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John Cale – Eat/Kiss, Music For The Films Of Andy Warhol

25.07.1997
John Cale
Eat/Kiss, Music For The Films Of Andy Warhol (7)
Hannibal, distri. MVM

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“Eat” e “Kiss” são dois filmes a preto e branco realizados, rerspectivamente, em 1963 e 1964, por Andy Warhol. John Cale, o antigo elemento dos Velvet Underground cujas ligações com Warhol remontam a 1967 e aos ensaios do grupo na Factory, compôs, há três anos, a música para estas duas películas. Originalmente interpretado com outros dois ex-Velvets, Maureen Tucker e Sterling Moss, este último entretanto falecido, este trabalho acabou por ser gravado ao vivo, em Lille, com Tucker, na bateria, B. J. Cole e os Soldier String Quartet, entre outros. Para “Kiss” – o filme era composto por uma série de três minutos com fotografias de beijos, alguns deles protagonizados pelo mítico personagem da Factory e do “show” Exploding Plastic Inevitable”, Gerard Malanga -, John Cale escreveu 11 movimentos, que exploram o ambientalismo, a atonalidade, o neoclassicismo, as escalas indianas (nomeadamente na versão de “Frozen warning”, de Nico) e um minimalismo distendido, onde são recorrentes as doutrinas teóricas alaboradas por LaMonte Young, de quem Cale foi discípulo. O movimento seis é um exercício de deslocação da Pop, paralelo ao das gravações de Cale com Eno, em “Wrong Way Up”. Os quatro apontamentos escritos para “Eat” – no filme, Warhol limitara-se a pedir ao seu amigo Robert Indiana, para comer um cogumelo – abordam o lado mais narrativo da música de Cale, com textos declamados e uma sistematização romântica, à la Roger Eno, do pontilhismo sagrado de LaMonte Young e da sua música eterna.

John Cale – Vintage Violence

02.03.2001
John Cale
Vintage Violence
Columbia Legacy, distri. Sony Music
7/10

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Sobre as cinzas dos Velvet Underground, John Cale encetou em 1970, com “Vintage Violence”, uma carreira discográfica a solo irregular, marcada pela excentricidade, o excesso e, nalguns casos, o génio, patente em álbuns como “Fear”, “Helen of Troy”, “Slow Daze” e “Music for a New Societey”, momentos mais altos de um percurso que nos últimos anos perdeu algum fulgor. “Vintage Violence”, colectânea de canções pop em contravenção com a violência dos Velvets, nalguns casos roçando a ingenuidade “naif”, funciona como preâmbulo para a descoberta de um talento aqui ainda em fase de autodescoberta. Primeira reedição remasterizada deste músico galês sobre o qual alguém escreveu que “toca piano como se usasse luvas de boxe”, “Vintage Violence” oferece dois temas extra, um deles, “Wall”, verdadeiro “wall of sound” de viola de arco electrificada, ilustrativo do trabalho desenvolvido por Cale no seio do “Teatro da Música Eterna”, com LaMonte Young e Tony Conrad.