Giant Sand – Chore of Enchantment

16.06.2000
Giant Sand
Chore of Enchantment (8/10)
Thrill Jockey, import. Ananana

giantsand_chore

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Imagens da América. “Americana”, dizem, derradeira materialização do “sonho americano”. Para Howe Gelb, veterano dos Giant Sand (em trio com Joey Burns e John Convertino, também elementos dos Calexico), a realidade e o sonho confundem-se no magnífico caleidoscópio de mitos americanos à deriva que é “Chore of Enchantment”, enésimo álbum de uma discografia iniciada há cerca de 20 anos. Dedicado a um dos fundadores da banda, Rainer Ptacek, falecido em 1997 de um tumor cerebral, materializa de forma brilhante as alucinações de LSD que em 1976 estiveram na base do encontro de Helb com Ptacek – num bar esquecido, onde tocaram juntos a mesma canção durante 45 minutos. Poderia servir de banda sonora a “Delírio em Las Vegas”, se em vez de Las Vegas o cenário fosse o Arizona. Um mellotron solene, um órgão Hammond B-3 litúrgico, um excerto da ópera “O Elixir do Amor” de Donizetti (a preferida de Ptacek), arremedos de hip-hop, uma “guitarra no estilo de Willie Nelson”, vibrafone, acordeão, guitarras dolentes como o trote de cavalos saídos de um “western”, chuva, os ecos de um salão de baile abandonado, discos antigos de 78 rotações, samples que cosem remendos electrónicos ao pano cru de canções que se agarram à pele e à alma fazem de “Chore of Enchantment” um álbum que retrata de forma superlativa a América que, nos filmes, associamos àquelas oficinas de sucata que emergem no deserto como miragens, enfeitadas se sentido com quilómetros de fios de luzes de Natal. David Byrne filmou estas mesmas “True Stories”, tão verdadeiras como o brilho do espectáculo.

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