pop rock >> quarta-feira >> 26.01.1994
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Une Anche Passe
Entre Tarentelle Et Sardane
Silex, distri. Etnia

“Entre Tarentelle et Sardane”, segundo álbum da banda, é uma aventura em que a música tradicional se funde e se confunde entre a realidade factual e a realidade virtual, o “verdadeiro” e o “falso” étnico, a norma e a sua perversão. Poderia ser um disco da editora Recommended como não desdenharia ser arrumado ao lado de “Véranda”, de Riccardo Tesi com Patrick Vaillant.
Une Anche Passe é uma orquestra de instrumentos de palheta (“anche”9, simples ou dupla, que explora a gama de possibilidades, solistas ou em “ensemble”, de instrumentos como o “piffero” de Piemonte, a “gralla” da Catalunha (ambos parentes da bombarda, todos formas rústicas do oboé), o oboé do Languedoque, o clarinete, a “cabrette” (um dos muitos modelos de gaitas-de-foles francesas), a flauta “piccolo”, os saxofones, a tuba (e um seu parente, o eufónio) e o acordeão.
O reportório foi escolhido de acordo com as necessidades dos instrumentos e abrange desde músicas tradicionais de várias regiões da Europa (Catalunha, Languedoque, Itália, Bulgária, …) e da América do Sul (um tango e uma rumba) – material de cujas componentes estilísticas pertencentes a determinados patrimónios o grupo se serve “para definir novos horizontes musicais” -, a peças de encomenda, que incluem uma composição de Michel Portal. A par da diversidade geográfica e da ocorrência, em certo número de temas do “espírito ‘free’”, há todo um trabalho de pesquisa técnica (por exemplo, a modificação das palhetas) que, em última análise, tem por objectivo “dinamizar as possibilidades materiais de uma determinada família de instrumentos”. Chamem-lhes iconoclastas, que eles não se importam. (8)





