Arquivo da Categoria: Clicks & Cuts

Pan American – Quiet City

11.02.2005
Pan American
Quiet City
2xCD Kranky, distri. Sabotage
6/10

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As primeiras notas de guitarra de cristal e a voz sussurrada de Mark Nelson no tema de abertura de “Quiet City”, “Begin”, induzem em erro. Soam como uma faixa dos Labradford mas na verdade apenas reflectem a mudança de som e processos operada no outro projecto de Nelson, os Pan American. Desapareceram os anteriores blips e “glitches” de música de dança microscópica para dar lugar a um ambientalismo sombrio disfarçado em lençóis de canções e na qual despontam, quase violentamente, as contribuições de músicos da cena da música improvisada e do rock alternativo de Chicago, como Tim Mulvenna (Vandermark 5, Jeb Bishop) ou David Max Crawford (Wilco, Stereolab). Apenas a longa “drone” contaminada por ruídos de “Wing” lembra os velhos Pan American, enquanto “Het Volk”, espreguiçadamente cinematográfico, é como uma banda sonora, composta a meias por John Barry e os Biosphere. Tudo o resto é um passeio nocturno pelas ruas de uma cidade fantasma, ainda mais devagar do que nos Labradford. David Sylvian e Brian Eno podem ser entrevistos, à porta de um edifício qualquer, do outro lado do espelho. Num segundo CD há vídeos “ambientais” criados de parceria com Annie Feldmeier, para acompanhar cada canção.

Fennesz – Endless Summer

07.12.2001
Fennesz
Endless Summer
Mego, distri. Matéria Prima
7/10

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Originalmente título de uma colectânea de 1974 dos Beach Boys, compilada por Mike Love, “Endless Summer” culmina uma operação de reconversão genética da música pop e o fim do idealismo. O surf nas ondas do sonho da geração de 60 morreu na praia e o naufrágio do sonho americano é aproveitado pelo austríaco Christain Fennesz como matéria de oscilação para outro tipo de ondas. Se David Thomas e os Pere Ubu ainda conservam, na mesma devoção à banda de Brian Wilson, os traços de um romantismo dilacerado, o antigo elemento da Orchester 33 1/3 – que num EP de 1998 já pulverizara outra canção dos rapazes da praia, “Don’t Talk (put your head on my shoulder)”, do álbum “Pet Sounds” – liquefaz aquele imaginário num oceano de clicks & cuts, aqui bem mais chegado às margens tranquilas do chill-out. Um chill-out com rugas, bem entendido, a deformar o smile da geração “rave”. Enquanto o anterior álbum, “+47º 56’ 37” – 16º 52’ 08””, impressiona pelo abstraccionismo e poder de análise, “Endless Summer” confirma o talento de Fennesz como bricoleur, capaz de arrancar insuspeitas melodias ao ruído e de cortar em pedaços e estética monumental que ele próprio ajudou