Arquivo da Categoria: Forum Sons

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #169 – “Um dos discos do ano!”

#169 – “Um dos discos do ano!”

Um dos discos do ano!
Fernando Magalhães
Fri Mar 23 17:39:21 2001

13 anos depois do fantástico “443 Deathless Days”, STEVE FISK, colaborador dos Negativland em “Escape From Noise”, regressa com um álbum que entra directamente para os melhores de 2001: “999 Ways of Undo” (ed. Sub Pop).
Amon Tobin meets Residents meets Messer fur Frau Muller num registo electronic que põe o d & b de pantanas. Tribal, divertido, complexo, uma obra pára ir descobrindo ao longo de sucessivas audições. A capa (ou melhor, as capas…) é/são outro achado.

Irresistível é “Numbers” do duo BELL (ed. Satellite). 200% maquinal, repetitivo Kraftwerk/Telex/Pan Sonic juntos num manifesto de grooves com um apelo dançante semelhante ao dos Soul Center (embora aqui tudo seja mais robótico).

FM (o da foto)
Entusiasmado

PS – Conhecem Marisa Cruz? :))))))

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #168 – “Matmos na clínica”

#168 – “Matmos na clínica”

Matmos Na Clínica
Fernando Magalhães
Wed Feb 14 14:08:58 2001

O novo CD dos MATMOS, “A Chance to Cut is a Chance to Cure” (ed. Matador), o tal que tira partido da tecnologia médica e hospitalar, foi gravado em salas de operações de hospitais, tendo os dois músicos registado sons de escalpelos a cortar tecido muscular, gorduras a serem aspiradas durante uma lipoaspiração, percussões efectuadas num crâneo humano, etc.

Uma das faixas usa o som das barras de uma gaiola de um rato de laboratório tocado com arco de violino (!). Todos estes sons foram posteriormente alterados e processados no estúdio, com resultados, diz o press release (acabei de receber o CD promo, que ainda não ouvi) que variam entre a electrónica de dança, electro vaudeville, “funk assustador” e outras descrições do género…

Numa das faixas toca o clarinetista Stephen Thrower (dos Cyclobe, ex-Coil) e noutra ouvem-se as vozes de Kid606, Lesser e Blectum from Blechdom…

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #167 – “Ryoji Ikeda ‘Matrix'”

#167 – “Ryoji Ikeda ‘Matrix'”

Ryoji Ikeda “Matrix”
Fernando Magalhães
Wed Feb 14 14:21:59 2001

Ouvi ontem na íntegra o CD (duplo) de Ryoji Ikeda, “Matrix” (ed. Touch). Enquanto o segundo CD, com duração de cerca de meia-hora de duração se pode comparar, de facto (com alguma boa vontade, é certo…), com uns Pan Sonic mais frios e subliminares, o primeiro CD nem sequer se pode considerar “música” no sentido mais vulgar do termo.

Trata-se de uma série de faixas preenchidas por frequências electrónicas puras, ou brancas, se quiserem, estilo “White noise” liofilizado, cujo efeito é “temperar” o espaço acústico da sala de audições. O efeito é, de facto, e por razões extra-musicais, surpreendente. Consoante o modo como nos situamos em frente, atrás, ao lado, longe ou afastados das colunas, o som muda radicalmente. Parece quase um truque de ilusionismo! Basta deslocarmo-nos um metro para a direita ou para a esquerda para o som adquirir uma pulsação que na posição anterior não era possível detectar.

Mesmo sentados de frente, basta mudar ligeiramente a posição da cabeça para o som se “apagar”, quase desaparecer, para logo a seguir mostrar uma ligeira modificação de cor. Não se trata de efeitos de estereofonia relacionados com a disposição das colunas (o chamado “palco sonoro”, para os audiófilos) mas de uma efectiva “inundação/metamorfose” do espaço acústico.

Claro que musicalmente, é uma seca monumental! Digamos, então, que se trata de um disco científico, como parece que são, aliás, os anteriores trabalhos deste japonês.