Arquivo mensal: Abril 2023

Vários – “Novo Catálogo BMG” (editora)

Pop-Rock Quarta-Feira, 11.09.1991


NOVO CATÁLOGO BMG

Há um novo canal editorial para a música portuguesa – a multinacional BMG. Esta editora já operava há mais de dois anos entre nós, mas tinha os Delfins como único nome nacional no seu catálogo. Agora, com a entrada de Tozé Brito para a direcção, no capítulo pop/rock, já assinaram pela BMG, os LX-90, Peste & Sida, Piratas do Silêncio, Sitiados e UHF. A festa de apresentação do catálogo foi na semana passada. Ouvimos e fotografámos as seis bandas contratadas e o seu novo patrão, para anteciparmos o que se arrisca a ser um dos mais importantes acontecimentos no panorama da música portuguesa dos anos 90.


UHF



Novo guitarrista “heavy”, novo baixista “thrash”, mas som mais pop em “A Comédia Humana”, o álbum já a sair dos UHF. Ainda e sempre António Manuel Ribeiro

Para António Manuel Ribeiro, líder histórico dos UHF, a vida não tem sido fácil. Uma carreira e atitude ímpares no meio rockeiro nacional nem sempre foram suficientes para proporcionar à banda almadense o tipo de condições de trabalho que há muito justificariam. Ainda há bem pouco tempo, A.M.R. se queixava da promoção e distribuição deficientes da parte da antiga editora. Agora, a inclusão no catálogo nacional da BMG parece abrir para os UHF perspectivas mais risonhas. Com um novo álbum, de genérico “A Comédia Humana”, pronto a sair na última semana deste mês e uma canção, “Brincar com o fogo”, já a passar na rádio, o futuro aponta para um relançamento em força da banda mítica de Almada.
O problema da promoção e distribuição dos discos tem sido, de resto, o principal cavalo de batalha. “Só tínhamos dois caminhos”, assegura A.M.R., “ou abríamos um selo próprio e entregávamos a distribuição, ou então tínhamos um bom contrato e um plano de trabalho.” Questões que, para o vocalista dos UHF, passam sobretudo pela granatia de que “os discos vão chegar ao seu destino”, isto é, aos locais onde as pessoas os possam comprar. Como exemplo das deficiências a que alude aponta o caso recente ocorrido numa digressão dos UHF aos Açores, onde “Noites Negras de Azul” passava por ser o último disco da banda.
Não se deve, pois, pôr o problema em termos de dinheiro – “mais ‘royalties’ menos ‘royalties’, não era isso que estava em causa” -, mas antes em termos de segurança e garantia de um bom trabalho. Há mesmo a promessa, da parte da editora, de procurar “furar” no mercado internacional e impor lá fora os produtos no catálogo. “Isto dá-me uma largueza de trabalho, de vistas de futuro que nunca tive”, declara aliviado António Manuel Ribeiro. “Penso que há cerca de nove anos que não tinha isto, desde que deixei a Valentim de Carvalho.”
Se nos recordarmos dos tempos negros recentes – “tive uma série de angústias porque as promessas que nos tinham sido feitas não estavam a ser cumpridas” -, não deixa de ser curiosa a confiança agora reencontrada, confiança que, segundo A.M.R., passa pelo conhecimento pessoal das pessoas envolvidas na nova equipa e projecto da BMG, escolhidas a dedo segundo um critério de “selecção de valores” e já “com provas dadas”.
Provisoriamente arredados para a gaveta ficam anteriores projectos independentistas – “não foram para agaveta”, garante A.M.R., “abrir um selo em Portugal é sempre um desafio. E é um desafio para mim que sou um teimoso, que acredito nisto”. Longe vão os tempos derrotistas em que perguntava ironicamente a alguém da antiga editora se a música portuguesa “ia acabar”. Pelos vistos, a dos UHF não acabará nunca.
A prova-lo, o novo álbum, nova formação (com o Toninho, na guitarra, proveniente da banda de “heavy” Iberia, e o Nuno Filipe, no baixo, com experiência em várias bandas de “thrash metal”) e uma mudança de estilo tendente a fazer aumentar ainda mais o número de fiéis dos UHF. “A produção é diferente”, sintetiza o vocalista, “é um disco de extremos, com um som mais pop que talvez tivesse começado a aparecer com “Hesitar”, juntamente com algumas canções bastante rudes, à maneira dos UHF.”
Para os novos recrutas, como o Toninho, habituado ao ribombar metálico, a princípio “foi difícil entrar”, já que “o estilo era completamente diferente”. Mas, como faz questão de frisar o Renato Júnior, teclista e saxofonista, a mudança de som detectável no novo álbum passou inevitavelmente pelo aval e pelos arranjos de António Manuel Ribeiro – “é ele que filtra tudo e sintetiza aquela coerência que é a dos UHF”. A.M.R representa, de facto, a firmeza de princípios e a rebeldia típicas do verdadeiro rock. Que sonhos ou ambições fazem correr ainda este veterano para quem o “rock ‘n’ rol” foi a forma que escolheu de estar na vida? “Somos músicos. Não ‘mais ou menos’ músicos, mas músicos mesmo. Vivemos isto intensamente o ano inteiro, a vida inteira.” Histórias que se vão contando na “Comédia Humana”.

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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #177 – “Forum Sons viva o elitismo!”

#177 – “Forum Sons viva o elitismo!”

Forum Sons: viva o elitismo!
Fernando Magalhães
Sun Jun 10 21:47:33 2001

Finalmente tenho um pouco de tempo (e um computador suficientemente rápido para não me dar cabo do sistema nervoso!) para poder alinhar meia dúzia de palavras com algum sentido.

Assim acabei de ler algumas (não todas) intervenções sobre o que é, não é, devia ou não ser o forum SONS, tema colocado à discussão pelo Pedro Belchior, com quem, aliás, já falei pessoalmente sobre este tema.

Já aqui me pronunciei sobre as vantagens e desvantagens de um forum “elitista” como – quer queiram quer não – é o forum sons. Não por vontade explícita dos seus participantes mas pela própria natureza dos seus gostos musicais (ou de cinema), tanto como pelo requintado sentido de humor.
Isto, meus amigos, faz de nós, ou da maior parte de nós, um grupo restrito de pessoas com BOM GOSTO, seja qual for a área musical sobre a qual nos pronunciamos, da música de dança à pop, da folk à electrónica.
Vão lá falar dos gybe, dos DAT Politics, dos Legendary Pink Dots, dos Biosphere, dos Mr. Bungle ou dos Sigur Rós para um forum vulgar e verão o que acontece!…

O forum Sons juntou um número de pessoas com algo em comum, pese embora a diferença de gostos e de personalidade dos seus membros.

Há, como alguém aqui já referiu, um “núcleo duro”. São aqueles que não só participam com mais assiduidade como também exprimem com maior veemência e à vontade os seus pontos de vista. Aqui, como em tudo, a antiguidade é um posto. )))) É natural e não é condenável.
Depois, criou-se, é verdade, o grupo dos dois forenses que se conhecem pessoalmente o que contribui para reforçar a existência de um círculo ainda mais restrito (as private jokes, descrições de concertos, sessões de pretas, etc etc etc.

Só prova, uma coisa, completamente positiva: que o forum serviu, pelo menos, para aproximar as pessoas.

Há um solidão latente na maior parte de nós. Não me refiro a uma solidão existencial (embora ela também possa existir) mas a uma solidão que é inerente a todo o indivíduo consciente de si próprio.
Eu incluo-me no grupo dos solitários.
É-me penoso não poder falar, discutir com um número maior de pessoas sobre os Van Der Graaf, o cinema de Raul Ruiz, os Monty Python, Nietzsche ou a física quântica de Leon Max Lederman. Aqui neste forum posso fazê-lo.

Por isso, o prazer de participar neste forum é, em grande parte, o da partilha. O de poder discutir, trocar impressões (e, por vezes, nos termos mais tresloucados que se