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13th Floor Elevators – “Easter Everywhere”

(público >> y >> pop/rock >> crítica de discos)
9 Maio 2003


13TH FLOOR ELEVATORS
Easter Everywhere
Sunspots, distri. Trem Azul
8|10




1967 teve como nome próprio “Psicadelismo”. Experimentava-se a cor dos abismos e os aromas do céu. Recebiam-se graças. E pagava-se por elas, claro. Roky Erickson pagou com a loucura a ousadia derramada em álbuns lendários: “The Psychedelic Sounds of The 13th Floor Elevators” e “Easter Everywhere”, ambos reeditados em formato de cartão com a respetiva remasterização sonora. Menos flipante e caótico que o álbum de estreia, “Easter Everywhere” não deixa de ser outro guia de viagem sem índice pelas regiões recônditas do cérebro. Guitarras saturadas de efeitos a improvisar alucinações e terramotos, melodias que raspam o fundo, amibas e lulas luminosas. Erickson cantava no fundo do aquário. “Baby blue” arrasta-nos para o lodo onde se ocultam pedras e corais valiosas. “Easter Everywhere” soa em 2003 com a mesma força que tinha 36 anos antes. Como os Byrds, os Grateful Dead ou os Ultimate Spinach, os 13th Floor Elevators subiram até ao último andar. Só que, uma vez lá chegado, o elevador de Rocky Erickson não parou.



13TH Floor Elevators – “The Psychedelic Sounds of 13th Floor Elevators”

27.02.2004

13TH Floor Elevators
The Psychedelic Sounds of 13th Floor Elevators
Sunspots, distri. Trem Azul
9/10

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Do alto desta pirâmide 300 doses de LSD nos contemplam. 300 foram as vezes que, segundo as crónicas, Rocky Erickson ingeriu a substância mágica. Viria a flipar e a ser preso mas ainda teve tempo para gravar, em 1966, uma das obras-primas do psicadelismo. Subiu de elevador até à pirâmide de 25 andares e de lá fez a apologia de uma nova visão da realidade. “The Psychedelic Sounds…” é essa viagem guiada até ao cume, com direito a sexo, experimentação, sonhos lisérgicos e, no último tema, a redescoberta de Deus. Não se pense, porém, que Rocky era do tipo “flower power”, “California dreamin’”, incenso e tangerinas. A sua loucura é amarga e o som dos 13th Floor tresanda a rock de garagem. Em estados alterados de audição corre-se o perigo de não encontrar a saída. A bússola e o relógio deixam de funcionar em mantras (imaginem os Velvet sem a auto-disciplina) onde a guitarra de Stacey Sutherland, a voz e a cabeça de Rocky e o tempo reverberam, se deformam, encolhem e dilatam, e em canções como “Splash 1” que estabelecem a comunicação telepática entre Syd Barrett e Rocky. Tiveram ambos mau fim. Deixaram ambos um caminho estreito que conduz às estrelas. Ou ao lado escuro da lua.