Arquivo da Categoria: Críticas 2003

Don Cherry – “‘Mu’ First Part” + Sonny Sharrock – “Monkey-Pockie-Boo” + Frank Lowe – “Black Beings” + Henry Grimes Trio – “The Call”

(público >> mil-folhas >> jazz >> crítica de discos)
sábado, 12 Julho 2003

O “free” foi grito, libertação, revolta. Mas também descoberta, encontro e ousadia. Civilizações antigas, criaturas negras e invocações povoam a obra de Cherry, Sharrock, Lowe e Grimes, agora em quatro reedições.

A civilização dos anti-civilizados

Don Cherry
“Mu” First Part
Sunspots
7 | 10

Sonny Sharrock
Monkey-Pockie-Boo
Sunspots
7 | 10

Frank Lowe
Black Beings
ESP
7 | 10

Henry Grimes Trio
The Call
ESP
8 | 10
Todos distri. Trem Azul



“’Mu’ First Part” inaugurou, em 1969, o catálogo da editora francesa Byg, preferencialmente voltada para o “free jazz”, série que continua a ser objeto de sucessivas reedições remasterizadas e em formato de miniaturas em cartão, agora sob a designação Sunspots. É seu autor o trompetista e multi-instrumentista Don Cherry, falecido em 1995, ex-colaborador de Ornette Coleman e viajante infatigável dos locais e folclores planetários.
Em “’Mu’ First Part” – dueto com o baterista Ed Blackwell, associação que prosseguiria em álbuns como “El Corazon” ou no coletivo Old and New Dreams – a música segue todo um programa de intenções e associações simbólicas explicitadas em forma de expressões como “The silent life”, “Vibrations”, “Harmony”, “Abstract sound” ou, ainda mais representativos do espírito da época, que Cherry assimilou como ninguém, “Love” e “Wisdom”. Títulos como “Total vibration”, “Sun of the East” ou “Terrestrial beings” sugerem ligações, não descabidas, ao “outer space” de Sun Ra, com a diferença de que enquanto o “teclista de Saturno” viajava pelos confins da galáxia, Cherry mergulha a sua música nas raízes africanas, nos rituais mágicos da terra (não por acaso, aparece como símbolo gráfico, não um astro, mas uma árvore) e numa visão panteísta do jazz. Ed Blackwell alterna um discurso mais livre com repetitivismos, fragmentos de batuque e guizos de “griot”, enquanto o trompetista introduz no formulário “free” acentos de flauta étnica, podendo o trompete divagar por notas mais “espanholadas” sem cair na redundância. Álbum representativo de um tempo de descobertas e recusas mas também de convergências, entre o jazz e a música do mundo, real ou mitológico, como a antiga civilização de Mu.
Ainda na Sunspots, ressurge um disco há longo tempo ausente do mercado, “Monkey – Pockie – Boo” (1970), do guitarrista Sonny Sharrock, com Linda Sharrock (voz), Beb Guérin (baixo) e Jacques Thollot (bateria). Sonoridades marcada por “drones” e saturações tímbricas levadas ao limite, gritos e lamentos de verdadeiro “gestalt” vocal (especialidade na qual a mulher do guitarrista se mostra particularmente convincente, compondo uma versão “naif” de Diamanda Galas) impressionam quer pela crueza quer pela violência, podendo os 17 minutos de “27th day” ser experiência difícil de ultrapassar. O massacre prossegue em “Soon” para se resolver no título-tema sob a forma de cântico ritual. Tudo se organizaria anos mais tarde em “Guitar”, onde os “blues”, apesar da capa de “noise” envolvente, mostrariam estar afinal presentes na guitarra de Sharrock. Da sua mulher, Linda, desconhece-se se terá ou não recebido assistência médica após tão inflamado desempenho.
Em nome de John Coltrane, “In Trane’s name”, é como o saxofonista tenor Frank Lowe dá início a mais um périplo de “screaming” pelas regiões, não tão isentas de margens como isso, do “free”, aqui com data de 1973 e o título “Black Beings”. Como Coltrane, este embora no sentido da ascese, Lowe é um saxofonista do paroxismo, da exploração intensiva dos registos extremos do instrumento e da emoção. Pode apontar-se a esta música em que cada nota pega fogo, a ignorância do pequeno detalhe que se revela no silêncio ou da “nuance” interior. Frank Lowe é o animal que literalmente ruge no tenor, karateka do jazz com liberdade de tomar a forma da criatura que melhor se adequa ao seu gesto. Joseph Jarman, dos Art Ensemble of Chicago (nos saxofones alto e soprano), William Parker (contrabaixo), Rashid Sinan (bateria) e “The Wizard” (violino) são os outros participantes desta obra emblemática de uma atitude bem expressa na dedicatória “aos músicos que tocam e oferecem toda sua fé e poder”.
Henry Grimes põe toda a sua fé e poder na forma como toca contrabaixo em “The Call”, em trio com Perry Robinson (clarinete) e Tom Price (bateria). “Você nunca ouviu sons como estes na sua vida”, arrisca o “slogan” da capa desta edição de 1965 e a verdade é que, neste caso, o “free” não se esgota no disparo na horizontal mas numa verticalidade e exploração de alto risco pelos meandros da escuta interior que dispensam conotações com “estilo” ou “género”. “A chamada” faz-se aos demónios e anjos primordiais, de acordo com uma dinâmica de pesquisa que recusa fórmulas e sinalizações estáticas. E se Grimes tem a segurança de quem escora a escavação é Robinson quem extrai da rocha os minerais mais valiosos. Há obstáculos a vencer para quem os queira acompanhar na invocação. E o perigo de queda no abismo.

Peter Brötzmann – “Live At Nefertiti” + Peter Brötzmann – “Aoyama Crows” + Anthony Braxton – “This Time…” + Anthony Braxton – “Four Compositions (GTM) 2000”

(público >> mil-folhas >> jazz >> crítica de discos)
sábado, 5 Julho 2003

Peter Brötzmann lança chamas. Anthony Braxton usa régua e compasso. Qualquer deles representa o lado mais incandescente da “free music” atual.


Quando eles tocam as pessoas ouvem

Peter Brötzmann
Live at Nefertiti
Ayler, distri. Multidisc
8 | 10

Peter Brötzmann
Aoyama Crows
FMP, distri. Multidisc
9 | 10

Anthony Braxton
This Time…
Sunspots, distri. Trem Azul
8 | 10

Anthony Braxton
Four Compositions (GTM) 2000
Delmark, distri. Multidisc
8 | 10



Imagine o leitor/auditor que o sentam confortavelmente numa poltrona instalada na penumbra de um túnel, para ouvir jazz, com um cachimbo ao lado pronto para umas baforadas e umas pantufas fofas para calçar. De súbito sente uma ventania varrer-lhe o corpo e o espírito, cai da poltrona e verifica que o túnel é, afinal, o interior de uma turbina. O vendaval é de som e provém de um saxofone. No redemoinho de ar ainda apanha com uma aresta de cartão na testa (o contacto com o jazz pode ser doloroso). Apenas tem tempo de agarrar na capa do digipak e de ler um nome: Peter Brötzmann. Assim avisado, sorri e compreende. Amarra a poltrona ao chão, senta-se de novo e absorve com prazer a torrente sonora que brota do tenor deste músico alemão que levou a linguagem do “free” ao paroxismo da respiração e do fogo.
Com mais calma lê o título: “Live at Nefertiti”. Foi gravado no clube sueco com este nome, em 1999, em improvisação total com o baixo elétrico do dinamarquês Peter Friis Nielsen e a bateria do sueco Peeter Uuskyla (ex-sideman de Cecil Taylor), ambos pertencentes ao grupo Biigi Vinkeloe Trio, repetindo a formação de “Noise of Wings”. O jorro do saxofone, do clarinete e do taragato é imparável, o timbre do tenor emana centelhas de Albert Ayler (“Nidhog 4” é absolutamente ayleriano) e, a suportar a onda, o baixo do dinamarquês revela-se surpreendentemente fluido e macio, a par de uma bateria em constante trabalho solista. Assim, leitor, não oponha resistência, deleite-se na corrente, soletre as notas e entre em sintonia com o fôlego de modo a sentir a adrenalina de conduzir um Fórmula 1.
“Ayoama Crows”, com os Die Like Dog Quartet – William Parker (contrabaixo), Toshinori Kondo (trompete, eletrónica) e Hamid Drake (bateria) – em bora igualmente abrasivo da parte do autor de “Machine Gun”, revela porém uma abordagem diferente do coletivo, com o trompetista japonês a entrar em diálogos contrapontísticos de alta velocidade e Parker e Drake a dominarem e a dividirem o tempo com outra complexidade. Kondo confere mesmo ao som do “ensemble”, registado ao vivo também em 1999, no “Total Music Meeting” de Berlim, as tonalidades “funk” que lhe são características, evocando por vezes uma outra banda de Brötzmann, os Last Exit. A evocação de Albert Ayler encontra-se uma vez mais patente neste trabalho de extensas composições, verdadeiro mural de jazz cubista representativo do melhor que a “free music” atual tem para oferecer.
Anthony Braxton oferece outro tipo de violência. A do desconhecido. Em mais um pacote de miniaturas da Sunspots, o saxofonista ressurge numa gravação de 1970, “This Time…”, com Leo Smith (trompete, sirenes, buzinas, etc), Leroy Jenkins (violino, viola, flauta, órgão, etc) – os três tocam juntos, mais a eletrónica de Richard Teitelbaum, no fabuloso “Silence/Time Zones” – e Steve McCall (bateria, darbouka, percussões). Braxton toca a habitual parafernália de sopros mas também uma “sound machine” e sinos. Entre a música concreta e o ritual xamânico dos Art Ensemble of Chicago (tudo o que emite som provoca música), “Composition nº1” é uma demonstração do “free” na sua vertente mais multidirecional, criando uma infinidade de espaços e arquiteturas, etnografias urbanas desenhadas com tubos, fios, ferragens, ventoinhas, cornetas, martelo e pregos, agulhas e tintas de todas as cores, umas vezes bem, outras mal misturadas. Já as “Small Compositions”, numeradas de 1 a 5, mostram o lado mais conceptual, “extático” e “geométrico” do músico de Chicago.
Um salto de 33 anos leva-nos até “Four Compositions (GTM) 2000”, números 242 a 245, versão em quarteto do original de 1969, “For Alto”, para saxofone alto solo, com Kevin Uehlinger (piano, melódica), Keith Witty (baixo com arco) e Noam Scahtaz (percussão), enquanto Braxton se socorre da gama de saxofones que vai do soprano ao contrabaixo. Fria, em comparação com “This Time…” ou com a combustão de Peter Brötzmann, esta “Ghost Trance Music”, como o compositor lhe chama, está próxima de algum jazz de câmara representado pela editora Recommended, indo facilmente ao encontro do gosto dos que apreciam bandas como os Henry Cow (de “Western Culture”), Univers Zero ou Motor Totemist Guild. Em qualquer caso confirmando, como dizia o outro, que “quando Anthony Braxton toca, as pessoas ouvem”.

Ben Webster – “Soulville” + Bill Evans – “Alone” + Chick Corea – “Rendezvous In New York” + Shirley Horn – “May The Music Never End” + Ella Fitzgerald & Louis Armastrong – “Again”

(público >> mil-folhas >> jazz >> crítica de discos)
sábado, 28 Junho 2003

O amor e a solidão, nos seus mais diversos cambiantes, foram tocados e cantados pelos mestres. Bill Evans, Ben Webster, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong disseram-nos que podem ser felizes.


O amor feliz

Ella Fitzgerald Louis Armstrong

BEN WEBSTER
Soulville
Verve
10 | 10

BILL EVANS
Alone
Verve
7 | 10

CHICK COREA
Rendezvous in New York
2xCD Stretch
8 | 10

SHIRLEY HORN
May the Music never End
Verve
7 | 10

ELLA FITZGERALD & LOUIS ARMSTRONG
Again
2xCD Verve
9 | 10

Todos distri. Universal



Seis meses antes de Bill Evans, Oscar Peterson abrira o caminho, com uma sessão de piano em solo absoluto, algo que até então não fazia parte das tradições mais comuns do jazz. Com “Alone”, de 1968, o autor de “Waltz for Debby” procurou atingir a “sensação do absoluto no ato de tocar sozinho”. Provavelmente atingiu-a. Para trás ficara, como confessou, o medo e a impressão que sempre tivera, de que sempre que um pianista tocava sem acompanhamento as pessoas não prestavam atenção e se entretinham a beber, a comer (se num bar) ou a conversar. “Música para jantar” não é certamente o caso de “Alone”, um álbum cuja delicadeza e nostalgia, habituais em Evans, a par das figuras de estilo e da elegância das modulações harmónicas, se sustentam numa sólida arquitetura matemática, menos intuitiva e bastante mais racional do que seria de supor, sendo o próprio pianista a acentuar a importância da estrutura e do “ratio” matemático. Rigor que não impede, antes liberta, o fluxo musical que, no formato típico do trio com contrabaixo e bateria, se confina a regras bastante mais rígidas. Claro que haverá sempre alguém disposto a utilizar esta música como fundo musical para a degustação de um bife (embora, na nossa opinião, ela ligue melhor com peixe fresco) o que, afinal, até se poderá considerar como um complemento daquele estado de “rêverie” que a música de Bill Evans tende a provocar no auditor. Embora seja lícito duvidar de que os 14 minutos e as constantes oscilações de registo de “Never let me go” possam constituir um bom auxiliar da digestão. Ao alinhamento original, a presente reedição remasterizada adiciona seis “takes” alternativos. “Alone” transporta-nos para a nossa própria solidão.
Será portanto aconselhável contrabalançar tal estado com outros menos acabrunhantes. O novo de Chick Corea, “Rendezvous in New York”, duplo CD gravado no formato de Super Audio CD com recurso ao DSD, tecnologia que recorre a “software” Pyramix (garantia de um som piramidal) associado aos processadores Pentium da nova geração, serve às mil maravilhas este propósito. Gravado ao vivo no Blue Note de Nova Iorque em Dezembro de 2001, os dois discos oferecem um “digest”, em várias combinações, do pianista, que vão do “concerto” clássico ao “free jazz”, com pouco espaço para a fusão.
No primeiro CD Corea aparece em duo com Bobby McFerrin, num triplo número de malabarismos vocais, em trio com Roy Haynes e Miroslav Vitous (na “Matrix” de “Now he Sings, Now he Sobs”, aqui recenseado recentemente), com Haynes, Joshua Redman, Terence Blanchard e Christian McBride (numa mnemónica da banda de Bud Powell que é o grande momento deste trabalho), em duo com o vibrafonista Gary Burton (recuperando o mágico “Crystal silence” gravado para a ECM) e com a sua Akoustic Band, num “Bessie’s blues” solto na tradição.
Do “outro lado”, de novo a Akoustic Band, mais “Armando’s tango”, tanguero q.b. mas não tanguista, na companhia dos Origin (Avishai Cohen, Jeff Ballard, Steve Wilson, Steve Davis e Tim Garland). Clarinetes quentes. Movimentos melódicos ainda mais. Notável o “Concierto de Aranjuez”, diálogo de pianos com Gonzalo Rubalcaba, que “riffa” com raro vigor nas mãos esquerdas do “hard bop” e se constrói em plena comunhão.
No pacote das remasterizações da Verve, dois clássicos, ambos de 1957. O primeiro chama-se “Soulville” e tem a assinatura de um dos maiores mestres de todos os tempos do saxofone tenor, Bem Webster. A balada de “blues” de abertura revela-se um daqueles momentos de luz absoluta que qualquer amante de jazz deve utilizar para converter os descrentes ao jazz. O saxofone fala diretamente ao coração (porque sai diretamente dele), respira no nosso peito, obriga-nos a enfrentar, sem defesas, a própria essência do “blues” e a penetrarmos nela. Sensualidade é a ideia que estamos a tentar fazer passar. Com a presença, não menos sublime, do piano de Oscar Peterson – o espírito. “Late date” sua a sexo puro. O lado mais rugoso e lúbrico do tenor segundo Webster num enlace em que o piano acerta na certeza de que o “blues” é o balanço perfeito. Quem se deixa apanhar, ou se casa ou se vicia. Quem sabe escutar os conselhos do pai do jazz tem a sabedoria do seu lado. E que dizer de “Lover, come back to me” ou “Where are you?”? Não há quem resista à força e ternura desta sedução, abraço trémulo, jazz do continente interior. Tenor-amor. Sensação em estado puro, sem intermediários. “Soulville”, podendo ser saboreado por todos os que retiram do jazz o sumo, faz transbordar (e chorar) de felicidade o epicurista para quem a música é o néctar oferecido pelos deuses. “Makin’ whoopee”. É o que apetece fazer.
O outro clássico, do mesmo ano de 1957, também tem a ver com quem sabia lidar com a felicidade, o que nem sempre é fácil: Ella Fitzgerald e Louis Armstrong juntaram-se em “Again”, depois de um primeiro encontro em “Ella and Louis”. Ou, como alguém comentou, “a match made in heaven”. “Makin’ whoppee”, de novo, claro, volta a entrar no alinhamento, instando-nos a fazer o mesmo. O grupo de músicos é praticamente igual ao de “Soulville”: Oscar Peterson (piano), Herb Ellis (guitarra), Ray Brown (baixo). Só o baterista é diferente, Louis Bellson, em vez de Stan Levey. Encontramo-nos com o património da balada na sua vertente mais lúdica. Ella e Louis cantam com a inocência (curioso verificar como o registo vocal de Armstrong foi moldado por Tom Waits na forma das cabeças que fecham de dia mas estão abertas toda a noite…) própria de quem não chegou a morder a maçã dada por Eva a Adão, mas mesmo assim guarda a sabedoria, “standards” como “Don’t be that way”, “Stompin’ at the Savoy”, “These foolish things”, “Love is here to stay” ou “I get a kick out of you”. Ella não esconde nada, embora cada uma das notas que canta seja uma lição de vida. Dele, Louis, “Satchmo” não conseguimos desligar a voz do sorriso. “Comes love” soa como algo que se desaprendeu de ouvir dizer e de dizer ao outro. Ella sabia-o. Ele sabia-o. E quando os ouvimos, sabemos também, milagrosamente, que o amor nem sempre vem para magoar.
Mas quando magoa, pode matar. Di-lo outra cantora de que não se pode desviar. Shirley Horn, de regresso com um novo disco, “May the Music never End”. Escutar no momento errado a sua versão de “Ne me quitte pas”, de Jacques Brel, na adaptação inglesa, “If you go away”, é sufi ciente para fazer o Verão terminar prematuramente. Shirley canta como uma contadora de histórias, estendendo o tempo, sempre lento, como um tapete às palavras, tão cantadas como declamadas. Roy Hargrove (trompete) e Ahmad Jamal (piano) são os convidados especiais desta coleção de “torch songs”, tão suaves que deixam no ar a esperança.