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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #183 – “O pós-rock e o electro que ficou…”

#183 – “O pós-rock e o electro que ficou…”

O pós-rock e electro que ficou…

Fernando Magalhães
10 de Fevereiro 2003 Às 13:16

Do muito que passou, das bandas de pós-rock e da electrónica não “erudita” que ouvi nos anos 90, eis aquilo que ficou e de que continuo a gostar.
* são obras-primas, algumas delas não suficientemente valorizadas quando escrevi as respectivas críticas (apenas o tempo e a distância permitem a perspectiva mais correcta).

+ são discos fundamentais, dentro dos respectivos géneros ou categorias musicais.

AMON TOBIN – Supermodified (Ninja Tune, 2000)*
BERND FRIEDMANN – Leisure Zones (Ash International, 1996)
B. FLEISCHMANN – Pop Loops For Breakfast (Charhizma, 1999) +
– A Choir of Empty Beds (Fuzzy Box, 2000)
BIOSPHERE – Cirque (Touch, 2000) *
– Substrata 2 2XCD (Touch, 2001) +
– Shenzhou (Touch, 2002)
BLECTUM FROM BLECHDOM – The Messy Jesse Fiesta (Deluxe, 2000)
BLUTSIPHON – Tammus (Gefriem, 1999)
CURD DUCA – Elevator 3 (Mille Plateaux, 2000)
DAKOTA OAK – Am Deister (Twisted Nerve, 2000)
DAT POLITICS – Villiger (a-Musik, 2000) +
DYLAN GROUP (THE) – More Adventures in Lying Down… (Bubble Core, 1999)
– Ur-Klang Search (Bubble Core, 2000)
EARDRUM – Last Light (The Leaf, 1999)
EXPLODING THUMBS – Flying Without Wings (Holistic, 1998)
EXPERIMENTAL AUDIO RESEARCH – The Köner Experiment (Mille Plateaux, 1997)
– Millenium Music, A Meta-Musical Portrait (Atavistic, 1997)*
FAULTLINE – Closer Colder (The Leaf, 1999)*
FENNESZ – Plus Forty Seven Degrees 56’ 37” Minus Sixteen Degrees 51’ 08” (Touch, 1999) +
– Field Recordings, 1995-2002 (Touch, 2002)
FENNESZ, O’ROURKE, REHBERG – The Magic Sound of Fenn o’Berg (Mego, 1999)
FORT LAUDERDALE – Time Is Of The Essence (Memphis Industries, 2001)
FRIDGE – Ceefax (Output, 1997) +
– Eph (Go Beat, 1999)
FUXA – 3 Field Rotation (Ché, 1996) +
– Very Well Organized (Ché, 1996)
– Accretion (Mind Expansion, 1998)
F. X. RANDOMIZ – Goflex (a-Musik, 1997)*
GAS – Pop (Mille Plateaux, 2000) +
GASTR DEL SOL – Upgrade & Afterlife (Drag City, 1996) +
– Camoufleur (Domino, 1998) +
GENERAL MAGIC – Rechenkönig (Mego, 2000)
GUSTAVO LAMAS – Celeste (Traum, 1999)
– Plural (Fragil, 2000)
HOLGER HILLER – As Is (Mute, 1991) +
– Holger Hiller (Mute, 2000)
HOLOSUD – Fijnewas Afpompen (a-Musik, 1998)*
ILPO VAISANEN – Asuma (Mego, 2001)
ISAN – Beautronics (Tugboat, 1998) +
– Salamander (Morr Music, 1999)
ISOTOPE 217 – The Unstable Molecule (Thrill Jockey, 1997) +
– Utonian Automatic (Thrill Jockey, 1999)
– Who Stole the I Walkman? (Thrill Jockey, 2000)
JAN JELINEK – Computer Soup (Audiosphere, 2002)
JESSAMINE – Another Fictionalized History (Histrionic, 1997)
JIM O’ROURKE – Bad Timing (Drag City, 1997)*
KLANKRIEG – Radionik (Cling Film, 1999)
KONRAD KRAFT – Alien Atmospheres (Elektro-Smog, 1996) +
KREIDLER – Weekend (Kiff, 1996) +
– Appearance In The Park (Kiff, 1998)*
LABRADFORD – E Luxo So (Blast First, 2000)
L@N – L@N (a-Musik, 1996)
MOUSE ON MARS – Vulvaland (Too Pure, 1994)
– Iaora Tahiti (Too Pure, 1995)*
– Autoditacker (Too Pure, 1997)
– Instrumentals – Sonig, 1998)
– Niun Niggung (Rough Trade, 1999) +
– Idiology (Sonig, 2001)
OCSID – Opening Sweep (Ash International, 2001) +
OLIVIA TREMOR CONTROL – Black Foliage, Animation Music. Volume One (Flydaddy Inc. 1999)
ORCHESTER 33 1/3 – Orchester 33 1/3 (Plag Dich Nicht, 1997)*
– Maschine Brennt (Charhizma, 1999)
PAN SONIC – A (Blast First, 2000)*
– Aaltopiiri (Blast First, 2000)
PETE NAMLOOK – Namlook VI (Fax, 1994)
– Syn 2XCD (Fax, 1994) +
– Namlook XI (Fax, 1996)
PETE NAMLOOK & CHARLES UZZELL EDWARDS – A New Consciousness 2 (Fax, 1994)
PETE NAMLOOK & LUDWIG REHBERG – The Putney II (Fax, 1994)
PLURAMON – Render Bandits (Mille Plateaux, 1998)
RADIAN – Rec.Extern (Thrill Jockey, 2002)
RECHENZENTRUM – Rechenzentrum (Kitty-Yo, 2000) +
– The John Peel Session (Kitty-Yo, 2001)
REZNICEK – Stube (Odd Size, 1996) +
ROME – Rome (Thrill Jockey, 1996)
SACK & BLUMM – Sack & Blumm (Tom, 1999)*
SALARYMAN – Salaryman (City Slang, 1996)
– Karoshi (City Slang, 1999)
SATOR ROTAS – Sator Rotas (a-Musik, 1999)
SCHLAMMPEITZIGER – Spacerokkmountainrutschquartier (a-Musik, 1997)*
SHABOTINSKI – (B)ypass (K)ill (Charhizma, 1999)
SOUL CENTER – Soul Center (W.v.B. Enterprises, 2000) +
SPRING HEEL JACK – Oddities (Thirsty Ear, 2000)
– Disappeared (Thirsty Ear, 2000)
– Masses (Thirsty Ear, 2001)
– Amassed (Thirsty Ear, 2002)*
STARS OF THE LID – Avec Laudenum (sub Rosa, 1996)
– Gravitational Pull vs. The Desire for an Aquatic Life (Kranky, 1997)
– The Tired Sounds of Stars of the Lid 2xCD (Kranky, 2001)
STEREOLAB – Emperor Tomato Ketchup (Elektra, 1996)
STEVE FISK – 999 Levels of Undo (Sub Pop, 2001)
SUPERSILENT – Supersilent 4 (Rune Grammofon, 1998)
TELE.FUNKEN – A Collection of Ice-Cream Vans Vol. 2 (Domino, 2000) +
THOMAS BRINKMANN – Rosa (Max Ernst, 2000) +
THOMAS KONER – Nunatak Gongamur (Barooni, 1990)
TIED + TICKLED TRIO – EA1 EA2 (Payola, 1999) +
TONE REC – Pholcus (Sub Rosa, 1998)*
– Coucy-Pack (Sub Rosa, 1999)
TO ROCOCO ROT – CD (Kitty-Yo, 1996) +
– Veiculo (City Slang, 1997)*
– The Amateur View (City Slang, 1999)*
TO ROCOCO ROT & I-SOUND – Music is a Hungry Ghost (City Slang, 2001) +
TORTOISE – A Digest Compendium of the Tortoise’s World (Thrill Jockey, 1994/95) +
– Millions Now Living Will Never Die (City Slang, 1996)*
– TNT (City Slang, 1998)
– Standards (Thrill Jockey, 2000)
TRANS AM – Surrender to the Night (City Slang, 1997) +
– Futureworld (Thrill Jockey, 1999)
– Red Line (Thrill Jockey, 2000)
UI – Lifelike (Southern, 1998)*
– The Iron Apple (Southern, 1999)
USER (THE) – Symphony #1 for Dot Matrix Printers (Staalplaat, 1999) +
VAINIO, VAISANEN, VEGA – Endless (Blast First, 1998)
VERT –The Köln Konzert (Sonig, 2000)
– Nine Types of Ambiguity (Sonig, 2001)
WORKSHOP – Welcome back the Workshop (Captain Trip, 1990)
– Talent (L’Age d’Or, 1995)

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #179 – “Re-audições”

#179 – “Re-audições”

Re-audições
Fernando Magalhães
Mon Jun 18 15:43:20 2001

Definitivamente, não consigo gostar do novo dos AUTECHRE. Massacrante. Chato. Uma orgia de breakbeats inúteis.
Mesmo tal tema nº 9 que me pareceu de inídio interessante (só tinha ouvido os primeiros minutos…) descamba na tal sessão de epilepsia breakbeatica sem nexo que o Mário já por aqui tinha referido.

Já em relação ao novo da/o ESTER NRINKMANN, altero a minha impressão inicial. O disco é extremamente interessante, tirando partido da fonética do italiano e de uma subtil reavaliação da electrónica minimalista cultivada pelo mesmo músico, enquanto THOMAS BRINKMANN.

Da colectânea (3 CDs) “Clicks & Cuts 2” salva-se pouca coisa: um divertido tema de VLADISLAV DELAY e mais uma lição de originalidade + electrónica lúdica + tortura sónica inteligente (as três juntas!!!) dada pelos DAT POLITICS, a fechar a antologia. O resto (e este resto inclui gente como Thomas Brinkmann, Snd, Fennesz, Matmos…) afunda-se numa massa sonora indistinta que poderia perfeitamente ter sido produzida por um único e mesmo músico!!!

FM

The Orb – “Adventures Beyond The Ultraworld”

Pop-Rock Quarta-Feira, 18.09.1991


THE ORB
Adventures Beyond The Ultraworld
2xLP / CD, Big Life, distri. Polygram



Alex Patterson é o cérebro alucinado do projecto The Orb, expoente ambíguo da corrente “ambiente house”, aqui em perfeito desvario, numa colagem insana que projecta o ruralismo espacial dos KLF para as pistas de dança. Contando com a colaboração de músicos tão afastados como ex-membros dos Killing Joke e dos Berlin, ou o antigo guitarrista dos Gong, Steve Hillage, “Adventures…” flutua num universo de imponderabilidade, assombrado por fragmentos de música e de história, conceitos aqui despojados de sentido. Títulos como “Supernova at the end of the universe” remetem de imediato para os Pink Floyd (a capa retoma a fotografia de “Animals”), e para planâncias subitamente na ordem do dia: “Star 6 & 789” reinventa a música dos Neu; “A huge ever growing pusating brain, etc..” dir-se-ia uma samplagem, nota a nota, dos sequenciadores dos Tangerine Dream de “Phaedra” e “Rubycon”; “Spanish castles in space” deve tudo a Brian Eno (com o qual Alex, um auditor atento da série “Obscure”, trabalhará num projecto futuro). Arthur Russell e as suas reverberações fantasmáticas, a On-U Sound, os “astro-reggae” tribal, a pop electrónica dos New Musik e o canto gregoriano à maneira dos Enigma são outras peças detectáveis num “puzzle” destibado a povoar os sonhos de astronautas à deriva no espaço. No espaço tudo é permitido. Tudo é ilusão.
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