pop rock >> quarta-feira >> 01.02.1995
Zsaratnók
The Balkán Legend
NEW TONE, DISTRI. MC-MUNDO DA CANÇÃO

Formados há 13 anos em Bucareste, os Zsaratnók são liderados pelo búlgaro Nikola Parov, arranjador e compositor dos temas originais do grupo, por norma inspirados na música tradicional dos Balcãs, nomeadamente da Bulgária, Roménia, Sérvia, Macedónia, Croácia, Grécia e Albânia. “The Balkan Legend”, ao contrário do anterior “Holdudvar” (disponível em vinilo na Hungaratin), dispensa as “fusões” jazzy e os sinfonismos bacocos. Talvez devido ao dedo de Beppe Greppi, dos Ciapa Rusa, que aqui aparece como coordenador do projecto. “Take none” parte nas síncopes do 9/8 da dança popular búlgara “daytchevo”, com prólogo e epílogo ao estilo da raga inidana interpretados na “gadulka” (família dos violinos). A vida dos pastores “pacular” das montanhas da Roménia e da Transilvânia serve de inspiração a “The mountain pacular”, com melodias sérvias tocadas nos instrumentos típicos desta região, “dovynitza” e “frula”. “Rebetiko to K. Pastra” decorre no estilo tradicional grego (“rebetiko”) de forma a pôr em relevo o característico “buzuki”. Impressionante o solo de “kaval” (família das flautas), acompanhado por duas “tampuras” indianas, em “kavalkád”, uma autêntica cavalgada no instrumento que, reza a lenda, era tocado por Orfeu nas montanhas de Rodope, no Sul da Bulgária. Por “Threcian Rhapsody” passam pela “gayda” (gaita-de-foles) cadências que vão do intimismo à dança desenfreada. O álbum termina numa nota de melancolia e alguma cedência, em “The Balkán legend”, único tema onde a produção cede à tentação de tornar “mais bonito” o som, num monólogo de guitarra acústica “jazzy” sobre sons vagamente sintéticos que, em todo o caso, não se confunde com as centenas de discos de (má) “new age” que ingfestam o mercado. (7)





