Arquivo de etiquetas: Maddy Prior

Maddy Prior – Arthur The King

11.05.2001
Maddy Prior
Arthur The King
Park, distri. Megamúsica
7/10

maddyprior_arthurtheking

LINK (“Changing Winds”)

O tema do rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda tornou-se sinónimo de um celtismo “new age” sem outra função senão servir de sedativo. Maddy Prior teve a coragem de retomar a temática do lendário cavaleiro inglês, dedicando-lhe uma suite inteira, reservando o restante espaço para “standards” como “Reynardine” e “Lark in the morning”. Quanto ao tema do rei, profusamente analisado à luz de simbolismos vários, insere-se na mesma linha do folk progressivo que os Steeleye Span cultivaram na fase mais recente da sua discografia, com a voz de Maddy multiplicada em polifonias, a electrónica a sobrepor-se às “uillean pipes” de Troy Donockley e a “new age”, da marca Hearts of Space, a aflorar perigosamente nos diversos interlúdios sobre o Graal intitulados “Hallows”. Não é Enya, mas também não faz esquecer o igualmente conceptual “Year”.

Maddy Prior – Ballads & Candles

05.01.2001
Maddy Prior
Ballads & Candles
Park, distri. Megamúsica
7/10

maddyprior_balladsamdcandles

LINK (Tapestry of Carols – 1987)

O encontro, 20 anos depois, com June Tabor, é o principal atractivo de “Ballads & Candles”, celebração dos 35 anos de carreira da cantora dos Steeleye Span, gravado na digressão de Natal do ano passado, em simultâneo com o disco de estúdio “Ravenchild”. Para além de June Tabor, foram chamados, entre outros músicos, Peter Knight e Rick Kemp, ambos dos Steeleye Span, e Troy Donockley, multinstrumentista dos Carnival Band, mas são os desempenhos “a capella” com a sua antiga companheira nas Silly Sisters, ou com a filha, Rose Kemp, que justificam a audição sem reservas deste “best of” de uma das vozes femininas mais importantes a emergir da vaga folk rock dos anos 70. Não acrescentará grande coisa à sua carreira mas servirá para chamar a atenção dos que a desconhecem, sobretudo num registo de júbilo como é o deste “Ballads & Candles”.

Maddy Prior – Ravenchild (conj.)

09.07.1999
World
Verdadeira instituição no seu país, os Whistlebinkies cumprem, pela enésima vez, o papel que já interiorizaram, os dos Chieftains da Escócia, com “Timber Timbre”, um álbum de nuances delicadas onde os sets de dança alternam com ambientes de introspecção, respectivamente personificados pela gaita-de-foles de Rab Wallace e a harpa de Judith Peacock, ao longo de onze temas irreprensivelmente executados e produzidos. Um dos focos de interesse de “Timber Timbre” é a voz de Judith Peacock, cuja frescura, num tema como “The Sailor’s Wife”, nos faz recuar ao prodigioso “Old Hag You Have Killed Me”, dos Bothy Band, e às vocalizações de fada de Triona Ní Dhomnaill. (Greentrax, distri. MC – Mundo da Canção, 8)

maddyprior_ravenchild

LINK
pwd: Stairway_to_Heaven

Outra das vozes da música tradicional britânica que continua a fazer história é a de Maddy Prior, cuja obra a solo deixou, finalmente, de se desenrolar em paralelo com a dos Steeleye Span, não participando já no último álbum do grupo, “Horkstow Grange”. “Ravenchild” reforça a tendência da cantora para assinar álbuns conceptuais, com a inclusão de duas “suites”, “With Napoleon in Russia” e, sobretudo, a mais longa “In the Company of Ravens”, ciclo de canções em torno da simbologia do corvo, onde é posto em evidência o ponto de maturação a que chegou a sua voz. Entre diversos momentos de excepção, destaca-se “Rigs of the Time”, um clássico, ao nível dos melhores temas se sempre interpretados pela cantora, que tanto evoca a solenidade da sua antiga parceira, June Tabor, como a classe pura de Martin Carthy, que, curiosamente, gravou um álbum com este nome. “In The Company of the Ravens” é uma história a várias vozes que vai da balada clássica acompanhada ao piano até ao tom Grace Slickiano de “Young Bloods”, passando pelo “prog folk” de “Rich Pickings” e a pausa “new age celtic” de “Dance on the Wind”. (Park, distri. Megamúsica, 8)

Kathryn Tickell tem o rosto, o corpo e a música mais sensuais da folk actual. Ainda para mais, desde “On Kielder Side”, só grava obras-primas, como “The Gathering” e “The Northumberland Collection”. “Debatable Lands” volta a fazer-nos babar de prazer. Confessamos a nossa fraqueza: não conseguimos resistir a esta mulher que toca gaita-de-foles e violino como uma deusa e que, recentemente, destroçou mais do que um coração (o nosso há muito que está reduzido a cacos) no festival Multimúsicas realizado em Lisboa. Que fazer quando a perícia e sensualidade de execução nas “Northumbrian Pipes” nos esmaga, o que acontece logo no tema de abertura, “the wedding / Because he was”? “Our Kate” (quem nos dera, suspiro…) provoca suores frios, tal a graça da melodia e a delicadeza com que Kathryn a executa. O violino é uma fonte de carícias, em “Road to the North / Hanging Bridge / All at Sea”, o mesmo acontecendo ainda no mesmo “set”, com a gaita-de-foles, antes de ser abruptamente despertada pelo acordeão de Julian Sutton. Não nos responsabilizamos pelos espasmos que as “pipes” possam causar, em “The magpie” e “Stories from Debatable Lands”, da mesma forma que achamos negativa toda e qualquer dependência que esta música possa provocar. O álbum termina com uma segunda versão de “Our Kate”, mais uma massagem erótica das “pipes”. Mas elea faz de propósito, ou quê? (Park, distri. Megamúsica, 9)

Eram umas moçoilas do campo, mas a fama transformou-as num grupo de profissionais da “world-music”. Falamos das norueguesas “Varttina”, que também actuaram no festival Multimúsicas, onde foram comparadas a Madonna e às Spice Girls, salvaguardadas as devidas distâncias, é claro. “Vihma” soa melhor que a sessão quasi-tecno de Lisboa, embora seja evidente que o quarteto vocal se está a afastar cada vez mais das raízes, ainda que as melodias mantenham o traço tradicional e o timbre das vozes conserve o típico “vibrato” rural. Entre a ânsia de fazer dançar a todo o custo e a simplicidade da maior parte dos arranjos, “Vihma” respira melhor em baladas como “Emoton”, “Uskottu ei Uupuvani” e “Aamu”. As concessões das Varttina podem desagradar a alguns – na verdade, apenas o tema final, “Vihmax (Vihma Remix)”, uma descarga redundante de “etno tecno”, descamba na facilidade sem contrapartidas – mas é impossível escapar à alegria que a sua música e as suas interpretações transmitem. Estas raparigas são fogo. (Ed e distri. BMG, 7).

Os La Bottine Souriante (nas fotos em cima) já actuaram duas vezes em Portugal, a última delas no festival Cantigas do Maio, no Seixal. Como as Varttina, também estes canadianos transbordam de alegria, quer ao nível do reportório quer da vivacidade das execuções. A diferença está em que, no seu caso, tudo soa mais espontâneo, como uma festa onde a música tradicional é a forma mais rápida para fazer as pessoas felizes. Em Rock & Reel”, versão actualizada e com nova distribuição do álbum do ano passado editado no Canadá com o selo Mille-Pattes, os “reels” do Quebeque rolam rolam como o de locomotiva, os jigs saltam como aguardente na garganta (“Ami de la boteille” é um verdadeiro hino a Baco), a secção de metais é um lança-chamas de “swing”, enquanto as canções francófonas exalam o charme que lhes confere o característico sotaque do Quebeque. Folia garantida! (Hemisphere, distri. EMI-VC, 8).