Arquivo mensal: Março 2009

Sack & Blumm – Sack & Blumm (conj.)

21.01.2000
Bluthsiphon
Tammus (8/10)
Gefriem, distri. Matéria Prima
Sack & Blumm
Sack & Blumm (8/10)
Tom Recordings, distri. Matéria Prima


sb

LINK

LINK (Sack & Blumm – “Returns” – 2009)

A nova vaga de electrónica “nonsense” alemã continua a dar cartas. Aos Nova Huta, Oleg Kostrow e Felix Kubin juntam-se agora os Bluthsiphon e os Sack & Blumm. Sem qualquer informação relativa aos primeiros fiquemo-nos pelo imenso gozo que a música do grupo proporciona. O circo chegou à cidade. Colagens e montagens sonoras de vária ordem constituem o material de base para os Bluthsiphon contarem as suas histórias. “Loops” e samplagens de vozes histéricas, furiosas ou simplesmente divertidas transformam-se em caixas de surpresas, acompanhadas de súbitas acelerações e travagens de sintetizadores que uma vez mais, mostram ter “Zuckerzeit”, dos Cluster, na memória, mas também as colagens cómico-sinistras que os australianos Severed Heads prensaram no fabuloso “Clifford Darling Please Don’t Live in the Past”. Os Sack & Blumm, depois de um arranque em tons Reichianos (de “Six Marimbas”) que sugere estarmos em presença de uma formação de música minimal, partem para mais uma viagem sem programa definido. Nota-se que o grupo tem referenciais eruditos mas o modo como manipulam a parafrenália electrónica encontra poucos pontos de comparação. Águas radioactivas, velocidades trocadas, parafusos digitais em rotação empastados de caramelo, bailes de brinquedos velhos “a la” Renaldo and the Loaf, uma orquestra de gamelão do planeta Saturno a tocar a banda sonora de um filme de James Bond, jazz funerário, uma boneca partida a correr por uma rua do Cairo, o realejo de Pascal Comelade, são algumas das imagens sugeridas por esta banda que parece fazer música com a única finalidade de nos surpreender. Melhor do que uma ida ao Fantasporto.

Rechenzentrum – Rechenzentrum

26.05.2000
Rechenzentrum
Rechenzentrum (8/10)
Kitty-Yo, distri. Symbiose


rech

Sabem aqueles jogos de computador cheios de corredores e galerias que se percorrem de trás para diante à procura de uma porta de saída para o “exterior”? A música dos Rechenzentrum, mais um grupo alemão para quem a electrónica é um modo de vida, funciona da mesma maneira. Entra-se nela como num labirinto e torna-se difícil sair de lá. A princípio parece que o caminho é sempre em frente. O “Groove” estabelece-se de entrada, em “Absent minded”, com o rigor de uma tabela matemática, implacável, algures entre a pista de dança e um quarto deixado vago pelos Kraftwerk. Mas no “Das Hillsbach Triptychon” que se segue, a imagem perde em linearidade para se pulverizar num mosaico de microrritmos em rotação e o mesmo tipo de refracções “dub” que os Kreidler usaram no seu álbum de remisturas, “Resport”. A terceira e última parte do tríptico, “Ausnhame”, é um fantástico momento de electrónica com um “smile” enorme afixado no monitor do computador, samba cibernético onde cada som se solta como uma colorida serpentina de ADN. O longo “Bildschirmschoner” provoca, por seu lado, um estado de hipnose profunda ao fim de alguns minutos. Tecno-Prozac elaborado no mesmo laboratório de química dos L@n, transmite informação subliminar ao córtex cerebral. “Remix”, “Camera silens/SFB 115”, o misterioso “Uecker randow” (na linha dos Tarwater recentes), o par “Submarine” e “King ant” (Tone Rec m versão “softcore”), “Planet Janet” (um vencedor, em qualquer pista de dança alternativa) e “Samurai”, industrial a la Funkstörung, completam o alinhamento de mais este objecto incontornável da nova fábrica de música electrónica alemã.

Bluthsiphon – Tammus (conj.)

21.01.2000
Bluthsiphon
Tammus (8/10)
Gefriem, distri. Matéria Prima
Sack & Blumm
Sack & Blumm (8/10)
Tom Recordings, distri. Matéria Prima
A nova vaga de electrónica “nonsense” alemã continua a dar cartas. Aos Nova Huta, Oleg Kostrow e Felix Kubin juntam-se agora os Bluthsiphon e os Sack & Blumm. Sem qualquer informação relativa aos primeiros fiquemo-nos pelo imenso gozo que a música do grupo proporciona. O circo chegou à cidade. Colagens e montagens sonoras de vária ordem constituem o material de base para os Bluthsiphon contarem as suas histórias. “Loops” e samplagens de vozes histéricas, furiosas ou simplesmente divertidas transformam-se em caixas de surpresas, acompanhadas de súbitas acelerações e travagens de sintetizadores que uma vez mais, mostram ter “Zuckerzeit”, dos Cluster, na memória, mas também as colagens cómico-sinistras que os australianos Severed Heads prensaram no fabuloso “Clifford Darling Please Don’t Live in the Past”. Os Sack & Blumm, depois de um arranque em tons Reichianos (de “Six Marimbas”) que sugere estarmos em presença de uma formação de música minimal, partem para mais uma viagem sem programa definido. Nota-se que o grupo tem referenciais eruditos mas o modo como manipulam a parafrenália electrónica encontra poucos pontos de comparação. Águas radioactivas, velocidades trocadas, parafusos digitais em rotação empastados de caramelo, bailes de brinquedos velhos “a la” Renaldo and the Loaf, uma orquestra de gamelão do planeta Saturno a tocar a banda sonora de um filme de James Bond, jazz funerário, uma boneca partida a correr por uma rua do Cairo, o realejo de Pascal Comelade, são algumas das imagens sugeridas por esta banda que parece fazer música com a única finalidade de nos surpreender. Melhor do que uma ida ao Fantasporto.