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Baka Beyond – “Spirit Of The Forest”

pop rock >> quarta-feira >> 12.01.1994
world


Baka Beyond
Spirit Of The Forest
Hannibal, distri. MVM



Projecto de Martin Cradick, dos Outback, e da sua mulher Su Hart, baseado na música dos pigmeus Baka, habitantes da floresta que se ergue na fronteira entre os Camarões e o Congo, quando da estada dos dois nesta região, em 1992. “Spirit of the Forest” é constituído por temas compostos por Cradick, embora com base na música dos pigmeus, versões de composições dos Baka ou simplesmente música inspirada na própria floresta. Cradick editou, em paralelo com este, um segundo disco contendo somente sons da floresta, sem qualquer tratamento adicional.
Em “Spirit of the Forest”, Cradick juntou “samples” de percussões, uma guitarra e um bandolim às vozes gravadas “in loco” de músicos pigmeus e ao violino e flauta de Paddy Le Mercier, o único convidado ocidental. Desta convergência de sons e atitudes resultou um típico álbum de fusão que alterna um ritmo quase sempre irresistível, como no imparável “The man who danced too slowly”, com as sonoridades da guitarra e do bandolim, quase ao estilo de um Júlio Pereira africano. “Bounaka” é outro ponto alto da reunião, uma celebração do espírito da floresta personificada na voz colectiva de Cradick, Su Martin, Bounaka e o coro dos pigmeus Baka, com “samples”, violino, pífaro, guitarra, bandolim e uma kora. Música de dança, para o corpo e para o espírito. (7)

Baka Beyond – “The Meeting Pool”

Pop Rock

25 de Outubro de 1995
Álbuns world

Baka Beyond
The Meeting Pool

HANNIBAL, DISTRI. MVM


bb

Martin Cradick tem uma fixação nos pigmeus “baka” e na sua música. Todo o projecto Baka Beyond gira em torna dessa espécie de iniciação nos segredos da gente pequena dos Camarões. Encetada com “Spirit of the Forest”, nas suas duas versões, uma com assinatura do grupo, outra com registos naturalistas do som da selva e dos pigmeus, a aventura prossegue aqui com maior incidência nos arranjos electrónicos e nas programações rítmicas. Por outro lado, a matriz geográfica universalizou-se. O rio de influências desagua tanto na música e nos intérpretes do Uganda e do Senegal (através do descendente de “griots” Sagar N’Gom, companheiro de Cradick nos Outback), como num pueril exercício de “celtismo”, personificado pela voz de Kate Budd e o violino de Passy LeMercier. A instrumentação estende-se dos tambores de água ao “didgeridoo” e à gaita-de-foles dos Balcãs. As vozes dos pigmeus permanecem, mas a música já pouco ou nada tem que ver com a fonte da floresta que lhe deu origem. Disco típico de fusão, “The Meeting Pool” constitui um bom exemplo de como meter a foice em seara alheia sem causar estragos nem provocar vergonhas de maior. Alternativa “ultra light” para as operações de maior envergadura de uns Lights in a Fat City, nas margens mais pacíficas do “quarto mundo”, capaz de trazer para a “causa” um número razoável de novos aderentes. (7)