Arquivo mensal: Janeiro 2021

Onda Choc -“Cabecinha No Ombro”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 09.12.1992


Onda Choc
Cabecinha No Ombro
LP / MC / CD Sony Music



O título – “Cabecinha no Ombro” – é irritante, as poses dos meninos, na contracapa, também. Mas vá lá, são novos, não sabem o que fazem e a culpa é de quem os mandou fazer macacadas para a fotografia. (Cuidado! A capa mostra, sentados no banco suspeito de um carro de feira, uma miúda de luvas de rede tipo Adelaide Ferreira, ar ingénuo, com a cabecinha encostado a um galã de gravata e suspensórios com pinta de Julian Sands, olhar sabido, à espera do momento para atacar. Jovens, vejam lá isso!)
A música sehue a mesma táctica dos Popeline, Mini Stars, Super Maxi, Cornetto de Limão, Maré Viva, Top Girl e outras bandas juvenis do género, ou seja, versões adaptadas de “hits” estrangeiros, uns mais recentes do que outros, eneste caso “Gloria”, “Everything about you”, “The days of Pearly Spencer”, “Pretty Woman”, “Beautiful Maria of my soul”, e “Guantanamera”. Curiosamente, ainda nenhum dos grupos citados incluiu no pacote uma versão de “A minha sogra é um boi”, um clássico português durante o ano inteiro. (6)

Popeline – “Pensando Em Ti”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 09.12.1992


Popeline
Pensando Em Ti
LP / MC / CD Sony Music



Estreia discográfica dos Popeline, grupo de Lisboa constituído por 11 raparigas de idades compreendidas entre os 10 e os 15 anos e selecionadas do Coro de Jovens Cantores de Lisboa. Mas qualquer um pode entrar para os Popeline, por inscrição e de preferência se tiver um fio de voz, desde que a idade respeite os limites indicados. A criação dos Popeline, diz a editora, “pretende responder ao desejo manifestado por inúmeros jovens de cantarem e dançarem em conjunto, possibilitando-lhes um contacto mais estreito com o mundo da música e do espectáculo durante o tempo em que puderem participar nas actividades, elevando assim o seu nível artístico”. Fora do “tempo das actividades” não há arte para ninguém. “Pensando em Ti” inclui originais “escritos propositadamente para o grupo” e seis versões de “êxitos internacionais” – “L’italiano”, traduzido para português como “Dentro de uma bota”, “Stay” (“Penso em Ti”), “Losing my religion” (“Não me apetece estudar”), “Sympathy” (“Querendo tudo”), “Spanish Harlem” (“Primeiro baile”) e “Shiny happy people” (“Popeline”). Saúda-se a preferência pelos REM e imagina-se Michael Stipe a cantar “Popeline”, vestido de Pai Natal, abraçado às miúdas da banda. Ana Faria, uma “expert” dos discos infantis, compôs os originais. (6)

Ministars – “Ministars”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 09.12.1992


Ministars
Ministars
LP / MC / CD Edisom



Os Ministars são os decanos das bandas jovens e frescas e o orgulho dos respectivos papás e mamãs. São profissionalões, aparecem na capa de fones na cabeça, a ouvir um “take2 com um arranjo mais ousado, vestem na “boutique” Cenoura. Já gravaram não sei quantos discos e estão sempre em cima da jogada, sabendo escolher para o seu reportório uma mistura equilibrada de temas, que vão da música portuguesa mais recente (“Vida de marinheiro”, dos Sitiados, “Sangue oculto” dos GNR, “Não sou o único” dos Xutos e Pontapés / Resistência) aos dinossauros que, por motivos diferentes, deram que falar nos últimos tempos: Madonna (Madonna num disco para crianças!?), com “This used to be my palyground”, Genesis (I can’t dance”), Elton John / George Michael (Don’t let the sun go down on me”) e Queen (“We are the champions”). Completam uma escolha calculista temas de bandas conotadas com a nova pop – Nirvana, Electronic e James.
Não deixam nada ao acaso estes Ministars e quem os produz. Sabem, na fase de reconversão das canções para português, preenche-las com temas que constituem a rotina do jovem estudante, desde a matéria que deveria estar em dia, aos amores e ao vestuário, passando pela recusa em pertencer ao rol das más companhias. (7)