Arquivo mensal: Fevereiro 2024

Sharon Shannon – “Sharon Shannon”

pop rock >> quarta-feira >> 12.05.1993
WORLD


Sharon Shannon
Sharon Shannon
CD Solid, import. VGM



Alegrem-se os fanáticos do acordeão! “Perpetual Motion”, de Mairtin O’Connor, encontrou um contendor à altura. E de saias. Chama-se Sharon Shannon e foi antiga companheira de Mike Scott nos Waterboys. Agora atirou-se de caras, botões e fole à música tradicional e o resultado é um espanto. À semelhança de “Perpetual Motion”, o álbum de estreia da senhora é um autêntico “tour de force” do acordeão. Sharon vai, de coração aos pulos e sensibilidade à flor da pele, dos tradicionais irlandeses ao “cajun” do Louisiana, passando por um corridinho (adulterado para “coridinio”) algarvio. É possível escutar ainda um tema dos canadianos La Bottine Souriante, um “reel” oferecido por outro “virtuose” do acordeão, o escocês Phil Cunningham, dos Silly Wizard e uma versão de “Music for a fond harmónium”, dos Penguin Café Orchestra – tema que parece ter caído no goto da gente da folk (de memória, recorda-se as versões dos Patrick Street e dos Matto Congrio). Técnica assombrosa, variedade de ritmos e ambientes, entre os quais um explosivo “The munster hop”, escrito durante uma digressão dos Waterboys, fazem deste álbum homónimo da acordeonista – e, nalguns temas, violinista – um autêntico manjar. Para tal contando ainda com uma lista de convidados de luxo, onde pontificam os nomes de Donnal Lunny, cujo “bouzouki” rubrica, em “Tickle her leg”, uma conversa de sonho com o acordeão, Tommy Hayes (percussionista “sui generis” que, no seu muito recomendável álbum a solo “Na Rás”, alinha os tradicionais irlandeses a John Coltrane e Paco de Lucia), Gerry O’Beirne (ex-Patrick Street, Skylark, La Lugh) e Mike Scott. (8)

Eilidh MacKenzie – “Eideadh Na Sgeulachd”

pop rock >> quarta-feira >> 12.05.1993
WORLD


Eilidh MacKenzie
Eideadh Na Sgeulachd
CD Temple, distri. MC – Mundo da Canção



Especialista (mais uma) do canto gaélico na Escócia, Eilidh MacKenzie vem juntar-se, entre outras, a Catherine Ann-McPhee, Christine Primrose e Flora MacNeill, apresentando uma voz mais aguda do que é habitual e absolutamente “pura”, despojada da mínima rugosidade. Tanta pureza, contudo, poderá desagradar a quem procura no canto feminino mais do que uma interpretação tecnicamente perfeita da tradição. Dito de outro modo: falta à jovem Eilidh uma ponta de dramatismo, o que talvez justifique a inclusão neste disco de apenas um tema “a capella”, e não chega a ser compensado pelo bom desempenho instrumental, a cargo de alguns músicos dos Battlefield Band – Dougie Pincock, John McCusker, Iain McDonald e Alan Reid – e, num par de temas, da harpista Alison Kinnaird. (7)

Aiga Linda – “Chants Et Musique Des Valées Cévenoles Et Du Mont Lazère”

pop rock >> quarta-feira >> 12.05.1993
WORLD


Aiga Linda
Chants Et Musique Des Valées Cévenoles Et Du Mont Lazère
CD Revolum, distri. Megamúsica



De quando em quando aparecem discos que rompem a hegemonia das hostes celtas. É o caso destes estranhos Aiga Linda – um dos nomes mais interessantes da editora Revolum, recém-constituída em Portugal e dedicada à divulgação da música da vasta região da Occitânica -, que dão a conhecer, num disco de 1989 mas só agora chegado até nós, a música tradicional do Languedoque, em particular dos vales da região de Cévennes e do monte Lozère, situado alguns quilómetros a norte de Montpellier. São óbvias as parecenças com as tradições musicais da Gasconha, a oeste, e da Provença, a leste. De som mais rude e menos aventuroso que os gascões Perlinpinpin Folc, com quem partilham uma sonoridade cheia e certas características ao nível das harmonias vocais, e menos imbuído da religiosidade que caracterizava os Mont-Jóia, da Provença, os Aiga Linda apresentam uma música que soará familiar aos apreciadores destes dois grupos. A panóplia instrumental é larga: acordeão, flautas, guitarra, percussões, um oboé artesanal típico da região, gaita-de-foles (na versão rústica “musette”), bandolim, saltério, violino e, sobretudo, a sanfona de Hervé Robert, que dá a tonalidade fundamental a estas digressões sonoras por lugares que gostaríamos de conhecer. (8)