers”
“It´s Like These” insere-se na tradição de álbuns de “covers”. Aqui ficam alguns dos mais representativos.

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Jean-Luc Ponty
King Kong, blue Note, 1970
“Virtuose” do violino electrificado, ginasta do jazz de fusão, herdeiro de Grappelli, Ponty deu novo rosto instrumental ao papa dos Mothers of Invention, reinventando o humor de “Idiot Bastard son” e “Twenty small guitars”, ou alinhando em cumplicidade com o mestre, em “Music for Electric Violin na low budget orchestra”.

David Bowie
Pinups, EMI 1973
O camaleão ainda arranjou tempo para vestir a pela dos seus heróis, travestindo “See Emily Play”, de Syd Barrett, “I Can’t Explain”, de Townshend ou “Where have all the good times gone”, de Ray Davies.

The Residents
George and James, Ralph 1984
Os amantes da soul, se pudessem, davam-lhes um tiro. Os da música clássica, enforcavam-nos. Os “criminosos” são os Residents, e o crime foi o massacre de James Brown e Gershwin, no primeiro volume de uma série dedicada a compositores americanos deste século.

Marianne Faithful
Strange Weather, Island 1987
Resultou do encontro mágico entre a produção de Hal Wilner e uma voz do fundo da noite. Tom Waits e Bob Dylan sangrados. E os extremos de uma ressurreição sempre incompleta, entre a ferida de “As Tears Go By” e o despojamento sem esperança de “Boulevard of broken dreams”.

Steve Beresford
L’ExtraordinaireJardindeCharlesTrenet, Nato 1988
Do jazzman e lunático Steve Beresford tudo se espera. Mas foi na editora-anedota Chabada que o inglês soltou o humor nonsense e o amor pelas variedades, em particular a “chanson française”, num disco sorridente que levou ao colo as canções de Trenet.

Pascal Comelade
El Primitivismo, les Disques du Soleil e de l’Acier, 1988
Tudo em que toca fica em cacos. E é ao juntar os pedaços com a cola da memória que a música se transforma num brinquedo. Aqui remonta alguns dos seus preferidos: Stones, Wyatt, Nino Rota e Chuck Berry.

Mary Coughlan
Uncertain Pleasures, Eastwest 1990
Uma das mais sensuais vozes da actualidade, a irlandesa Mary Coughlan desfiou álbuns de “covers”, qual deles o mais brilhante. “Uncertain Pleasures” distingue-se pela arrebatadora versão de “Heartbreak hotel”, de Presley, subindo ao cume em “The little death”, dos Boomtown Rats, feito standard de jazz.

Mathilde Santing
Carried Away 1991
Todd Rundgren, Roddy Frame e os Doors contam-se entre os autores de “Carried Away”, veículo para a voz desta holandesa cultivar a arte da elegância. Com a meticulosidade da coleccionadora e o apuro da designer.

Urban Turban
Urban Turban, Resource 1994
Para os suecos Urban Turban, dar lustro a uma canção é esfregá-la com o desregramento. Sarcasmo, rock & roll e sanfonas, numa variante das barbaridades folk dos compatriotas Hedningarna. “Voodoo Chile”, de Hendrix, e “Let’s work together”, dos Canned Heat, caíram que nem ginjas nas mãos dos iconoclastas.

Joni Mitchell
Both Sides Now, Reprise 2000
Uma das damas da pop deste século, na sua primeira incursão no universo das “covers”. Canções sobre o amor, numa paleta interpretativa que vai do recolhimento à orquestração majestosa das emoções. “Standards” na sua acepção mais nobre, de modelos a seguir.

Pascal Comelade – Swing Slang Song (self conj.)

15.09.2000
Pascal Comelade
Swing Slang Song (6/10)
September Song (8/10)

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LINK (Danses Et Chants De Syldavie – 1993)

Les Disques du Soleil et de l’Acier, distri. Megamúsica
Singles de 70 minutos, álbuns duplos de 10 minutos, nunca se sabe o que passa pela cabeça deste francês que não nasceu na França quando resolve editar discos. Acabaram de sair mais dois, deste maníaco dos instrumentos de brinquedo que gosta de fazer versões de canções recolhidas de todas as décadas para as despedaçar com o empenho de uma criança mimada. “Swing Slang Song” (oito canções, 16m27, o título tema é uma variante de uma canção dos Can, “Sing Swan Song”…) soa, porém, um bocado desconjuntado, de pouco servindo a consistência vocal de P. J. Harvey em “Love too soon” e as duas dedicatórias, a Ornette Coleman e a Kevin Ayers, num disco que não impressiona só por saber fazer beicinho. Do naipe de compositores de “September Song” (digipak, sete canções, 19m27) fazem parte Adriano Celentano (“24 mila baci”), Toto Cotugno (“L’Italiano”), Bob Dylan (“Knockin’ on heaven’s door”) e Robert Wyatt. Este último, além de cantar de forma superlativa e pungente no título-tema, assinado por Kurt Weill, viu ainda incluído um estranho instrumental da sua banda Matching Mole (“Signed curtain”, do álbum “Little Red Record”) aqui interpretado ao piano pelo “francês”. Comelade volta a fazer funcionar neste seu novo embrulho de nostalgia a sua táctica pessoal, através da qual consegue fazer-nos habitar os seus universos de pé-quebrado. Além dos habituais brinquedos, Comelade toca sintetizador Moog, o que não acontecia desde o magnífico “Détail Monochrome”, e uma “anti-techno orchestra”. Dylan devia ainda agradecer-lhe ter transformado uma canção sua em algo hilariante. Convidem o homem para “Os Reis da Música Nacional”!

Pascal Comelade – Live In Lisbon (conj.)

04.02.2000
Pascal Comelade
Live In Lisbon (8/10)
Pascal Comelade & Richard Pinhas
Oblique Sessions II (7/10)
Les Disques de L’Acier et du Crépuscule, distri. Megamúsica
Pascal De Lisboa Para O Pinhal

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pwd: musicresponsibility

“Live in Lisbon” foi gravado ao vivo em… adivinharam! Em Lisboa! Mais precisamente a 25 de Junho do ano passado no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, com a Bel Canto Orquestra. Há mais três temas gravados em Barcelona mas é como se não contassem. O álbum é muito nosso. Pascal mostrou estar em grande forma nessa ocasião, como atesta a qualidade deste álbum no qual a faceta “música para brinquedos” não asfixia um lado mais “adulto” (que não menos onírico) como acontece no já “standard” comeladiano, “L’Argot du brui”, um tango dengoso e surreal que é uma súmula do universo deste músico catalão. Igualmente familiares soam as inspiradas versões de “Sunny afternoon”, dos Kinks, “Smoke on the Water”, dos Deep Purple (patética, o que nele é um elogio), “All tomorrow’s parties”, dos Velvet Underground (bastante velvetiana, por sinal), “Honky tonk woman” dos Stones (em ritmo mariachi) e, a comprovar o ditado que diz que “em Roma sê romano”, uma rendição pianística de “Grândola Vila Morena”, de José Afonso. Uma noite de folia e nostalgia por um Comelade em estado de graça. Comelade tem sempre graça, aliás…
Ou quase sempre. Com Richard Pinhas, antigo guitarrista e manipulador de electrónica dos Heldon, o caso muda de figura. Num segundo volume de “sessões oblíquas” que torneiam a discrição Enoiana – aqui materializada numa versão andróide de “Here come the warm jets” – onde Comelade, além dos instrumentos de plástico, toca piano de cauda e órgão electrónico e Pinhas, guitarra eléctrica. Neste caso a música é tensa, acumulando ambientes minimais e opressivos, em diálogos, nem sempre ricos de significado, entre a intuição “naif” de Comelade e as “Pinhatronics” cerebrais do francês no que pode ser considerada uma conversa entre um gafanhoto e um elefante. Pinhas arde. Comelade por pouco não se quebra em pedaços, esmagado pelo ex-Heldon. Umas vezes soa como um ensaio dos Faust. Noutras a poesia desce aos solavancos, nas asas de um anjo de papel de seda e alumínio, como em “Krafft-ebbing et les coupleurs de nattes”. Dois loucos em acção.