Arquivo da Categoria: Críticas 1993

Noitarega – “Noitarega”

pop rock >> quarta-feira, 15.12.1993
WORLD


Noitarega
Noitarega
Lyricon, distri. MC – Mundo da Canção



Não é fornecida qualquer informação sobre os músicos, data de formação, nem sequer umas notazinhas sobre os temas. Três linhas extraídas do “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa e outras tantas do escritor Anxel Fole dão o mote a um conjunto soberbo de temas tradicionais galegos em que a gaita-de-foles, tocada sem rodriguinhos, agreste e poderosa, é rainha e senhora. A sanfona faz aparições solenes em “Mazurca para Teresa”. Sem arranjos sofisticados nem qualquer espécie de cedências, “Noitarega” é uma agradável surpresa chegada do Norte do Minho para o sapatinho de Natal. (7)

Jo Freya – “Traditional Songs Of England”

pop rock >> quarta-feira, 15.12.1993
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Jo Freya
Traditional Songs Of England
Saydisc, distri. Megamúsica



Estreia promissora a solo de Jo Freya – vocalista dos extintos Blowzabellam e actual membro dos Scarp, a nova banda de Nigel Eaton, e da “all women band” de que toda a gente fala no momento, as Token Women – na “didáctica” Saydisc (discos sobre épocas, instrumentos e estilos particulares são a sua especialidade). Freya arranca com uma versão de “All things are quiet silent”, que Shirley Collins imortalizou, para um desfile e vocalizações, por vezes soberbas (“As I get off to Turkey”, “As Sylvie was walking”, “Rounding the horn”), que remetem de imediato para o estilo da citada Shirley Collins, algumas das quais recorrendo a um dos formatos instrumentais que Gabriel Yacoub já usara em “Bel” – o quarteto de cordas, neste caso de violetas antigas, a cargo do The Rose Consort of Viols. Junatm-se-khes o violino, a flauta de bisel, a concertina, o acordeão, a sanfona (Nigel Eaton, claro), a guitarra e o violoncelo. Uma boa alternativa ao “imperialismo” das baladas irlandesas. (8)

Andrew Cronshaw – “The Language Of Snakes”

pop rock >> quarta-feira, 15.12.1993
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Andrew Cronshaw
The Language Of Snakes
Topic, distri. MC – Mundo da Canção



Se os dois discos anteriores de Cronshaw, “Till the Beast’s Returning” e “The Great Dark Water”, eram espelhos em que reflectiam o lado ascético e ambiental da folk (suspiro) celta, este novo trabalho, aguardado com grande expectativa, é antes de mais um exercício de estilo que se espreguiça nas divagações da cítara, do “kantele” (saltério escandinavo), do “gu-cheng” (outra variante de saltério) e outros instrumentos com som de cristal. Como de costume Cronshaw pesca em águas alheias, neste caso a Galiza e a Escandinávia, mas a extrema diversidade de ambientes e instrumentos queda-se por uma beleza superficial que, nos piores momentos (por exemplo, aqueles em que Cronshaw toca “tin whistle”, instrumento que manifestamente não domina), não deixa de lembrar os recentes dislates de Alan Stivell. Entre os convidados (B. J. Cole, Ric Sanders…), destaca-se uma das vocalistas dos Hedningarna, Sanna Kurki – Suonio, a quem o multinstrumentista inglês parece ter obrigado a ingerir um frasco de “valiums” antes de cantar. (6)