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Stephan Micus – The Garden Of Mirrors

31.10.1997
Stephan Micus
The Garden Of Mirrors (8)
ECM, distri. Dargil

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pwd: newage

“The Garden Of Mirrors” é o 13º álbum deste músico alemão cuja obra se tem vindo a desenvolver, desde o início, na ECM. Passo a passo, de instrumento em instrumento (e, até agora, já se inventariaram 30, usados ao vivo ou em disco pelo músico), Stephan Micus tem vindo a criar uma sonoridade única, marcada pela religiosidade e pelo silêncio. Ora mais próximo do Oriente e do Zen, como em “koan2, “Ocean” ou “Twilight Fields”, ora da música cristã, incluindo as suas várias heterodoxias, como no recente “Athos”, sempre Micus evoluiu no sentido de uma depuração última, na procura da máxima simplicidade com um mínimo de meios. Desta feita a ênfase instrumental é posta na harpa “sinding”, do Oeste africano, continuando uma prática fundamental de Micus, de agarrar na essência de cada instrumento, servindo-o e servindo-se dele numa ascese sem fim. Em “The Garden of Mirrors”, a influência africana do tema inicial dilui-se progressivamente numa série de mantras subtis que tanto se podem manifestar no canto (faceta cada vez mais explorada por Micus) como nas respirações espirituais do “tin whistle”, do sho e do shakuachi. A cada audição percebem-se subtis ordens interiores e articulações inusitadas no modo como Stephan Micus dispõe as moléculas do seu sistema musical. Tudo conflui para a elevação e para a luz. Não é new age. Não é world music. “the Garden of Mirrors” é verdadeiramente um farol a indicar-nos a fonte de todas as músicas.

Stephan Micus – Desert Poems

09.03.2001
Stephan Micus
Desert Poems
ECM, distri. Dargil
8/10

stephanmicus_desertsongs

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Imperturbável, afastado das modas e tendências, Stephan Micus vem construindo na ECM uma obra ímpar que o coloca num lugar à parte da produção contemporânea. Recolhendo elementos étnicos e religiosos das tradições do Ocidente e do Oriente, a música de Micus é uma viagem de contemplação mais do que pelas geografias do globo, pelos mapas do espírito. O modalismo de múltiplas tradições orais, o transe e os rituais do Oriente árabe e asiático cruzam-se com liturgias gregas e canto gregoriano num jardim zen. Música de silêncio, júbilo e devoção, “Desert Poems” tem a serenidade do despojamento, mas também uma complexidade quase sinfónica na harmonização das dilrubas, em “Adela” e “Shen khar venakhi”. Como de costume, Micus socorre-se de uma extensa paleta de instrumentos tradicionais, multiplicados ou a solo – além da dilruba, o sarangi, dondon, doussn’gouni, kalimba, sinding, steel drums, shakuhachi, sattar e os já habituais vasos de barro.