Steve Shehan – “Indigo Dreams”

pop rock >> quarta-feira >> 24.01.1996


Steve Shehan
Indigo Dreams
KVOX, IMPORT. CONTRAVERSO



Num concerto realizado, no ano passado, na “selva” da Estufa Fria, onde Michel Redolfi desbaratou parte da sua reputação, chamou a atenção um percussionista que deverá ter posto as mãos para aí numas centenas de instrumentos. Era Steve Shehan, a quem se deve um dos melhores discos da Made to Measure, “Arrows”, e um dos melhores discos de “fusão” dos últimos tempos – “Assoul” – com o alaudista árabe Baly Othmani. “Indigo Dreams” vem na linha de “Arrows”. Como neste disco, Steve Shehan toca uma quantidade monstruosa de instrumentos, pedindo ainda ajuda extra a músicos das mais diversas proveniências geográficas, na tentativa de satisfazer as suas ânsias de universalismo absoluto. Há aqui de tudo um pouco e a boa notícia é que, em vez de uma salada de bijuteria exótica, encontramos uma síntese viva, com cabeça, tronco e membros, verdadeiramente digna de que se lhe chame “nova música do mundo” ou “música do novo mundo” ou outro nome qualquer sinónimo de prazer sem preconceitos nem fronteiras. Cânticos religiosos, percussões sampladas, re-sampladas ou simplesmente tocadas em tempo real (o que significa pouco ou quase nada, já que “tempo” e “realidade” se tornam, neste caso, conceitos mais subjectivos do que nunca…) esquematizam uma Ásia, uma África ou uma Europa que nunca existiram senão na imaginação. Esqueçam-se os mais recentes esforços de Hector Zazou, Steve Shehan vai já alguns sons à frente. A verdadeira “new age” começa aqui e sonha-se em Indigo. (8)

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