Arquivo da Categoria: Electrónica

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #179 – “Re-audições”

#179 – “Re-audições”

Re-audições
Fernando Magalhães
Mon Jun 18 15:43:20 2001

Definitivamente, não consigo gostar do novo dos AUTECHRE. Massacrante. Chato. Uma orgia de breakbeats inúteis.
Mesmo tal tema nº 9 que me pareceu de inídio interessante (só tinha ouvido os primeiros minutos…) descamba na tal sessão de epilepsia breakbeatica sem nexo que o Mário já por aqui tinha referido.

Já em relação ao novo da/o ESTER NRINKMANN, altero a minha impressão inicial. O disco é extremamente interessante, tirando partido da fonética do italiano e de uma subtil reavaliação da electrónica minimalista cultivada pelo mesmo músico, enquanto THOMAS BRINKMANN.

Da colectânea (3 CDs) “Clicks & Cuts 2” salva-se pouca coisa: um divertido tema de VLADISLAV DELAY e mais uma lição de originalidade + electrónica lúdica + tortura sónica inteligente (as três juntas!!!) dada pelos DAT POLITICS, a fechar a antologia. O resto (e este resto inclui gente como Thomas Brinkmann, Snd, Fennesz, Matmos…) afunda-se numa massa sonora indistinta que poderia perfeitamente ter sido produzida por um único e mesmo músico!!!

FM

The Orb – “Adventures Beyond The Ultraworld”

Pop-Rock Quarta-Feira, 18.09.1991


THE ORB
Adventures Beyond The Ultraworld
2xLP / CD, Big Life, distri. Polygram



Alex Patterson é o cérebro alucinado do projecto The Orb, expoente ambíguo da corrente “ambiente house”, aqui em perfeito desvario, numa colagem insana que projecta o ruralismo espacial dos KLF para as pistas de dança. Contando com a colaboração de músicos tão afastados como ex-membros dos Killing Joke e dos Berlin, ou o antigo guitarrista dos Gong, Steve Hillage, “Adventures…” flutua num universo de imponderabilidade, assombrado por fragmentos de música e de história, conceitos aqui despojados de sentido. Títulos como “Supernova at the end of the universe” remetem de imediato para os Pink Floyd (a capa retoma a fotografia de “Animals”), e para planâncias subitamente na ordem do dia: “Star 6 & 789” reinventa a música dos Neu; “A huge ever growing pusating brain, etc..” dir-se-ia uma samplagem, nota a nota, dos sequenciadores dos Tangerine Dream de “Phaedra” e “Rubycon”; “Spanish castles in space” deve tudo a Brian Eno (com o qual Alex, um auditor atento da série “Obscure”, trabalhará num projecto futuro). Arthur Russell e as suas reverberações fantasmáticas, a On-U Sound, os “astro-reggae” tribal, a pop electrónica dos New Musik e o canto gregoriano à maneira dos Enigma são outras peças detectáveis num “puzzle” destibado a povoar os sonhos de astronautas à deriva no espaço. No espaço tudo é permitido. Tudo é ilusão.
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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #178 – “Plaid, Autechre, Squarepusher”

#178 – “Plaid, Autechre, Squarepusher”

Plaid, Autechre, Squarepusher
Fernando Magalhães
Wed Jun 13 18:57:22 2001

PLAID: “Double Fugure” – Bastante interessante. O termo “funny electronics” deve ser substituído por “no romantismo” ou “hedonismo electrónico”.
Há elementos dos Isan, B. Fleischmann, o costume, mas os Plaid possuem uma vertente pop (perdão, poplítea…) que lhes confere um encanto adicional.
Pena que as ideias se comecem a esgotar mais ou menos a meio do disco (70 min.).
Tivesse o CD metade da duração e mereceria um 8/10 sem reservas… Assim fico-me pelo 7/10.

AUTECHRE: “Confield”. O discos mais frio e sem alma que ouvi nos últimos tempos. Deixou-me indiferente. Cerebral, sem dúvida, construído como um mecanismo de relojoaria, mas prazer de audição, confesso que não tive. Gostei principalmente da faixa 9, aquela que me pareceu animada de alguma vida… 6,5/10

SQUAREPUSHER: “Go Plastic”. Excelente disco de habilidades, puro número de circo. Squarepusher é um tecnicista do d & b e outras modalidades de dance music, mais ou menos abstractas, mas parece faltar ao disco um fundamento, algo de sólido que não se esgote no mero exibicionismo formal. Bom disco para passar em discotecas elitistas )))). 6,5/10