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Flora Purim + Airto Moreira + Vários – “Jazz de Fusão Em Matosinhos” – “Festival Começa Hoje Na Exponor” (festivais / concertos / jazz / VII Matosibhos Em Jazz)

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quinta-feira, 22 Maio 2003


Jazz de fusão em Matosinhos

FESTIVAL COMEÇA HOJE NA EXPONOR

O jazz de fusão ocupa a maior parte da programação do VII Matosinhos em Jazz que hoje se inicia com a atuação do Trio Benavent/Di Geraldo/Pardo. Espanha, Brasil, Cuba e Portugal integram o roteiro do certame




Flora Purim e Airto Moreira abrem a terceira noite do festival

Fusões de jazz com música latina, música brasileira, flamenco. Em Matosinhos, o jazz tinge-se de várias cores. Sinónimo de universalidade e capacidade de adaptação de uma música cuja evolução há muito deixou de ser linear.
Pelo Sul de Espanha passa o vento do “duende”. Sem ele, o flamenco é fogo que não arde. Carles Benavent (baixo elétrico), Tino Di Geraldo (bateria) e Jorge Pardo (saxofone e flauta) compõem o trio que esta noite abre o festival. Pegaram no legado de Paco de Lucia e Camarón De La Isla, dois monstros sagrados do flamenco, e é a partir deles que dão livre curso às suas divagações.
Benavent trabalhou com Miles Davis, Didier Lockwood, Don Alias, Quincy Jones e Chick Corea, tendo feito parte dos grupos de fusão espanhóis, Máquina e Música Urbana. Di Geraldo mergulhou no âmago do flamenco, tocando com Camarón, Manolo Sanlucar, Vicente Amigo e Pepe Habichuela. Pardo é o jazzrocker por excelência, o “chef” que coseu na panela de fusão, Paco de Lucia, Ketama, Chick Corea, Tete Montoliú e Wagner Tiso.
Bernie Wallace, “jazzman” de renome a quem já chamaram, a propósito do seu álbum de estreia, “The Fourteen Bar Blues”, “o novo gigante do saxofone, na linhagem de Coleman Hawkins, Ben Webster e Sonny Rollins”, fecha o primeiro dia do Matosinhos em Jazz, na companhia do trio do pianista Mulgrew Miller.
Wallace é um tradicionalista que nos últimos anos se vem dedicando a explorar as sonoridades do Sul, do gospel aos blues, em colaborações com Stevie Ray Vaughan ou com o mago do piano-“voodoo”, Dr. John, “the night tripper”. Liderou formações com Chick Corea, Eddie Gomez, Dave Holland e John Scofield. Mulgrew Miller é um pianista multifacetado que atrevessou várias décadas do jazz e formações como os quintetos de Tony Williams e Woody Shaw e a orquestra de Duke Ellington. Faz parte do Contemporary Piano Ensemble, projeto que contempla a atuação simultânea de quatro pianistas. Completam o trio Derek Hodge (contrabaixo) e Rodney Green (bateria).
Sábado pertence ao Sexteto de Paulo Perfeito e ao Septeto de Omar Sosa. Perfeito toca trombone e dirige um sexteto com origem em 1998 na Orquestra de Jazz de Matosinhos, por sua vez criada sob os auspícios do Composer’s Workshop de Charles Mingus. Mingus que, juntamente com Carla Bley, se perfila no horizonte de influências do grupo. Perfeito é ainda responsável pelos arranjos de “Jacinta Canta Monk”, desta cantora portuguesa. O resto do sexteto dá a ouvir Rogério Ribeiro (trompete), Rui Teixeira (saxofones), Carlos Azevedo (piano), Pedro Gonçalves (baixo) e Acácio Cardoso (bateria).
Depois, a dança. O “son” cubano, armado pelo pianista deste país Omar Sosa, que sintetiza os calores dos trópicos com os cantos tradicionais Yoruba, o hip-hop, o cha-cha-cha e as deambulações noturnas de Monk. O seu novo álbum chama-se “Sentir”. A seu lado vão estar Martha Galarraga (voz), o “rapper” Breis, Luis Depestre (saxofone), Jose Julio Tomas (contrabaixo), El Houssaine Kili (guimbri, voz e percussões) e Gustavo Ovalles (percussões).
O calor não abrandará na última noite do VII Matosinhos em Jazz. Noite do Brasil, na voz de Flora Purim, na bateria de Airto Moreira e no piano de Miguel Braga. Flora Purim tornou-se conhecida pela sua participação em dois álbuns seminais de Chick Corea na área da fusão e do jazzrock, “Return to Forever”, que daria origem ao grupo com o mesmo nome, e “Light as a Feather”. O seu “scat” insinuante floresceu igualmente na música de Gil Evans, Stan Getz, Dizzi Gillespie, Carlos Santana e Hermeto Pascoal.
Airto Moreira é o senhor percussão. Para ele, o mundo é um imenso astro percutivo, um corpo de vibrações e ritmos múltiplos que se revela esplendorosamente no álbum “The Other Side of This”. O jazz de fusão, obviamente, acolheu-o. Lee Morgan, Cedar Walton, Joe Zawinul, Jack DeJohnette, Chick Corea e Keith Jarrett navegaram sobre as suas percussões. Esteve presente em momentos capitais do jazz rock: nas sessões da bíblia “Bitches Brew”, de Miles Davis, bem como na génese dos Weather Report e dos Return to Forever. Partilha o projeto Planet Drum, “ensemble” de vários percussionistas, entre os quais o ex-Grateful Dead Mickey Hart e o “new ager” Glen Velez.
Para fechar em beleza, o festival despede-se com a prata da casa: a Orquestra de Jazz de Matosinhos, sob a direção de Carlos Azevedo e Pedro Guedes e com os convidados Carlos Martin e Eric Vloeimans. 20 músicos em palco. “Big bang” da “big band”, onde o jazz renasce eternamente indo beber às raízes.
Além destes concertos, o Matosinhos em Jazz 2003, com organização MC – Mundo da Canção, expande-se por atividades paralelas das quais fazem parte uma sessão de António Serrão com André Sarbib Trio (hoje e dias 23 e 24 no B Flat Jazz Club) e uma feira do disco e do livro (entre as 21h e as 24, no átrio da Exponor).

VII MATOSINHOS EM JAZZ

Hoje – Trio Benavent/Di Geraldo/Pardo + Bernie Wallace C/Trio de Mulgrew Miller
Amanhã – Sexteto de Paulo Perfeito + Omar Sosa Septet
Dia 24 – Trio Flora Purim/Airto Moreira/Miguel Braga + Orquestra de Jazz de Matosinhos
MATOSINHOS Auditório da Exponor (Leça da Palmeira).
Tel. 225193100. Às 21h30.
Bilhetes a 7,50 Euros

Charlie Haden e Pat Metheny – “Charlie Haden E Pat Metheny Travam Diálogo Intimista No CCB: ‘Missouri Sky Duets’ Repete Amanhã No Centro De Artes E Espetáculos da Figueira da Foz” (concertos / artigos de opinião)

(público >> cultura >> jazz >> concertos)
domingo, 18 Maio 2003


Charlie Haden e Pat Metheny travam diálogo intimista no CCB

“Missouri Sky Duets” repete amanhã no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz


Um dueto entre Haden e Metheny no CCB e na Figueira da Foz


Charlie Haden e Pat Metheny começam hoje, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, a contar as histórias que fazem parte do seu projeto comum, “Missouri Sky”. Registado em disco, em 1996, sob o título “Beyond the Missoury Sky (Short Stories)”, para o selo Verve, deu origem ao espetáculo “Missouri Sky Duets” que hoje sobe ao palco do CCB e que amanhã repete no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz.
“Missouri Sky” reúne episódios do Midwest americano, interpretados de forma intimista e acústica por dois tecnicistas de grande envergadura, ambos nativos do Missouri: “The precious jewel”, “He’s gone away”, “The moon is a harsh mistress”… Além de “Beyond the Missouri Sky”, Haden colabora com o seu contrabaixo em álbuns do guitarrista como “80/81”, “Rejoicing”, “Song X” e “Secret Story”.
“É simplesmente um dos melhores músicos de improvisação, e a sua forma de execução no contrabaixo estabeleceu as bases do que são agora várias gerações de músicos”, diz Pat Metheny sobre Charlie Haden. E Charlie Haden diz de Pat Metheny: “É um inovador pelo som que transmite, bem como pelas suas composições e improvisações. A sua música está fora de qualquer categoria. Ele é do Missouri, tal como eu, o que seguramente tem relação com isto. A este som denomino-o de americano contemporâneo impressionista.”
Pat Metheny, o guitarrista das camisolas às risquinhas que já por diversas vezes atuou em Portugal, é imprevisível. O jazz ambiental que cultivou desde os anos 70 numa série extensa de álbuns gravados para a ECM, como “Bright Size Life” (1975), “Watercolours” (1977), “Offramp” (1981), “First Circle” (1984) ou os clássicos “80/81” (1980) e “As Falls Witchita, so Falls Witchita Falls” (1980), é apenas uma das facetas musicais deste virtuoso que tanto se mostra capaz de se divertir a tocar jazz de fusão com tonalidades “country” (“American Garage”, 1979), como de se revelar um intérprete de exceção de Ornette Coleman (“Song X”, 1985) ou de simplesmente estoirar com as aparelhagens, como no exercício de puro “noise” que é “Zero Tolerance for Silence” (1993), quando não de se espreguiçar pelo MOR (“Middle of the Road”) mais xaroposo, em “Still Life (Talking)” (1987) e “Secret Story” (1992).
O seu mais recente trabalho, na linha de “New Chautauqua” (1978), tem por título “A Quiet Night” e nele se pode escutar uma série de exercícios introspetivos executados em guitarra barítono.
Haden é um dos pilares do contrabaixo moderno. Impulsionador da mítica “big band” Liberation Music Orchestra, com Don Cherry, Michael Mantler, Roswell Rudd, Gato Barbieri, Dewey Redman, Carla Bley, Andrew Cyrille e Paul Motian, entre outros, Haden apresenta-se como o apologista de ideologias de esquerda que os portugueses puderam ouvir tocar a “Internacional socialista” numa das edições da Festa do Avante!. Gravou com Ornette Coleman antes de se aventurar, ele próprio, pelas alamedas luxuosas da editora ECM, em “Magico” (com Jan Garbarek e Egberto Gismonti, 1979), “Folk Songs” (1979) e o clássico “The Ballad of the Fallen” (1982), onde recupera o formato instrumental da Liberation Music Orchestra. Os quatro volumes de “The Montreal Tapes”, gravados para a Verve em 1989, mostram o contrabaixista na sua melhor forma, fazendo esquecer que se trata do mesmo músico que, recentemente, gravou o delicodoce
“American Dream”. “Missoury Sky Duets” são para se ouvir em silêncio, imaginando as vastas paisagens do Missouri.

Charlie Haden & Pat Metheny – Missoury Sky Duets
LISBOA Grande Auditório do Centro Cultural de Belém. Hoje, às 21h. Tel.213612444.
Bilhetes entre 15 e 40 euros
FIGUEIRA DA FOZ. Centro de Artes e Espetáculos. Amanhã, às 22h. Tel. 233407200.
Bilhetes a 37,50 euros.

Nathalie Loriers Trio + Extensions – “Tombouctou” + Defoort, Turner, Thys, Black – “Sound Plaza” + Stephan Oliva, Bruno Chevillon, Paul Motian – “Intérieur Nuit” + Antonio Faraò – “Far Out” + Tommaso/Rava Quartet – “La Dolce Vita”

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sábado, 17 Maio 2003

Pianos do melhor jazz belga. Piano para ouvir de noite. Piano de um faraó. E um velho animatógrafo restaurado no ecrã do presente.


Pianos

NATHALIE LORIERS TRIO + EXTENSIONS
Tombouctou
De Werf
6 | 10

DEFOORT, TURNER, THYS, BLACK
Sound Plaza
De Werf
8 | 10

STEPHAN OLIVA, BRUNO CHEVILLON, PAUL MOTIAN
Intérieur Nuit
Night Bird
8 | 10

ANTONIO FARAÒ
Far Out
Camjazz
7 | 10

TOMMASO/RAVA QUARTET
La Dolce Vita
Camjazz
8 | 10

Todos distri. Multidisc



“The finest in Belgian Jazz”, “o melhor do jazz belga” é o nome de afixado na frente das capas desta série, composta por dez nomes, representativos do novo jazz belga, selecionados por um painel de 50 jornalistas e promotores de concertos. Todos eles com direito a gravação. Atrás, são enumerados os diversos apoios e patrocínios, incluindo os governamentais, ao projeto.
Não que o “melhor do jazz belga” seja propriamente o melhor jazz do mundo, mas fica o exemplo do que deve ser feito para apoiar uma música minoritária, num país pequeno. Como a Bélgica, à qual o jazz deve Toots Thielemans, Philip Catherine ou, o menos conhecido René Thomas.
A mais recente coqueluche do jazz belga chama-se Nathalie Loriers, pianista que ainda recentemente atuou em Portugal. “Tombouctou” (título inspirado na novela “Timbuktu”, de Paul Auster), apresenta-a com o seu trio habitual, aumentado pelo grupo Extensions e é ela que assina a totalidade dos temas.
Jazz bem balançado, elegante, delicado, frágil, compensa a ocasional pouca presença da pianista, com o vigor dos sopros de Laurent Blondiau (trompete e fliscórnio) e Kurt van Herck (saxofones soprano e tenor). “La rivière du présent” arrisca soluções mais abstratas, enquanto, com sinal oposto, “Mémoire d’Ô” se concentra no intimismo e lirismo de frases simples mas sentidas, com Blondiau a desempenhar o papel de Chet Baker. Nas “Obsessions”, o ataque (afago?) às teclas liberta uma feminilidade que, no posterior desenvolvimento, se retrai numa mera dissertação ao nível da pele. Bill Evans deu a solução: No jazz de jardim só há um caminho que faça brotar a força — para dentro, escavando a terra dos sentimentos. Nathalie dança, com as mãos e o espírito leves.
Outro dos escolhidos pelo painel dos “odd jazz journalists” foi o também pianista Kris Defoort que, em “Sound Plaza”, tem a companhia de Mark Turner (saxofone tenor), Nic Thys (contrabaixo e baixo elétrico), mais a estrela emergente da bateria, Jim Black, bem conhecido do público português.
“Sound Plaza” exige outra disponibilidade. Defoort compõe e improvisa numa gama mais larga de registos que a sua compatriota, percorrendo, resolvendo e explorando escalas cromáticas, fraseados multidimensionais, fracionando o ritmo e a melodia, oferecendo aos sopros matéria rica de trabalho. Como vem acontecendo com alguma frequência em várias latitudes do jazz contemporâneo, por vezes a música (como no título-tema) recorre a fórmulas e a uma respiração rítmica típicas do pós-jazz de Chicago, mas a energia, criada a partir de sobreposições e saturações, situações que o piano de Defoort domina como ninguém, flui, ora com a naturalidade de um rio, ora descentrada pelos polos de tensão criados pela percussão de Black, fabricante de ideias a um ritmo alarmante. “Subconsciouslee”, de Lee Konitz, recebe um tratamento à altura, com o pianista e o baterista a pesquisarem no fundo, sem perder de vista a rota que Konitz traçara em 1949 no álbum com este nome, ainda sob a tutela de Lennie Tristano. “Floating” é um instante de suspensão e recapitulação, cordas do piano percutidas, tambores Duracel e subidas e descidas do tenor em escada-rolante, logo interrompido pela diversão, na segunda ocorrência de “Blues is on the way”, com o “blues” teimosamente a deixar ver-se, para logo desaparecer de vista por detrás do horizonte, com passagem para o “one man show” do percussionista, em “Solo Jim”. A finalizar, “Tranen” faz a homenagem a Coltrane, um dos músicos favoritos deste belga, em cuja discografia figura, de resto, o álbum “Variations on a Love Supreme”. “Sound Plaza” é como banda desenhada — uma música fracionada numa sucessão de quadros, onomatopeias e episódios rocambolescos. E nisto, como se sabe, os belgas são bons.
Os franceses, idem. Mas “Intérieur Nuit” do trio do pianista Stephan Oliva, com Bruno Chevillon (baixo) e Paul Motian (bateria), a mesma formação que há três anos já fizera “Fantasm”, é literatura de outro quilate.
Músico de formação clássica, discípulo de Eric Watson, Oliva dispensa fronteiras e balizas, embora se possa detetar nele alguns excessos de formalismo. Sozinho, o piano sofre uma atração irresistível pela música contemporânea e por uma abordagem “concreta” do instrumento. Mas estão lá Chevillon e, sobretudo Motian (autor da maioria dos temas) a segurá-lo e a manter o balanço, num álbum de estudos, esquissos e cosmologias incompletas, por vezes difícil de acompanhar mas inesgotável nas propostas nele contidas. Os admiradores de Paul Bley, por exemplo, saberão apreciá-lo devidamente.
“Far out”, do pianista italiano Antonio Faraò, devolve as cores do jazz de Nova Iorque, pela simples razão de o seu principal parceiro se chamar Bob Berg, notável tenorista. Dois homens do Leste fecham a formação: Martin Gjakonovski (baixo) e Dejan Terzic (bateria). Nada de novo resulta desta inusitada geografia humana, mas é bom voltar, uma vez mais, ao berço. Ao local de todos os imaginários, onde as baladas solitárias se cruzam com o “hard bop” e a luz do Mediterrâneo alterna com a dos semáforos da 5ª Avenida. Quanto a Faraò, diz sobre ele Herbie Hancock que “não é somente um bom pianista, mas um grande pianista”. Se “Walking with my soul” e “Simple” são sufi cientes para lhe dar razão é, contudo, Berg quem “rouba o show”.
“La Dolce Vita”, de Tommaso/Rava Quartet, é um tratado de nostalgia sobre bandas sonoras de clássicos do cinema italiano. “Movie-ing jazz” através do qual o contrabaixista italiano Giovanni Tommaso refaz não só antigas afinidades com a música de Nino Rotta para “La Dolce Vita”, como estende o seu amor a “Perfume de Mulher” de Dino Risi, “A Aventura”, de Antonioni, ou “Il Prato”, de Paolo e Vittorio Taviani, entre outros filmes, e às respetivas partituras com assinatura de Armando Trovaioli, Giovanni Fusco e Ennio Morricone, com um “Sonho de Hitchcock”, de Enrico Rava, pelo meio.
Jazz para se ver. Ver o que ficou de um tempo feito de outras imagens e sons inventados dentro de outro tempo. Em criança, Tommaso apreciava acima de todos, Tótó e Stan Laurel, de cujas peripécias se enchia nas “matinées” do Cinema Nazionale de Lucca. Mas foi com Rotta e “La Dolce Vita” que reconheceu, e se reconheceu, nas “atmosferas”, “movimentos” e “circunstâncias” de um “passado indifi nível” a que, neste álbum, procura dar de novo vida. A este “Movieing jazz” apenas se pode e deve responder com igual devoção.