Arquivo mensal: Agosto 2017

Tied + Tickled Trio – “EA1 EA2”

10 de Dezembro 1999
POP ROCK


Tied + Tickled Trio
EA1 EA2 (8)
Payola, distri. Matéria Prima


ttt

Das cinzas do “acid jazz” nasceu uma nova corrente que em vez da apropriação dos ritmos de dança optou por uma aproximação e releitura do pós-rock. Mas enquanto, de um lado, os Isotope 217º se imbuíram da estética de Chicago dos Tortoise e da influência do som de Canterbury, na Alemanha os Tied + Tickled Trio integram na sua música elementos do jazz dos anos 60 da editora Blue Note ou o jazz-rock de Miles Davis e Herbie Hancock.
Integrando cerca de uma dezena (nada mau, para um trio…) de elementos cuja actividade se reparte por grupos como os Village of Savoonga, The Notwist, Ogonjok e Patawatomi, os Tied + Tickled Trio já tinham gravado antes deste, o álbum “Bingo” e o 12 polegadas “Curry park”. Em “EA1 EA2” toda a herança do jazz do passado, à qual se juntam ainda os Soft Machine da fase funky de “Bundles” numa faixa como “Van brunt”, ou de “Softs”, na entrada de piano de “Yolanda”, sofre o “input” de uma electrónica suja como a dos This Heat ou dos primeiros Cabaret Voltaire (“Utrom”), além de ocasionais incidências de “drum ‘n’ bass” e das batidas etno dos Can (“4 pole”). Tudo servido com uma intensa carga melódica provida pelo saxofone tenor de Johannes Enders que entre várias intervenções brilhantes se entrega em “Octant” a um solo absolutamente imbuído do jazz modal da Blue Note. “EA1 EA2” é um álbum onde a subtileza e a energia se combinam para intrigar quer os apreciadores do novo rock quer os amantes do jazz.


Monolith – Tied & Tickled Trio from Hakan Temuçin on Vimeo.

Ui – “The Iron Apple”

10 de Dezembro 1999
POP ROCK


Ui
The Iron Apple (8)
Southern, distri. MVM


ui

Antes de partirem para uma digressão pela Europa, no mês passado, os Ui gravaram em Nova Iorque este mini-álbum de 19 minutos com cinco novos temas constituindo o mais recente material de estúdio depois da edição, no ano passado, de “Lifelike”. Dedicado ao “manager” italiano desta “tournée”, Pietro Fuccio e inspirado na figura de T. Walter “Pops” Styer, dono de uma destilaria de cidra com o seu nome, na Pensilvânia, recentemente falecido aos 103 anos de idade, “The Iron Apple” demora-se na encosta mais electrónica do pós-rock, deleitando-se a sacar sonoridades ricas em harmónicos ao LFO do sintetizador Moog sobre ritmos pós-dub (Ms. lady”, “Run, Pietro”) ou jungle (“Golden Pietro”) infectados de ferrugem. Em “Mrs. lady lady”, sobre uma secção rítmica pós-rock/art rock à maneira dos Etron Fou Leloublan, Sasha Frere-Jones aplica-se mesmo na utilização de uma das técnicas de execução que pareciam ter sido banidas dos sintetizadores desde os anos 70, fazendo rodar o comando do “pitch bender” para a frente e para trás, numa sucessão de glissandos a fazerem lembrar o jazz-rock progressivo de Jan Hammer. “Run Pietro” acaba por ser o tema que mais de perto aflora as sombras e as esquinas mal-afamadas de “Lifelike”, a ferver entre um emaranhado de arame farpado na mesma panela de pressão de Mark Stewart. Menos difícil de trincar que os anteriores frutos “podres” cultivados pelo grupo, “The Iron Apple” não deixa de ser uma maçã dura de roer para os mais acomodados ao lado “mainstream” do pós-rock.